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A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

História Verdadeira de Natal (Guião Original - Versão 2021)

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 24.12.23

A acção começa na sala. O Gui chega, senta-se no sofá e liga a televisão para ver o que está a dar.

Gui: Vamos lá ver o que está a dar! Ora bem...

(Na televisão está a dar um filme muito parecido com os outros 7 mil milhões que se baseiam no conto da autoria de Charles Dickens.

A Carolina está a dormir. A Alice [fantasma] entra na sala e acorda-a)

Alice: Buuu! Eu sou o fantasma do Natal, e venho-te avisar que hoje te vêm visitar três fantasmas, porque tu tens sido muito má!

Carolina: E acordaste-me para isso? Já viste que horas são? Amanhã tenho que acordar cedo!

Alice: É pá! Peço desculpa! Mas é que...

Carolina: Não há mas nem meio mas! Não se interrompe assim o sono das pessoas! Não és tu que tens que trabalhar, não é?

Gui: Ui! Ui! Mais um filme baseado na história do Charles Dickens? Já chega disto! Esta história foi mais espremida que sei lá o quê! Deixa-me ver outra coisa!

(Gui muda de canal. Aqui está a dar um filme tipo Fox Life em que tudo é perfeito e nada corre mal!)

Carolina: Meu amor! Eu sabia que eras tu quem eu amava!

Alice: Desculpa se te magoei. Nunca foi esse o meu objectivo!

Carolina: Não faz mal! O que interessa é que estamos todos juntos outra vez!

Alice: Este é mesmo o melhor Natal de sempre!

Gui: Blhec! Que nojo! Tanto clichê aqui metido! Parece um filme do Fox Life! Será que não está a dar nada de jeito em lado nenhum?

(Gui muda de canal. Neste canal está a dar um filme chamado “História Verdadeira de Natal”)

Gui: História Verdadeira de Natal... Parece interessante! Deixa cá ver, então.

(Começa o filme)

Gui (Narrador): Há muito muito tempo, numa terra cujo nome não sabemos chamada Nazaré, vivia uma jovem senhora burguesa e o seu marido carpinteiro. Certo dia, esta jovem recebeu uma visita inesperada:

Alice (Maria): Deixa-me cá fazer o comer para o meu homem, que não tarda deve estar a chegar do trabalho! Como ele fez anos aqui há cinco dias, e a gente não festejou, vou ver se o impressiono!

(Enquanto a Alice diz isto, a Carolina aparece atrás dela)

Carolina (Anjo): Olá!

Alice: Ai, que me assustaste! Valha-nos Deus!

Carolina: É mesmo desse gajo que eu te venho falar. Como é que adivinhaste? Então, é o seguinte! O meu nome é Gabriel, e sou o director executivo da OIHS ou, em Português, “Organização de Inseminadores do Espírito Santo”. O que eu te queria dizer era o seguinte: Deus ligou-me a dizer que te ia engravidar e mandou-me aqui.

Alice: A mim? Eu sou uma mulher pura e honrada. Eu não traio o meu Zé por nada! Afinal onde é que está esse badalhoco?

Carolina: Pois, aí é que está... Ele não veio, e como a inseminação artificial ainda não foi inventada, eu não sei como é que tu vais ter um filho dele. É que ainda por cima ele não tem uma figura terrena, nem nada... Deixa-me ligar-lhe num instante. Com licença.

(O anjo liga-lhe)

Carolina: ‘Tou! Olha, como é que a Maria vai engravidar? OK. Tá bem. Tá bem. Tchau! Beijinhos! Tchau! Tchau! Tchau!

Alice: E então?

Carolina: Bom, ele disse que vai mandar cá uma pomba.

Alice: Uma pomba? Como assim uma pomba?

Carolina: Pelo que eu percebi é uma pomba metafórica.

Alice: Eu já estou a começar a fervilhar! Então você aparece-me aqui em casa a dizer que eu vou ficar grávida de um tal de Deus, e ele nem aparece nem nada! Estamos a brincar, ou o quê?

(Toca o telefone do Anjo)

Carolina: ‘Tou sim! Olhe, desculpe, mas eu estou aqui ligeiramente ocup... ah, Sr. Deus, é você! Certo. Certo. OK, está bem, está bem! Pronto, muito obrigado. Com licença! Olhe, já está resolvido! Deus acabou de me dizer que já a engravidou! Completamente indolor, está a ver? Só uma particularidade: o miúdo tem que se chamar Jesus.

Alice: Hum! Não gosto muito desse nome... Não pode antes ser Emanuel?

Carolina: Não! A lei divina diz expressamente que o nome ou é Salvador, ou é Jesus.

Alice: Pode ser Jesus, então, que o meu Zé gosta muito de ver a bola!

(Corta para o Palácio do Herodes. Alice é o mensageiro e Carolina é Herodes)

Gui: Entretanto a notícia já havia chegado a Israel, porque Maria, beata que é, já tinha contado a toda a gente.

Alice: Meu rei. Já ouviu a boa... quer dizer, a má-nova? Diz que vai nascer, daqui por nove meses, um puto que vai ser rei de todos os Homens e que vai mandar mais que você!

Carolina: Como ousas dizer algo assim? Isto é um ultraje! Como assim vai mandar mais que eu?

Alice: Foi o que eu ouvi dizer!

Carolina: Liga ao pessoal da Agência Lusa a dizer que, em Dezembro, eu vou mandar matar todos os bebés que nascerem tanto aqui como na Nazaré! Já bem bastava o McNamara, que me roubou o protagonismo todo de Peniche para cima, quanto mais agora um puto que ia abafar o meu nome no resto do Mundo!

(Cena na casa da Maria e do Zé, que está a chegar do trabalho)

Carolina: Amor, cheguei! Adivinha: vi agora nas notícias que o Herodes vai mandar matar todos os bebés que nascerem em Dezembro nesta zona! Quando eu pensava que este gajo não podia ficar pior, sai-se com uma medida destas, pá! O que vale é que ainda são os bebés! Imagina que eram os velhinhos, coitadinhos...

Alice: Oh, não! O meu bebé vai nascer em dezembro! O que é que eu vou fazer agora?

Carolina: Como assim “o teu bebé”? Há alguma coisa que me queiras contar?

Alice: Bom... Olha, é assim, não fiques chateado, mas esteve cá um anjo há bocado, não é, e ele esteve-me... meio que... a pôr grávida de Deus...

Carolina: Pois, um anjo... Que rica prenda de anos! E já dura há muito tempo ou também não me queres dizer isso?

Alice: O quê? Eu juro que era um anjo e que estou grávida de Deus Nosso Senhor! A propósito, o puto vai-se chamar Jesus.

Carolina: Bom, sendo assim vou fazer uma breve referência a uma coisa que foi dita anteriormente neste especial de Natal e dizer que estou muito contente com o facto de ele se chamar Jesus, uma vez que eu sou bastante fã de Futebol, e acabar por te dar o meu voto de confiança: Vou-te dar o meu voto de confiança. Nesse caso temos que sair rápido daqui! Eu tenho um primo que tem quartos para arrendar em Belém. Se sairmos agora pode ser que cheguemos lá a horas! Já agora, gostei da escolha do nome! Tu sabes mesmo como fazer um homem feliz!

Alice: Belém? Tu sabes que eu odeio ir a Belém! Ainda por cima pela estrada nacional! Vamos antes meter pela autoestrada e vamos ter o puto a al-Khader!

Carolina: Lá estás tu outra vez! Vamos de burro que não custa tanto! Afinal, não fui eu que me meti nesta alhada, fui?!

