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A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

Beberrão Umbilical

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 23.09.23

Esta crónica é dedicada ao Avô Quinel.

 

Uma pessoa de esquerda que trabalhe numa fábrica de enlatados é, ainda assim, uma conservadora...

Estou de volta! Depois de um longo período de descanso, introspecção e dedicação à família, eis-me aqui, de volta à escrita das habituais (e tão queridas) crónicas de Sábado. Não vos vou mentir, estava até com algumas saudades! A escrever este texto, ia soltando uma lagrimita ou outra. Mas isto passa! É pá, já não fazia isto há mesmo muito tempo, hein? Estou a precisar de desenferrujar as juntas cerebrais da parvoíce. E qual seria a melhor forma de realizar esse feito, se não discutindo assuntos extremamente irrelevantes, sempre com a grande dose de mesquinhice que já me é característica? Eu digo-vos: WD-40, que resolve todo o tipo de problemas relacionados com a lubrificação de situações. Chega a ser milagroso! Mas hoje, vou optar pela primeira opção. Não é tão eficaz, mas desenrasca. Dito isto, que assunto extremamente liliputiano é que trago hoje à discussão? Boa questão! É a produção de bolhinhas de cuspo por parte dos bebés. Acreditem em mim, tem mais que se lhe diga do que aquilo que aparenta!

Este fenómeno, que eu pude contemplar por diversas vezes durante as férias que tirei (tanto que cheguei a ser presente a julgamento, depois da queixa de uma mãe porque, supostamente “não se pode fotografar bebés de outras pessoas com câmara de longo alcance”), tende a passar um pouco despercebido à maior parte das pessoas. Mas eu, por ser extremamente observador das pequenas particularidades da vida e do Mundo que me rodeia (sou como que um Cesário Verde da contemporaneidade), consegui recolher dados preciosos para esta pesquisa. No fundo, isto consiste, como o próprio nome indica, na produção de bolhinhas de saliva na boquinha semicerrada das crias de ser-humano. Até aqui, tudo muito bem! No entanto, as coisas que mais me fascinam nesta sua actividade são a concentração e o empenho que os bebés colocam nela, e a qualidade e quantidade de bolhinhas que eles produzem! Porque eu, por exemplo, consigo produzir uma, duas bolhinhas, máximo três. Agora, os bebés têm capacidade de as produzir às dezenas de uma só vezada! Eu cheguei a ver bebés (e isto contei eu!) com 16 bolhinhas entre os lábios! Isto não é para meninos... aliás, isto É para meninos, que é diferente! Para mim, o “Bolhinhismo Profissional” deveria ser oficializado como uma modalidade olímpica e figurar nos próximos “Jogos Olímpicos da Juventude”, que se vão realizar, no próximo ano, na belíssima província de Gangwon, na Coreia do Sul!

Pelo meio destas minhas observações de menores de idade, acabei por dar de caras com um senhor que estava alcoolizado. Houve logo um pormenor muito interessante que me saltou à vista: o senhor estava a produzir, numa das suas narinas, aquilo que eu descreveria como uma imponente bolhinha de secreção mucosa, no que eu pensei “Ora, se os bebés produzem bolhinhas e os bêbados também, então bebés e bêbados são uma e a mesma coisa”. Neste momento, acredito que estarão a pensar: “Ah, e tal, estás aí a cometer uma gravíssima ‘Falácia da Falsa Analogia’, pá!”. Ao que eu respondo: “Parabéns pelo aprofundado conhecimento acerca do programa de Filosofia do 10.º Ano, mas vocês ainda não ouviram o que eu tenho para dizer, portanto estejam caladinhos!”. E porque é que eu responderia isto? Primeiro, porque vos valorizo a vocês e às vossas conquistas. Segundo, porque tenho provas que me permitem argumentar a favor da minha tese!

Se pensarmos bem, os bebés e os alcoólatras têm imensas coisas em comum. Por exemplo, uma das coisas que os bebés fazem bastante (e que, por sinal, eu não compreendo) é chorar por tudo e por nada. Os bêbados, por causa da influência que o álcool exerce na nossa actividade cerebral, muitas vezes, também o fazem, ou porque se lembram de mágoas antigas, ou porque ficam extremamente emocionais, entre outras razões. Querem mais provas? Os bebés, por exemplo, urinam-se muito pelas pernas abaixo. Os bêbados... também! Mais provas ainda? Pensem comigo: a generalidade dos bebés é, para todos os efeitos, desdentada. Certos bêbados, os mais profissionais, também o são, porque a acidez do álcool corrói aquilo que é o esmalte protector da cremalheira! Portanto, creio que provei o meu ponto. Com todo o respeito, embrulhem, que é take-away! Só há uma situação que me irrita de forma visceral, que é o facto de os bebés, quando crescem, negarem taxativamente o facto de terem sido alcoólicos. São negacionistas da sua própria existência!

