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A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

A Psique de Guilherme

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Trabalhos de Casa #6: “Querido Pai Natal”

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 03.12.22

Declaro que a Quadra Natalícia começa aaaaa... gora: Bom Natal! Agora que já estamos no espírito, acho que podemos começar. Porém, faço um aviso: tudo o que eu possa dizer nesta crónica, por mais estúpido que seja, pode ser resultado de uma gripe mal curada! É só mesmo uma advertência que, aliás, acho que poderia dar bastante jeito ao Kanye West, neste momento: Sr. West, não diga é Nazi, diga que é só uma virose mal curada ou assim, está bem? Vá, cumprimentos e resto de um bom dia! Ora, hoje é dia de mais um Trabalhos de Casa. Neste sexto episódio vou-vos apresentar, como devem calcular, um texto subordinado à temática “Natal”, mais especificamente às cartas a esse mítico gordalhão que é o senhor Pai Natal! Retirado do meu caderno da 3.ª Classe, eis o texto do dia 1 de Dezembro de 2014, com o nome, acredito, “Querido Pai Natal”:

Querido Pai Natal:

Nesta carta não te vou pedir nada, mas só te vou falar da vida. Eu gostava que este ano passasses em minha casa ou nas dos meus avós e tirasses uma fotografia comigo, para eu provar que és real. Prometo que vou ser bem comportado e respeitarei os meus pais. Quando tocar a meia noite estarei à tua espera na sala de estar.

Quando chegáres estaciona o carro de renas, bate à porta, que eu estarei lá e doute umas bolachinhas. Não te preocupes se não souberes onde é que fica a minha casa, eu ajudo-te.

Também me podes contar histórias de como se fazem as coisas lá na fábrica e quantos anos e duendes tens.

Só espero que neste Natal todos os meninos do Mundo recebam pelo menos uma coisinha, com paz e amor.

Pai Natal, recebe esta carta com um xi-coração e não te esqueças do que te pedi.

Uma pessoa que acredita em ti,

Guilherme Gomes

Vamos lá ver: neste texto, eu faço um dos mais descabidos pedidos da história da humanidade! Então alguma vez o Pai Natal ia aceitar tirar uma fotografia comigo? O gajo anda para aí a fazer trinta por uma linha, a descer de chaminés e o camandro, para não ser visto, e ia aceitar de bom grado que eu registasse a sua imagem para, ainda por cima, provar aos outros que ele é real?!? Se o Nicolau se quisesse mostrar, não entrava nas casas estilo assaltante! Batia à porta, como uma pessoa normal! Às vezes tenho vergonha de mim mesmo, sabem? Que estúpido.

Depois, que falso que este puto era! Ai, que não sei quê, “espero que todas as crianças recebam uma prendinha, com paz e amor”. FALSO! Pareço a Miss Universo, pá! “Peace in the World and no war and very beautiful things and coiso...”. Com oito anos, acho que ninguém está propriamente preocupado com as outras crianças (exceptuando, talvez, a Greta. Essa era capaz de se preocupar um bocadinho.). Nós queríamos era receber os nossos brinquedos! Não nos importávamos com aquela criança da República Centro-Africana, que se calhar não ia receber o “Mauzão” ou o “Mentiroso” que tinha pedido ao Pai Natal... até porque é extremamente improvável uma criança da República Centro-Africana pedir jogos da Concentra... e acreditar no Pai Natal... e estar viva...

Por isso, e para terminar, vou fazer uma edição especial com não uma, mas DUAS composições dos meus tempos de petiz! A que eu vos vou apresentar de seguida não era bem uma composição. Era um trabalho em que eu tive que escrever tudo aquilo que queria pedir ao Pai Natal, mas dentro do desenho de uma bota. E no fundo, o que eu fiz foi enumerar a totalidade destes meus desejos num texto corrido. E, agora sim, demonstro o que uma criança de 8 anos realmente é: um vil e voraz capitalista! Do dia 16 de Dezembro de 2014, a minha lista ao Pai Natal:

Um Tom e Jerry, Monopoly, Sem Palavras, Lisboa, Furby Boom, um Duende, Tablet Samsung, uma Mãe Natal, Playstation, jogo Disney Infinity para Playstation, jogo “O Gui”, o Rodolfo, um jogo da Science4You, o teu Trenó, um chocolate do tamanho do Pai Natal, uma das renas do Pai Natal, um Ferb e Phineas, um País, um Cãozinho, um Microscópio, um Hamster, um Carro do meu tamanho, um Livro, um Esqueleto, um Iphone 6, um Livro, uma casa com garagem e carro e móveis e banheira apropriada para o meu Smurf, Zoomer, o Trivial Pursuit Família, Trash Packs, a roupa do Pai Natal, um Helicóptero, um Barco dos Descobrimentos, um Mapa, e o Universo.