Alice: Está bem! Vamos lá! Mas promete-me que não metes o burro nos buracos todos, como costumas fazer.

(Partem então para Belém)

Gui: José e Maria partem para Belém. Uma viagem intensa de 150 quilómetros. Nesta altura, vão a meio da viagem:

Alice: Ó Zé! Está-me a apetecer uma bifana.

Carolina: O quê? Tu estás maluca? Tu sabes que a gente não pode comer bifanas, que Deus não deixa!

Alice: Claro! És sempre tu que decides! Já agora, eu estou com pena do animalzito! A gente já andou sensivelmente 75km, e o burro vai aqui cansado... Porque é que não fizeste uma carroça para o animal? Não és carpinteiro?

Carolina: Não fiz uma carroça porque a menina teve a excelente ideia de andar a contar a toda a gente que estava grávida de um miúdo “especial” e tivemos que sair a correr! E já agora, quem devia estar chateado era eu, porque eu é que vou a pé, estou aqui de sandálias e estou com os pés cheios de bolhas!

Alice: Pronto, está bem! Faz o que quiseres...

(Chegada a Belém)

Gui: Era véspera de Natal! José e Maria acabavam de chegar a Belém. Ela estava prestes a dar à luz, e ele liga ao primo para confirmar a reserva.

Carolina: Estou primo. Já tens o quarto preparado?

Gui (Primo): Olha, quanto a isso, já não vai dar. Um casal de turistas ingleses reservou o hostel todo e eu tenho uma reputação a manter no Tripadvisor!

Carolina: Ei! A sério? Porra! Então e agora o que é que eu vou fazer? (desliga o telefone) Ó Maria, ele diz que está tudo reservado!

Alice: Não acredito! O que vamos fazer, então?

Carolina: Não sei...

Gui (Narrador): Após horas e horas de procura, acabam por encontrar um senhor agricultor que amavelmente lhes cede o seu celeiro de ovelhas e vacas.

Alice: Ó Zé, eu nem quis dizer ali ao pé do senhor, que até parecia mal, mas eu não quero parir num celeiro! Tu sabes perfeitamente que o único Celeiro de que eu gosto é o do shopping.

Carolina: Mas Maria, é a única opção que a gente tem. O que queres que eu faça?

Alice: Eu queria era que tu fosses um bom marido que me... AH!

Gui: Neste momento, as águas de Maria rebentam, e ela entra em trabalho de parto:

Carolina: Respira fundo! Vai tudo correr bem!

Alice: Para ti claro que vai! Não é de ti que está a sair um pequeno aliene!

Gui: O bebé cai no chão por entre as pernas de Maria. E eis que nasce o senhor, o salvador, o magnífico Jesus Cristo Super Estrela! José pega no miúdo, e de dentro dele sai uma luz que se ergue sobre a manjedoura e parte em direção à Pérsia.

Carolina: Que é que foi isto? Ninguém me avisou que o puto cagava foguetes!

Alice: Não sejas parvo! Não vês que era o Espírito Santo?

Carolina: Eu ver, não estou a ver nada...

Gui: Maria pega no bebé em braços e vão começando a chegar ao pé deles pastores vindos de todos os cantos da Palestina. Eles colocam Jesus, que tinha acabado de nascer mas já estava rijo, numa caminha de palha no meio do burro e da vaca.

Alice: Não é lindo? O filho de Deus a ser adorado por todos...

Carolina: Lindo sou eu, Maria. Isto é só esquisito, que eu já vi para aí cada um... Se fosse a ti, eu teria mais cuidado, e continuo a dizer que o puto escusava de estar aí deitado só com uma mantinha a tapar a pilinha! Eu não te disse para pararmos naquela Zippy em Sinjil? O bafo dos animaizitos não lhe pode fazer muito bem!

Alice: Está calado! Não me envergonhes aqui à frente desta gente toda!

Gui: Entretanto, na Pérsia, três Reis Astrónomos avistam nos céus a luz que havia saído de dentro de Jesus, e começam a segui-la. Encontram-se então numa Estação de Serviço, lá para os lados de Persépolis.

(Nesta cena, Alice é Gaspar e Carolina é Belchior)

Alice: Fogo! O que se passará com o Baltazar? Já entrou na casa de banho vai para meia hora!

Carolina: Não sei. Deixa-me ligar-lhe. Estou! Onde estás? A sério? Ora bolas!

Alice: O que foi?

Carolina: Diz que apanhou o camelo a comer-lhe a mirra, que o animal ficou elétrico, começou a correr desalmadamente e que já está em Ofra.

Alice: Em Ofra? Nunca mais o apanhamos! Ó Belchior, eu tive uma ideia.

Carolina: Diz, Gaspar.

Alice: Que achas de nós darmos meia volta e voltarmos para casa? Ele já está quase em Belém, e ainda por cima leva três prendas. Ligas-lhe a dizer que duas delas vão da nossa parte, e fica resolvido. Que achas?

Carolina: Eu acho bem. Eu também só lhe ia levar um bolo rei, mas de certeza que o puto não gosta de fruta cristalizada... Ainda ia ser a vaca que ia comer tudo.

Alice: E eu, feito estúpido, levava uma camisola! Nem me lembrei que a mãe dele tem posses! De certeza que preparou um enxoval do caraças!

Carolina: É! Vamos mas é embora!

Gui: E foi esta a verdadeira história do Natal! O Herodes lixou-se, porque Belém já não faz parte da jurisdição dos guardas dele, mas sim dos de Jerusalém; o Gaspar e o Belchior ficaram com os louros das prendas, ainda que não tenham sequer aparecido na manjedoura; o Jesus andou para aí feito comunista, até que os romanos se chatearam e o mandaram crucificar, que era isso que se fazia àqueles que comiam crianças, davam injeções aos velhos para os matar e roubavam as mulheres e as casas dos outros naquela altura; o José divorciou-se da Maria e agora vive com um alentejano em Marrocos; e a Maria agora é vegetariana e influencer das Redes Sociais, contando já com cerca de onze seguidores, que já seguiam o filho dela.

Vitória, Vitória, Acabou-se A História!

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A Barbearia Como Processo Evolutivo

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 25.11.23

As crianças são parvas, e se há coisa que me irrita, são aqueles pequenos joguinhos e coisas estúpidas que elas inventam. Um dos que mais me tirava do sério era o seguinte:

_Foste à tropa?

_Não.

_Tiveste medo?

_Se não fui à tropa, como é que haveria de ter medo?

(O primeiro bate as palmas à frente da cara do segundo e este pisca os olhos)

_Tiveste!

_Tive medo agora, ó animal, que me bateste uma palma à frente da vista! De que reacção é que estavas à espera? Fod...