No entanto, a propósito disto, surgiu um novo problema. Como eu já havia postulado aos 24 de Setembro do ano transacto, em “Canis Sapiens Sapiens”, cães e bebés é que eram uma e a mesma coisa. Isto gera um problema, porque, desta forma, os bebés passariam a ser, ao mesmo tempo, a mesma coisa que os cães e que os bêbados. Portanto, anuncio aqui publicamente a revisão da minha primeira teoria, e alteração dos seus termos para “Bebés são precisamente a mesma coisa que os ébrios canídeos”. Até para a semana!

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Breve introdução ao estudo do "Festival Comunitário"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 24.07.22

Verão: Portugal está, de uma forma generalizada e alarmante, a arder. No entanto, romarias e festas populares estão a acontecer, e a atenção do povo direcciona-se para elas. Este fim-de-semana, por exemplo, estive na festa de Sande. E para mim foi um deleite ir ver o povo à praça. Porque sim, pode estar o Augusto Canário (e os amigos dele) a cantar, que a minha atenção estará sempre direccionada para o público. Tem mais interesse, vos garanto!

A paródia feita às festas populares no filme "7 Pecados Rurais" (o de Curral de Moinas) é, para mim, o mais fiel retrato destas. Se no filme o Quim e o Zé comem sandes de entremeada de furão e jogam numa barraca de "Dar Banho Ao Anão", nas festas de aldeia a situação não é muito diferente. Porque vamos lá ver: olha-se para um lado, um bêbado de boné e camisa aberta encostado a um muro. Olha-se para o outro, um bêbado de boné e camisa aberta encostado a um muro. Olha-se para trás, um bêbado de boné e camisa aberta encostado a um muro. Em frente, um largo cheio de pessoas a dançar. A dança é sempre a mesma, independentemente se o conjunto toca o super-êxito "Pimba Pimba" do Emanuel, o "Vira do Minho", ou o "Clair de Lune" do Claude Debussy. Pelo chão espalhados, copos da Sagres amachucados. O elemento mais predominante destas festas é, a seguir aos alcoólicos, a luz. As bandas trazem sempre com elas uns focos potentíssimos que, de Sande, provocam insónias nos habitantes de Vila Nova de Cerveira. Deve ficar barata aquela conta da luz, deve! De certeza que a malta da EDP consegue pagar os Subsídios de Férias a todos os trabalhadores da zona Norte só com a conta do mês de Agosto de um agrupamento musical!

Para além do público, temos os comes-e-bebes. Cachorros, bifanas, pipocas, algodão-doce, uma ou outra fartura, e não passa muito disto. Dá impressão que o aparente desleixo da ASAE relativamente às roulotes fazem com que a comida tenha outro gosto! Ao contrário do que se pensa, o "Pesadelo Na Cozinha" só veio arruinar o sabor da comida que as pessoas consumiam. Porque se aqueles restaurantes tinham clientela, era porque gostavam. Ninguém volta uma segunda vez a um sítio onde foi mal servido e/ou tratado! Por isso, devemos dar graças por estas barraquitas ainda irem passando pelos pingos da chuva.

Outro intemporal clássico são os brinquedos. Não há nenhum arraial em que não hajam balões dos Minions ou da Patrulha Pata cheios de hélio que, invariavelmente, as crianças acabarão por deixar voar. E sim, crianças, eles continuam a voar até ao espaço, e os que não são apanhados na EEI (ou ISS, em estrangeiro) continuam a voar até chegar a Marte. Tanto que o Elon Musk vai mandar um vaivém de teste cheio de balões de alumínio até lá, e tudo! Outros brinquedos muito populares são as pistolas de água, aquelas espadas cheias de líquido para fazer bolhas de sabão, e possivelmente aquilo que eu mais odeio, que são aqueles filhos da mãe daqueles cãezinhos robôs pequeninos, que às vezes até vêm com chapéu e óculos, andam, mexem a boca, e fazem um barulho de tal forma irritante que a minha vontade é pegar num martelo-de-orelhas e partir aqueles sacaninhas até que não sobre nada... peço desculpa, exaltei-me um bocadinho!...

No fundo, e em jeito de notas finais (agora pareço o Professor Marcelo), as festividades populares são um antro de tudo o que de melhor há no nosso mundo, e seria uma enorme (ENORME) pena se um dia elas terminassem. E caso isso aconteça, espero já cá não estar para o ver.

Hasta la vista (senti falta do "baby"...)!

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