Sejam muito bem-vindos a mais uma das magníficas crónicas que vos são servidas ao Sábado à tarde... vá, pronto, ao final do dia... vá, ao início de Domingo... quando são servidas... Bom, deixem-se de ser picuinhas! Esta semana, o tema que trago para a mesa são os Barbeiros! Pode-se pensar que não há muito para dizer acerca destes profissionais da Escultura Capilar, mas a verdade é que este é um tema absolutamente fascinante! Começamos logo pela questão de como terão surgido os barbeiros. A minha teoria é a de que o ser-humano primitivo se terá apercebido de duas situações: primeiro, que aquela coisa do pêlo só atrapalha e é extremamente incómoda; segundo, que é um desprimor para uma espécie tão evoluída andar para aí trajada feita símio! De maneiras que delegamos a certas pessoas a tarefa de nos livrar desses tais pêlos bárbaros. Ao longo do tempo, estes profissionais foram evoluindo, abandonando aquela ideia de que eram apenas exterminadores de pilosidade capilar. Como é óbvio, em tudo há dissidentes e, neste caso, os reaccionários da indústria do corte capilar são chamados de “Cabeleireiros”. Os cabeleireiros são, de uma forma geral, uma versão alegadamente mais sofisticada do barbeiro, no entanto são apenas menos práticos e mais morosos. Por exemplo, a minha mãe foi ao cabeleireiro para fazer nuances em Abril e até hoje ainda não voltou! Ligou-me a meio de Setembro a dizer para meter uma panela de sopa ao lume, que ela era capaz de não demorar muito, mas nem sinal dela! Agora, chamo a atenção a um pormenor: eu sempre julguei que as únicas nuances que existiam nos cabeleireiros eram aquelas entre diferentes versões dos mexericos. Afinal, também é uma técnica de coloração de cabelos, que consiste no realce de uma certa tonalidade, no sentido de obter a luminosidade desejada para estes. Não serão procedimentos muito especifiquinhos? Desde permanentes, a madeixas, a "babylisses", a tratamentos à base de queratina, a "peelings", a extensões, os cabeleiros femininos oferecem-nos um vastíssimo leque de opções para deixar poderoso o cabelo das mulheres poderosas! Já nos salões masculinos, entre barba e cabelo, o que nos é apresentado é um catálogo de uma folha, apenas com a página da frente meia escrita, mas que nos diz tudo aquilo que precisamos de saber: o preço! Porque, a bem dizer, - e ao contrário dos cabeleireiros femininos - a única coisa relacionada com cuidado capilar que se ouve num barbeiro é "É para cortar? É, sim senhor!", e está! Não há cá mais conversas para ninguém! E um gajo nem está preocupado com o estilo do penteado! O barbeiro vai a olho e lá consegue tirar dali uma coisa mais ou menos jeitosinha. "Vou-lhe aparar aqui, cortar ali, uniformizar a situação, e o camandro.", e a gente diz que sim, porque, a bem dizer, não está muito preocupada com isso. A maior parte dos homens, creio, ainda encara o barbeiro um bocado como o ser-humano primitivo: é um senhor a quem pagamos para nos tirar daqui o pêlo que está a mais! E eu acho que está muito bem assim! Também por isso é que os valores dos cortes de mulher são completamente absurdos, quando comparados com os dos homens. Porque elas se preocupam mesmo, e querem parecer bem, logo não se importam de pagar preços (bastante) mais elevados por um serviço bem feito! E não quero com isto dizer que os cortes masculinos não podem ser classificados como "serviços bem feitos", mas a verdade é que 95% das pessoas que andam na rua com cortes ridículos são portadoras de um pénis...

Outra diferença entre os cabeleireiros e os barbeiros está na escolha das publicações e magazines que são fornecidos aos clientes quando nos sofázinhos de espera. Nos cabeleireiros, o que encontramos são revistas cor-de-rosa, ao nível de uma Maria, uma Nova Gente ou uma TV 7 Dias, mas nunca edições posteriores a 2009. As "notícias" mais recentes que lá figuram são, por exemplo, a nova colaboração entre os Per7ume e o Rui Veloso, o silicone da Luciana Abreu, a morte da Princesa Diana ou, em casos mais extremos, o Processo dos Távoras... Nos barbeiros, são-nos apresentados catálogos de capa dura dos anos 90, com gigantescas imagens de cortes masculinos pobremente impressas em folhas daquele papel meio plástico, em que as páginas até já estão todas amareladas e pegadas umas às outras, porque ninguém folheia aquilo há 25 anos! A nível de entretenimento, a indústria dos cabelos deixa um bocado a desejar, a verdade é essa.

Não podia terminar esta minha crónica sem deixar uma palavra de gratidão ao meu barbeiro de sempre. Porque há, entre os homens, uma ideia muito forte de fieldade ao seu barbeiro. O rumo da nossa vida pode mudar drasticamente, mas o nosso barbeiro será sempre o nosso barbeiro. Como se costuma dizer, “Bom homem ao seu barbeiro de sempre volta”! E, como tal, gostaria de deixar o meu abraço ao Tó-Zé, auto-intitulado “Escultor Capilar”, pelo serviço que me presta de há já muitos anos a esta parte! Um dia destes, passo aí no “Salão Jovem” para fazer um cortezinho! Aos restantes, o obrigado por estarem desse lado, e até para a semana!

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Trabalhos de Casa #16: "A bruxa Mimi"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 04.11.23

Este texto tinha sido pensado para a crónica da semana passada, de 28 de Outubro, mas na impossibilidade de a ter conseguido concluir, fica para hoje, daí haver certas referências a situações futuras que, de momento, são passadas. Era só isto que tinha para vos dizer: Hallo, pessoas! Como têm passado, nesta última semana? Bom, não interessa... Vamos a isto! Com o Halloween à porta, senti que faria algum sentido apresentar-vos um “Trabalhos de Casa” especial de dia das Bruxas. E que texto melhor do que um, exactamente, sobre uma bruxa? E é isso que tenho para vocês! Do dia 30 de Outubro de 2015, novamente fazendo parte da rubrica “Onde me leva a imaginação”, a composição “A bruxa Mimi”:

Era dia 30 de outubro e a bruxa Mimi estava a decorar a casa. Ela precisou de ajuda e fez uma magia:

_ Varinha minha, ajuda-me na decoração desta enorme mansão.

E num ressalto, a mansão ficou toda bonita. Já de noite, a Mimi foi deitar-se. As bruxas más, como não gostavam da Mimi, puseram mãos à obra e destruiram as decorações todas.

A Mimi acordou às 7h da manhã para ir fazer a comida, e viu que as decorações estavam todas rasgadas e partidas. Ela teve uma ideia: ir consultar a bola de cristal e perguntou-lhe:

_ Quem destruiu as minhas decorações?

Na bola apareceu a imagem das bruxas más. A Mimi pensou num plano. Ela fez um bolo com a pior coisa para as bruxas más: a bondade. Deixou o bolo na mesa e esperou.

Elas chegaram e a mais velha esmagou o bolo com um martelo. Mas, subitamente, a bondade espalhou-se e ficaram todas boas.

 

Aquilo que nos é contado é a história de Mimi, uma bruxa boa e amante do Halloween, a demanda por decorar a sua enorme mansão para esta data e as bruxas más, que se dão ao trabalho de arruinar o seu trabalho. Uma das coisas que me deixam algo confuso é o facto de a Mimi conseguir decorar a casa toda apenas com um estalar de dedos, fazendo uma magia ou o que é, mas de as bruxas más terem mesmo que pôr “as mãos à obra” para destruir a casa. Quer isto, portanto, dizer, que a Mimi é muito mais poderosa do que as outras bruxas. Nesse caso, e a ser verdade, havia mesmo necessidade de andar a perder tempo a fazer um bolo com “bondade”, quando podia perfeitamente tê-las parado apenas com um abracadabra? Porque essa é outra! Como é que se faz um bolo com uma característica humana? “Hum, este bolo está mesmo bom! O que é que leva? Altruísmo? Lealdade?”. Não é assim que funciona! Por esta ordem de ideias, os bolos que saem mal feitos devem ser aqueles com demasiados defeitos à mistura! Às tantas, o problema de os bolos baixarem não é da falta ou excesso de fermento: é do Pessimismo! Porque agora, por acaso, gostava de saber onde é que se podem comprar estas virtudes! Será que existe algum género de “Adjectivaria” onde se vendem destas características a granel, tipo charcutaria? São as questões que ficam e às quais ninguém tem a coragem de responder! Quem é que está por trás da candonga das qualidades? De certeza que isto são coisas que não se quer que se saibam, não é, Sr. Jerónimo Martins? Onde é que se posiciona o Pingo Doce no meio desta problemática toda, hein? O que é que levava aquele bolo que foi entregue na sua casa na última Quarta-Feira, por volta das 18:37? Bom, cala-te boca, que da maneira como andam os ânimos exaltados, qualquer dia matam-me à esquina de uma rua!

Mudando bruscamente de tópico, mas não abandonando o tema, vou fazer, porque me apetece, um “throwback” (que é como quem diz “recordar uma situação que já sucedeu”) até à crónica “Terror de Perdição”, do dia 29 de Outubro de 2022, para lhe acrescentar um pormenor. Se estão recordados, nessa crónica falou-se de filmes de terror e eu, em jeito de exemplo, referi o nome de várias sagas, entre elas a dos “Jogos Mortais”. Ora, na realidade, a categoria em que estes se inserem é, não a de “terror”, mas sim a de “horror”. E qual é a diferença entre estas duas? Em termos bastante simples, o terror apela àquilo que é o medo, e o horror mais àquilo que é o nojo, propriamente dito. E pronto, era só esta errata que eu tinha a apontar. Por hoje, vamos ficando por aqui. Obrigado por terem estado desse lado. Até para a semana!

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Questões do baixo ventre (mas sem escatologia)

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 21.10.23

Furo jornalístico: em Lamego, camionista da Transportes Paulo Duarte é despedido com dois socos na barriga e um estalo no ouvido do patrão. No mesmo cenário, para evitar que o homem se defendesse, estava um mecânico com um pau. Creio que não preciso de dizer mais nada... O que é que ele fez? Coitado do homem, pá!

Olá, olá! Mais uma semanita que se passou, hein? Pois, também foi o que me pareceu... Antes de começar, tenho apenas que me desculpar por causa de uma situação: o simpósio de hoje estava pensado para ser à volta do tópico “A Física Quântica e a Espiritualidade”, que creio ser do interesse da generalidade do meu público. No entanto, como sou um completo leigo em ambas as matérias e o senhor que eu tinha escalado para fazer o comentário recusou o convite, irei abordar, em contrapartida, a temática “Roupa Interior: sua utilidade, seu manuseio e suas implicações no âmbito socio-cultural”. Capítulo desta edição: baixo ventre e arredores. Acreditem que também tem o seu interesse. Feita esta pequena adenda, creio que podemos prosseguir com a nossa crónica!

  • O primeiro ponto que eu gostava de abordar é a eterna dicotomia entre cuecas e boxers. Há apologistas da cueca, há apologistas do truço. Creio que ambas as visões estão correctas, tirando, talvez, o facto de que apenas uma delas está, no caso a minha: que eu não sou particularmente apreciador de cuecas. Isto porquê? Porque se, normalmente, todo e qualquer par de boxers que eu use gosta de dar uma de Júlio Verne e desatar numa "Viagem ao Centro de Mim", então as cuecas investem nesta coisa de se enfiar em certos regos com a pujança de uma Armada Espanhola na América Latina! É impossível andar um dia inteiro de cuecas sem fazer aquilo a que os japoneses gostam de chamar... algo de que não me lembro (eu tenho a certeza de já ter ouvido falar deste termo, mas na pesquisa não cheguei a nenhuma conclusão satisfatória, de maneiras que pronto...), ou seja, retirar as cuecas – vamos lá ver – do cu, que é mesmo assim! Não sei ainda bem por que comportamento das nádegas, mas o certo é que todo e qualquer par de “calcinhas”, como dizem os nossos irmãos Brasileiros, acabam, invariavelmente, por ir dizer olá ao nosso recto. Como se costuma dizer, há três coisas certas na vida: a morte, os impostos e cuecas a enfiarem-se em regos. Temos é que aprender a viver com isso;
  • O segundo (e último, porque eu não tenho assim tanto a dizer acerca disto) ponto de que vos venho falar é, de uma forma geral, o chamado “modo commando”. Andar em “modo commando” é, simplesmente, andar sem roupa interior. E eu, enquanto especialista na matéria, devo dizer que sou 100% a favor destas práticas, principalmente para dormir! “Ah e tal, mas isso não é pouco higiénico?”. Vamos lá ver uma coisa: é certo que se fala muito dos benefícios de dormir com roupa-interior, e até acredito que possa ser melhor para a nossa saúde, mas a sensação libertadora de dormir com certos e determinados apêndices soltos ao sabor do vento, justifica toda e qualquer infecção urinária que se apanhe! Quanto às senhoras, não sei! Tenho pena que vocês não possuam um órgão reproductor masculino que possam libertar das amarras do opressor boxer. Mas, também, se tivessem, deixava de ser especial. É bom saber que faço parte dos cerca de 50% de população mundial que pode, e citando Delfins, “soltar os prisioneiros”! Somos uns felizardos, a verdade é essa! Por falar em pénis (sei que esta é uma transição estranha, mas já vão perceber), há uma situação em que o “modo commando” não é muito aconselhado, que é quando estamos a experimentar calças de ganga (ou, pelo menos, calças com fecho éclair). Logicamente, para verificar se as calças nos servem ou não, temos que fechar o zipper. Ao fazê-lo, muitas vezes – e falo por experiência própria – acabamos por trilhar certas e determinadas situações nos dentes dos trilhos por onde corre o cursor do fecho éclair. E não é uma dor agradável, isso vos garanto! É quase uma auto-circuncisão, aquilo a que somos sujeitos. Crianças, não tentem isto em casa! Adultos, façam o que vos apetecer!

E pronto, assim se encerra mais uma destas magníficas crónicas! Na próxima, espero ver-vos no mesmo sítio (“Big Brother is always watching you”)! Até para a semana!

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Amor, Púbere Amor

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 14.10.23

A nível de músicas que acabam com referências a necessidades fisiológicas, a minha favorita é, sem qualquer dúvida, o super-êxito "She", do Charles Aznavour, que encerra com "She, she"!

Hallo, Leute meines Herzens! Tudo bem? Como foi a vossa semana? Espero que tenha correspondido às vossas expectativas, ao contrário da minha, que me trouxe um mindinho do pé que (em princípio) estará partido... Bom, mas isso já são pormenores extremamente irrelevantes para vós, que eu sei perfeitamente que a minha saúde não vos interessa. E ainda me ando eu a preocupar convosco, sinceramente...

Esta semana, aquilo que eu proponho é a actividade altamente prazerosa de cascar nos adolescentes, nas suas práticas e em tudo o que eles representam! Porque eu - ainda que sendo, em termos legais, um adolescente – detesto essa gente! É uma faixa etária de pessoas vazias, medíocres, incultas e ignorantes, brutas (na sua forma de ser), completamente desinteressadas no que quer que seja, com gostos muito questionáveis e, de uma forma geral, despreocupadas com a vida, ela própria. É óbvio que isto não se aplica a todos os adolescentes que existem, mas a carapuça servirá, estou confiante, à grande maior parte deles (e recorro aqui a um pleonasmo para reforçar a ideia de que é MESMO a maior parte)! Dito isto, comecemos então a malhação nestes jovens adultos e adultos-criança. Talvez faça sentido chamar a esta "a 1ª Edição" deste auto-de-fé adolescente, porque há aqui muito suminho e muita coisa que me irrita, e numa crónica só não consigo abordar todos os temas. Portanto, nesta 1ª edição, vamos falar de namoros adolescentes!

Os namoros adolescentes são, estou convencido, das coisas mais ridículas que há. Acho estranho como pessoas que ainda mal se descobriram a elas próprias conseguem "dar amor" a quem quer que seja. Porque, sejamos francos, namoros adolescentes são como o Titanic: ao primeiro iceberg, vai tudo por água abaixo! Como o cocó. O cocó também costuma ir por água abaixo. Desta feita, conclui-se que namoros adolescentes são cocó! Agora, vocês poderiam alegar que "Ah e tal, que tu também namoras!". Antes de mais, acho que vocês deviam parar com essa mania de começar frases com interjeições. Irrita um bocadinho. Depois, eu namoro, está bem, mas é diferente, primeiro, porque eu estou num plano superior, relactivamente aos adolescentes. Eu vejo-os de cima, de um plano mais reflexivo, quase que de semi-Deus (se bem que Deus não existe, mas pronto...), por isso não conto como adolescente; segundo, porque o avaliador das situações, o grande pensador, o filósofo das miudezas do quotidiano, não pode entrar para as estatísticas; e terceiro, porque eu não sou exemplo para ninguém! Como diria o meu pai, "Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço", e ponto final, parágrafo!

Uma das coisas que os casais adolescentes (principalmente as meninas) fazem, e que me irrita profundamente, é colocar fotografias dos dois ou apenas do namorado entre a parte de trás e a capa do telemóvel! E quando falo de fotos, refiro-me às mais pirosas que existem: aquela espécie de polaroids que se tiram com as Instax que agora toda a gente tem! Uh, que as fotografias saem instantaneamente e com um tamanho apropriado para colocar onde bem nos apetecer! Está bem, mas isso não quer dizer que tenhas que andar com uma foto do Nelson, que tira negativas a Geografia, mas que já conseguiu beber 12 shots de absinto de uma vez e ficar de pé, na capa do teu iPhone 11 Pro Max recondicionado! Ninguém quer ver esse gajo, com o seu degradêzinho no cabelo e o acne a atacar na testa, de cada vez que tu pegas no telemóvel! É só estúpido, mesmo! E novamente, aleguem que a minha namorada também anda com uma foto minha. Está bem, digam o que quiserem, mas como sou eu, e eu estou, lá está, num plano superior, não conta!

Outra questão que me chateia é uma coisa que os jovens casalitos fazem nas redes sociais, designadamente a nível dos stories do Instagram. O que é que sucede? De cada vez que fazem um mêsversário de namoro, colocam uma história daquelas mesmo minimalistas, como tanto gostam, a anunciar que concluem, por exemplo "0.4 anos de namoro". O problema é que, quando vamos a investigar, eles estão a concluir apenas o quarto mês de namoro! Ora, qual é o erro aqui? Eles estão a levar a cabo a contagem como se fosse uma escala decimal quando, na realidade, um ano tem doze meses, logo não vai bater certo. Porque, na óptica deles, o número 1 corresponde, lá está, a um ano de namoro, mas fazendo as contas como estão a fazer, um ano irá corresponder a 1,2! Para isto fazer algum sentido, eles teriam que considerar que um mês equivalia, mais coisa, menos coisa, a 0,083. Mas pronto, isso já são muitas contas para eles fazerem... Deixemo-los viver na ilusão porque, com jeito, não vão ter que se preocupar com isso, porque, em princípio, não irão sequer chegar a um ano de namoro... Até para a semana!

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Trabalhos de Casa #15: "O Sol e a Chuva"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 07.10.23

Muito bom dia, gente linda, gente boa do meu coração! Cá estamos, mais uma vez, em mais uma semana de crónicas daquelas mesmo boas. Pfff... Quem é que eu quero enganar? Não, isto não é a “Coisa Que Não Edifica Nem Destrói” do Ricardo Araújo Pereira! É a Psique de Guilherme... Na realidade, trata-se do episódio de estreia da segunda temporada da rubrica favorita da Psique: os “Trabalhos de Casa”! Uh! Espectacular! Não é espectacular... É medianozinho, vá! É só muito mais ou menos, mais p’ra mal do que p’ra bem! É um pequeno pólo de entretenimento no meio deste imenso oceano que é a Internet, é certo, mas isso também os vídeos de adolescentes a comer cápsulas de detergente Finish no TikTok! O público, decerto, não será o mesmo, mas acaba por cair um bocado na mesma categoria! Dito isto, vamos começar esta pândega! Entrego-vos, nesta volta dos Trabalhos de Casa, o texto que escrevi no dia não-sei-quantos de Fevereiro de 2016, no âmbito da já tão conhecida série “Onde me leva a imaginação”, “O Sol e a Chuva”:

Era uma vez o Sol que tinha uma amiga Nuvem. Um dia eles estavam a descansar quando apareceu o filho da Nuvem a chover e triste. O Sol perguntou:

_ O que se passa pequenote?_ Mas ele não respondeu. O Sol voltou a perguntar:

_ O que se passa pequenote?_ Mas ele não respondeu novamente. Desta vez o Sol perguntou à Chuva o que se passava. Ela respondeu:

_ É que o rapaz nasceu ontem e ainda não tinha chovido. Como hoje ele ficou cheio de água, assustou-se e começou a chover. Eu posso ser testemunha disso!

_ Obrigado por me esclareceres. Queres ser minha amiga?_ disse o Sol. A chuva respondeu:

_ É claro que quero ser tua amiga. Vamo-nos divertir à grande.

E juntos viveram felizes para sempre.

Trata-se de uma pequena e encantadorazinha fábula, se ignorarmos o facto de que os personagens principais não são animais, mas sim corpos celestes, partículas de água no estado gasoso em suspensão na atmosfera e a própria da precipitação. Logo por aqui, a situação é estranhíssima. Isto porquê? Primeiro, porque as nuvens e o Sol se encontram a, aproximadamente, 149.599.996 quilómetros de distância, portanto, e considerando que eles teriam a capacidade de se comunicar, nem com os melhores altifalantes do Universo se conseguiriam falar. Segundo, porque uma relação entre o Sol e uma Nuvem seria altamente tóxica para a Nuvem: a temperatura no Sol é de 5499ºC. Ora, neste ponto, e em termos científicos, o vapor de água sofreria um processo denominado ionização, em que os eletrões se separam dos átomos, o que a faria comportar-se como um plasma (e não, não me estou a referir a televisões de alta-definição!). Desta forma, não seria sequer possível a existência de nuvens perto do Sol, o que tornaria difícil uma amizade entre eles!

Outra questão que me inquietou foi o facto de o suposto filho da Nuvem estar a chorar porque se assustou com a chuva, visto ter nascido na véspera daquele episódio. Quer isto dizer que a Nuvenzinha era, na realidade, um recém-nascido, mas que a sua mãe, Sra. Dona Nuvem, já estava a descansar com o Sol, longe do filho. Não sei se sabe, Sra. Dona Nuvem, mas está previsto, no artigo 138º do Código Penal Português, que o abandono de menor com menos de 12 anos é um crime punível com até 5 anos de cadeia! Mas suponho que isso não deve existir, aí na atmosfera. Dá-me impressão que o que prevalece é a “Lei da Selva”! Parece que não valeu de nada, ter-se andado a perder tempo, naquele 20 de Novembro de 1959!...

Por fim, quero demonstrar o meu apreço por uma das personagens da rábula: a Chuva. No meio daquilo tudo, foi a única que satisfez a curiosidade do Sol, tendo tido a decência de lhe responder. Eu sempre gostei de chuva! Para mim, dias de chuva são dias de esperança. São dias de calmaria, porque ninguém gosta de andar à chuva. São dias de reflexão, porque o som da chuva batendo na janela e o aroma a terra molhada acabam por ser terapêuticos. São dias em que a mãe Natureza nos faz ter consciência da nossa pequenez, quando inunda a baixa Lisboeta, por exemplo, e destrói tudo aquilo que nós perdemos tempo a construir. São dias em que eu me revejo, porque o clima incerto e tempestuoso funciona como um anestésico para o temporal que me vai dentro do peito. De uma forma bastante metafórica, mas ao mesmo tempo bastante literal, os dias de chuva servem para nos lavar a mente e a alma. E a eles estou eternamente grato! Já ao filho da mãe do vento, que nunca fez nada por ninguém, eu só desejo mal! Porque esse bandalho, para além de ser incómodo, ainda destrói os guarda-chuvas dos incautos cidadãos que, como eu, só desejam apreciar os seus dias de chuva! Mas isto é tema para outra crónica! Por ora, me despeço com amizade, e até para a semana!

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Sacros Relatos Balneares

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 30.09.23

(A acção passa-se num estúdio de televisão. Estão em cena o apresentador e o entrevistado, um velho senhor.)

 Apresentador – Boa noite! Bem-vindos a mais um “Relatos da Vida do Nosso País”. Hoje, temos connosco o senhor João Ezequiel, que nos vai relatar alguns eventos da sua vida. Não é verdade, Sr. Ezequiel?

Ezequiel – É verdade, sim senhor!

Apresentador – Pode-nos contar uma situação, então?

Ezequiel – Com todo o gosto! Ora bem: eu vivi muitos anos no Porto, num convento de freiras, que eu sou consagrado. Uma vez, um padre, que por acaso era um grande amigo meu – bom homem, porte atlético, cerca de 1,85m, mais coisa, menos coisa – vira-se para mim e diz-me: “Ezequiel, vamos à praia.”. E eu viro-me para ele e digo “Vamos, sim senhor, Sr. Padre!”. E fomos. Estávamos os dois na praia quando passa um grupo de garotas, e diz-me assim o Sr. Padre: “Ó Ezequiel, olha que moças tão boas!”. E eu viro-me para o Sr. Padre e respondo-lhe: “São boas, mas não são para nós.”. E qual não é o meu espanto quando o Sr. Padre se vira para mim e, com um olhar feroz me começa a destratar de todas as formas e feitios! Filho desta, filho daquela. Disse-me coisas sobre a minha mãezinha que eu até depois vim a saber que nem eram verdade, nem correspondiam com a realidade da veracidade dos factos! Veja lá a situação!

Apresentador – Realmente, uma situação complicada. Tem mais histórias para nos contar?

Ezequiel – Tenho, sim senhor. Ora, depois daquela situação eu pensei: bom, isto não pode ser assim! Eu aqui não estou bem! E fui viver para os lados de Coimbra, para um convento de freiras – que eu sou consagrado, não sei se já tinha dito. Certo dia, estava eu a podar uns arbustos que havia à frente do convento, e vem um padre, que por acaso era muito meu amigo – costumávamos dormir na mesma cama, por vezes, até – e diz-me assim: “Ezequiel, vamos à praia.”. Eu olho para ele de cima a baixo, que até me arregalei, e respondo-lhe: “Vamos, sim senhor, Sr. Padre.”. E lá fomos os dois. Estávamos na praia e passa por nós um grupo de seis ou sete jovens surfistas, e vira-se para mim o padre e diz-me: “Olha que jovens surfistas tão bons!”. Eu ouço isto e digo-lhe: “É verdade que são bons, Sr. Padre, esse mérito ninguém lhes tira, mas não são para nós!”. O certo é que isto deixou o padre chateadíssimo, e começou-me a tratar mal, mas mal! Mandou-me para sítios que eu, inclusive, desconhecia a existência, e que entretanto já me tentei inteirar de qual é a melhor forma de ir para lá, e até agora muita gente reforçou a ideia que eu devia para lá ir, mas a verdade é que ainda ninguém me soube dar nenhuma indicação clara. Essa é que é essa!

Apresentador – Pois... E há mais alguma passagem que gostasse de nos contar?

Ezequiel – Há, sim senhor! Depois da situação imediatamente anterior, eu pensei de mim para comigo: “Bom, tenho que mudar de ares, que isto assim não pode ser!”, e emigrei para a Alemanha. Alojei-me num convento de freiras – que eu sou consagrado – e estava tudo a correr muito bem. Determinado dia, estava eu na sanita a fazer o que mais ninguém pode fazer por nós, e entra um padre, que era um grande amigo do coração – e inclusive, campeão regional de fisiculturismo, que aquilo tinha um glúteo de dar inveja a qualquer um – e diz-me: “Ezequiel, vamos à praia.”. Eu olho-o bem fundo nos olhos dele e digo-lhe assim: “Vamos, sim senhor, Sr. Padre. Deixe-me só acabar de limpar o cu.”. Creio que foi assim que eu disse. E lá fomos à praia. A dada altura, passa por nós um bando de gaivotas, e o padre sai-se com esta: “Ezequiel, olha que gaivotas tão boas!”. E eu recebo isto com algum espanto, que nunca tinha ouvido um padre com aquele tipo de conversas, e respondo-lhe: “São boas, devo dizê-lo, mas não são para nós!”. O padre olha para mim horrorizado, como se eu lhe tivesse chamado corno ao pai ou vaca à mãe, e começa a chamar-me de cada coisa, que eu até fiquei parvo a olhar para aquilo! E ainda por cima em Alemão, que é uma língua em que tudo fica a parecer mais agressivo, inclusive o “Ich liebe dich”!

Apresentador – São histórias intensas, lá isso são. Estamos quase a terminar. Tem mais alguma que nos possa contar, para fecharmos?

Ezequiel – Tenho mais uma, tenho. Posso?

Apresentador – Pode.

Ezequiel - Pronto. Alguns anos depois de ter emigrado, cansei-me daquilo, e voltei para Portugal. Quando voltei, fui viver para um convento de freiras, lá para os lados de Sesimbra – que eu sou consagrado, não sei se o senhor sabe. Uma ocasião, eu estav... não, minto... (hesita uns segundos) não, exacto... eu estava, e veio um padre, que era muito meu amigo. Dávamo-nos muito bem, costumávamos jogar às escondidas todos nus, pelo convento; volta e meia ele lá me fazia um exame à próstata, que ele dizia que sabia (e sabia, deixe-me que lhe diga!), tudo muito bem! Veio o senhor padre e disse-me: “Ezequiel, vamos à praia.”. Tentado por este convite, eu vi-me quase obrigado a dizer: “Vamos, sim senhor, Sr. Padre.”. E fomos. Passado um bocadinho de lá termos estado, passa à nossa frente um grupo de crianças do grupo coral da paróquia, e diz-me assim o Sr. Padre: “Olha que crianças tão boas!”. E eu viro-me para ele, espantado, e respondo-lhe: “É verdade, Sr. Padre!”.

Apresentador – É só isso?

Ezequiel – É. Que mais queria o senhor que fosse?

Apresentador – Nada, nada. Foi o nosso programa de hoje. Obrigado por terem estado connosco! Até para a semana!

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Beberrão Umbilical

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 23.09.23

Esta crónica é dedicada ao Avô Quinel.

 

Uma pessoa de esquerda que trabalhe numa fábrica de enlatados é, ainda assim, uma conservadora...

Estou de volta! Depois de um longo período de descanso, introspecção e dedicação à família, eis-me aqui, de volta à escrita das habituais (e tão queridas) crónicas de Sábado. Não vos vou mentir, estava até com algumas saudades! A escrever este texto, ia soltando uma lagrimita ou outra. Mas isto passa! É pá, já não fazia isto há mesmo muito tempo, hein? Estou a precisar de desenferrujar as juntas cerebrais da parvoíce. E qual seria a melhor forma de realizar esse feito, se não discutindo assuntos extremamente irrelevantes, sempre com a grande dose de mesquinhice que já me é característica? Eu digo-vos: WD-40, que resolve todo o tipo de problemas relacionados com a lubrificação de situações. Chega a ser milagroso! Mas hoje, vou optar pela primeira opção. Não é tão eficaz, mas desenrasca. Dito isto, que assunto extremamente liliputiano é que trago hoje à discussão? Boa questão! É a produção de bolhinhas de cuspo por parte dos bebés. Acreditem em mim, tem mais que se lhe diga do que aquilo que aparenta!

Este fenómeno, que eu pude contemplar por diversas vezes durante as férias que tirei (tanto que cheguei a ser presente a julgamento, depois da queixa de uma mãe porque, supostamente “não se pode fotografar bebés de outras pessoas com câmara de longo alcance”), tende a passar um pouco despercebido à maior parte das pessoas. Mas eu, por ser extremamente observador das pequenas particularidades da vida e do Mundo que me rodeia (sou como que um Cesário Verde da contemporaneidade), consegui recolher dados preciosos para esta pesquisa. No fundo, isto consiste, como o próprio nome indica, na produção de bolhinhas de saliva na boquinha semicerrada das crias de ser-humano. Até aqui, tudo muito bem! No entanto, as coisas que mais me fascinam nesta sua actividade são a concentração e o empenho que os bebés colocam nela, e a qualidade e quantidade de bolhinhas que eles produzem! Porque eu, por exemplo, consigo produzir uma, duas bolhinhas, máximo três. Agora, os bebés têm capacidade de as produzir às dezenas de uma só vezada! Eu cheguei a ver bebés (e isto contei eu!) com 16 bolhinhas entre os lábios! Isto não é para meninos... aliás, isto É para meninos, que é diferente! Para mim, o “Bolhinhismo Profissional” deveria ser oficializado como uma modalidade olímpica e figurar nos próximos “Jogos Olímpicos da Juventude”, que se vão realizar, no próximo ano, na belíssima província de Gangwon, na Coreia do Sul!

Pelo meio destas minhas observações de menores de idade, acabei por dar de caras com um senhor que estava alcoolizado. Houve logo um pormenor muito interessante que me saltou à vista: o senhor estava a produzir, numa das suas narinas, aquilo que eu descreveria como uma imponente bolhinha de secreção mucosa, no que eu pensei “Ora, se os bebés produzem bolhinhas e os bêbados também, então bebés e bêbados são uma e a mesma coisa”. Neste momento, acredito que estarão a pensar: “Ah, e tal, estás aí a cometer uma gravíssima ‘Falácia da Falsa Analogia’, pá!”. Ao que eu respondo: “Parabéns pelo aprofundado conhecimento acerca do programa de Filosofia do 10.º Ano, mas vocês ainda não ouviram o que eu tenho para dizer, portanto estejam caladinhos!”. E porque é que eu responderia isto? Primeiro, porque vos valorizo a vocês e às vossas conquistas. Segundo, porque tenho provas que me permitem argumentar a favor da minha tese!

Se pensarmos bem, os bebés e os alcoólatras têm imensas coisas em comum. Por exemplo, uma das coisas que os bebés fazem bastante (e que, por sinal, eu não compreendo) é chorar por tudo e por nada. Os bêbados, por causa da influência que o álcool exerce na nossa actividade cerebral, muitas vezes, também o fazem, ou porque se lembram de mágoas antigas, ou porque ficam extremamente emocionais, entre outras razões. Querem mais provas? Os bebés, por exemplo, urinam-se muito pelas pernas abaixo. Os bêbados... também! Mais provas ainda? Pensem comigo: a generalidade dos bebés é, para todos os efeitos, desdentada. Certos bêbados, os mais profissionais, também o são, porque a acidez do álcool corrói aquilo que é o esmalte protector da cremalheira! Portanto, creio que provei o meu ponto. Com todo o respeito, embrulhem, que é take-away! Só há uma situação que me irrita de forma visceral, que é o facto de os bebés, quando crescem, negarem taxativamente o facto de terem sido alcoólicos. São negacionistas da sua própria existência!

No entanto, a propósito disto, surgiu um novo problema. Como eu já havia postulado aos 24 de Setembro do ano transacto, em “Canis Sapiens Sapiens”, cães e bebés é que eram uma e a mesma coisa. Isto gera um problema, porque, desta forma, os bebés passariam a ser, ao mesmo tempo, a mesma coisa que os cães e que os bêbados. Portanto, anuncio aqui publicamente a revisão da minha primeira teoria, e alteração dos seus termos para “Bebés são precisamente a mesma coisa que os ébrios canídeos”. Até para a semana!

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Breve introdução ao estudo do "Festival Comunitário" (Especial 1 Ano)

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 11.07.23

Sei que não é normal eu estar a dar sinais de vida a uma Terça-Feira, mas a verdade é que a ocasião é especial. Porque faz hoje exactamente um ano que eu escrevi a primeira crónica d’A Psique de Guilherme. Muitos parabéns!

É verdade, foi no dia 11 de Julho de 2022 que eu, após uma noite de insónia, tive a excelente ideia de criar um blogue e começar a escrever textos semanalmente. Portanto, foi uma ideia vinda de alguém que não tinha pregado olho na noite anterior. Acho que isso explica muita coisa!... No sentido de celebrar esta efeméride, hoje trago-vos uma crónica, a terceira que escrevi, no dia 24 de Julho, com o sugestivo nome “Breve introdução ao estudo do "Festival Comunitário"”. Sobre o que ela versa, já ides descobrir. Agora, porque escolhi eu este texto? Por três ordens de razões: primeiro, porque estamos novamente na época das festas em honra disto e daquilo que acontecem nas aldeias, um pouco por todo o país; segundo, porque gosto muito deste texto e acho que ele merece uma versão videográfica; e terceiro, porque a minha mãe me anda a chatear desde o ano passado para “fazer um vídeo com esta crónica”. De maneiras que aí vai. Retirado do baú, eis um dos “Clássicos da Psique”:

Verão: Portugal está, de uma forma generalizada e alarmante, a arder. No entanto, romarias e festas populares estão a acontecer, e a atenção do povo direcciona-se para elas. Este fim-de-semana, por exemplo, estive na festa de Sande. E para mim foi um deleite ir ver o povo à praça. Porque sim, pode estar o Augusto Canário (e os amigos dele) a cantar, que a minha atenção estará sempre direccionada para o público. Tem mais interesse, vos garanto!

A paródia feita às festas populares no filme "7 Pecados Rurais" (o de Curral de Moinas) é, para mim, o mais fiel retrato destas. Se no filme o Quim e o Zé comem sandes de entremeada de furão e jogam numa barraca de "Dar Banho Ao Anão", nas festas de aldeia a situação não é muito diferente. Porque vamos lá ver: olha-se para um lado, um bêbado de boné e camisa aberta encostado a um muro. Olha-se para o outro, um bêbado de boné e camisa aberta encostado a um muro. Olha-se para trás, um bêbado de boné e camisa aberta encostado a um muro. Em frente, um largo cheio de pessoas a dançar. A dança é sempre a mesma, independentemente se o conjunto toca o super-êxito "Pimba Pimba" do Emanuel, o "Vira do Minho", ou o "Clair de Lune" do Claude Debussy. Pelo chão espalhados, copos da Sagres amachucados. O elemento mais predominante destas festas é, a seguir aos alcoólicos, a luz. As bandas trazem sempre com elas uns focos potentíssimos que, de Sande, provocam insónias nos habitantes de Vila Nova de Cerveira. Deve ficar barata aquela conta da luz, deve! De certeza que a malta da EDP consegue pagar os Subsídios de Férias a todos os trabalhadores da zona Norte só com a conta do mês de Agosto de um agrupamento musical!

Para além do público, temos os comes-e-bebes. Cachorros, bifanas, pipocas, algodão-doce, uma ou outra fartura, e não passa muito disto. Dá impressão que o aparente desleixo da ASAE relativamente às roulotes fazem com que a comida tenha outro gosto! Ao contrário do que se pensa, o "Pesadelo Na Cozinha" só veio arruinar o sabor da comida que as pessoas consumiam. Porque se aqueles restaurantes tinham clientela, era porque gostavam. Ninguém volta uma segunda vez a um sítio onde foi mal servido e/ou tratado! Por isso, devemos dar graças por estas barraquitas ainda irem passando pelos pingos da chuva.

Outro intemporal clássico são os brinquedos. Não há nenhum arraial em que não hajam balões dos Minions ou da Patrulha Pata cheios de hélio que, invariavelmente, as crianças acabarão por deixar voar. E sim, crianças, eles continuam a voar até ao espaço, e os que não são apanhados na EEI (ou ISS, em estrangeiro) continuam a voar até chegar a Marte. Tanto que o Elon Musk vai mandar um vaivém de teste cheio de balões de alumínio até lá, e tudo! Outros brinquedos muito populares são as pistolas de água, aquelas espadas cheias de líquido para fazer bolhas de sabão, e possivelmente aquilo que eu mais odeio, que são aqueles filhos da mãe daqueles cãezinhos robôs pequeninos, que às vezes até vêm com chapéu e óculos, andam, mexem a boca, e fazem um barulho de tal forma irritante que a minha vontade é pegar num martelo-de-orelhas e partir aqueles sacaninhas até que não sobre nada... peço desculpa, exaltei-me um bocadinho!...

No fundo, e em jeito de notas finais (agora pareço o Professor Marcelo), as festividades populares são um antro de tudo o que de melhor há no nosso mundo, e seria uma enorme (ENORME) pena se um dia elas terminassem. E caso isso aconteça, espero já cá não estar para o ver.

Hasta la vista (senti falta do "baby"...)!

É Pior Que Um Mitra De 14 Anos?

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 08.07.23

Apareceu-me uma notícia com o título “Mais de metade dos jovens entre os 14 e os 30 dizem-se crentes, mas apenas um terço participa nas práticas religiosas”. Curioso! Quase que podia jurar que era preciso um terço para cada um, mas pelos vistos têm que o partilhar...

Muito bom Sábado, senhoras e senhores que compõem o meu público extremamente diminuto! Como vos correu a última semana? Agora senti-me o Bruno Nogueira a cumprimentar as pessoas no podcast dele... Bom, que se lixe! Ontem estava a passear na Avenida e passou por mim um grupo de quatro mitras. Não vou mentir, senti-me ligeiramente intimidado por eles! Está bem que é gente que só consegue compreender palavras com até três sílabas e fazer contas pelos dedos, e que isso os devia tornar menos ameaçadores, mas ainda assim fiz duas pinguinhas! Uns minutos depois, passa um grupo de betos e, espanto dos espantos, senti-me igualmente intimidado! Isto pôs-me a reflectir, e eu acabei por ficar curioso para saber qual dos dois grupos tem maior potencial de me meter medinho.
Porque, por um lado, os mitras roubam carteiras, telemóveis e os corações das jovens raparigas ingénuas, que não conseguem perceber que os geeks totós que realmente se esforçam para as impressionar, agradar e ser gentis - até porque não têm muito mais do que se valer no campo da "pegação", como dizem os nossos irmãos Brasileiros, para além de algum conhecimento geral, cultura Pop e o parlapié que destes advém - são melhores que os filhos da mãe dos delinquentes que ouvem Funk Carioca aos altos berros nos transportes públicos e usam casacos do Chelsea! Está bem que eu estou bem resolvido neste campo. Acho até que não podia estar melhor (beijocas, Ema!). Mas eu tenho que falar e fazer justiça pelos meus irmãos de armas que estão nesta luta! Ainda há esperança, rapazes! Ainda há esperança!...
Mas, por outro lado, temos os betinhos, que usam pullover, camisinha e fios de missangas, tentam fazer-nos entrar na Juventude Partidária do CDS-PP (por falar nisso, ainda existe o CDS-PP?) e, pior que isto tudo... gulp... vão às Jornadas Mundiais da Juventude!...

Dito isto, eu não sei de qual dos grupos consigo ter mais medo. Ambos têm grande potencial para fazer chorar um homem adulto e bem resolvido, mas acabo por não saber exactamente quais os mais perversos. Analisando o perfil de um mitra, nós percebemos que se trata de alguém algo desregulado. Como eu descrevi (e muito bem, porque o Guilherme de Abril era um gajo inteligente!), de uma forma bastante sumária, em “Cacharolete de irritações acerca de música alta em público”, os mitras costumam andar “com as calças com uns fundilhos pelos tornozelos, umas camisolas desportivas muito largas, um cabelo com as laterais cortadas a pente 0 e a sobrancelha aparada, mesmo à gangster!”. Porque, de facto, isto é gente que é bem capaz de ir de propósito ao barbeiro para fazer um género de umas gravuras rupestres na cabeça, como os futebolistas, ou o que é! O que até nem deixa de fazer sentido, porque normalmente o cérebro que está dentro desta acaba por ser muito semelhante ao de um Homem-de-Neandertal... Continuando a dizer estas coisas, e da maneira como andam os ânimos exaltados, qualquer dia matam-me à esquina de uma rua!... Outra coisa que este tipo de espécime tem grande inclinação para fazer é, lá está, tentar meter medo. Por vezes, isso está associado aos pequenos delitos que comete, mas normalmente tem mais que ver com a aparência de drogado e a má-higiene dentária. Aliás, o crescimento do número de gunas no território nacional está a causar um grande impacte na Ordem dos Médicos Dentistas, que têm vindo a perder muitos dos seus fiéis client... utentes!

No entanto, se formos a analisar bem, os betinhos conseguem ser piores. Porque os betinhos tentam passar a imagem de pureza e bondade, mas são os mais intriguistas e traiçoeiros. É certo que os mitras são bem capazes de se meterem em confusões mais rápido e com maior facilidade que os betos, mas é só isso, mesmo: falam muito, arranjam muita porcaria, mas no final do dia somos todos amigos! Já os betos não. Os betos mordem pela calada. Os betos tentam destruir a vida e a reputação deste e daquele, mas pelas costas. Os betos vão à missa, mas são muito pouco Católicos nas suas acções. No fundo, o mitra é o carneiro na pele do lobo, e o betinho é o lobo na pele do carneiro. E eu gosto bem mais de carneiros do que de lobos. Então com batatinhas e arroz de forno, que pitéu!

E pronto, de uma forma geral, era isto que tinha para vos transmitir. Sejam felizes, comecem a andar mais com os mitras que com os betos e até para a semana!

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