Como diziam os desenhos animados da Europa de Leste que o Vasco Granja trazia nos anos 80: Koniec!

Pai Natal.png

Isto de crescer ainda um dia acaba mal

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 19.11.22

O Presidente da República desvalorizou a situação no Qatar. Todo aquele desrespeito pelos direitos humanos e tal..., mas, enfim, esqueçamos isto. É criticável, mas concentremo-nos na crónica.

A época Natalícia está aí à porta, e comecei a reparar que, e citando António Mafra em “O Carteiro”, faz sentir-me infelizmente que isto já não é para mim, mas a culpa não é minha (nem do carteiro, porque o carteiro não tem culpa!), é das crianças. As crianças monopolizaram o Natal. Tudo nesta época gira à volta delas. Eu já não consigo estar a ver o Disney Junior como o interesse de um adulto a ver um documentário no Odisseia, porque de 15 em 15 minutos lá aparecem blocos publicitários de brinquedos! Não, não estou interessado nos novos “Washimals” da Crayola, muito obrigado. E são tão alucinantes! É óbvio que os miúdos ficam alienados e querem tudo! E no final de contas, quem é que sai a ganhar no meio desta festa do consumismo? São as crianças... e os acionistas da Concentra e da Giochi Preziosi.

Mas não foi para me irritar com as crianças que vim até aqui (aliás, eu não vim até lado nenhum. Eu estou no meu quarto...). Foi, sim, para refletir quanto ao crescimento. Ser criança é sempre muito giro. Ainda que na altura não nos apercebamos disso (até porque ainda não temos a maturidade para nos apercebermos disso), a verdade é que esses são os melhores anos para se viver. E atenção! Devo frisar que ser criança é que é a melhor coisa do Mundo, não são as crianças a melhor coisa do Mundo! A melhor coisa do mundo são aquelas garras para coçar as costas. É importante fazer esta distinção. Enquanto infantes, mal podemos esperar para crescer! É-nos impossível aproveitar o momento, que a vida de adulto parece infinitamente mais interessante (se bem que isto de não se conseguir aproveitar o momento é um bocado transversal a todas as idades. Carpe diem!). Da perspectiva de uma criança, os crescidos têm sempre as coisas mais fixes. Por exemplo, quando eu era pequeno, casacos com bolsos internos eram quase ficção científica! Algo apenas acessível aos adultos. Tantos lugares para meter coisas. Aquelas jaquetas tinham potencial para transportar o que quer que fosse, desde brinquedos, a doces, até mesmo terra e pedras. O céu era o limite, as possibilidades eram infinitas! Hoje, é quase certo que qualquer casaco que eu compre tem desses bolsos, e não lhes dou grande uso. Perdeu-se um bocado a magia, não vou mentir... Outra coisa que seguia a mesma lógica eram as sapatilhas com atacadores. A mim só me havia sido apresentado o velcro (que atenção, é a melhor invenção de sempre!). Só que neste caso, não me importava de continuar com ele. Apertar os atacadores dá muito trabalho! E eu, que pensava que para subir na vida era preciso usar sapatos de homem! Mas estou mais ou menos na mesma. E aquele nó. Ai, aquele nó! O que me custou a aprender a dar aquele nó! O sangue, o suor e as lágrimas que eu soltei! Por acaso não foi nenhum, mas vocês perceberam a ideia...

Mas as vantagens de ser criança não param por aqui. Quem não sente saudades de chegar da escola, ainda a tarde era, como nós, uma criança, e pensar “Humpf! Hoje não vou fazer nada para além de sentar o cu no sofá e assistir aos desenhos animados ou às séries juvenis do Disney Channel, até porque ainda por cima hoje é sexta-feira e dá o ‘We Love Sextas’.”? Por acaso muita gente, até porque quando grande parte da população do nosso país não tinha idade para ter juízo, só havia dois canais e das duas, uma: ou se esperava que o Vasco Granja trouxesse os bonecos (ou como diziam as avós, “os macacos”. Por falar nisso, tenho que perguntar à minha avó porquê “macacos”) ou então gramava-se com o “Duarte e Companhia”, “O Barco do Amor” ou “O Justiceiro”, que até nem são programas nada maus!

Chegou a hora da despedida. Deixar apenas um aviso ao meu público infantil (que é practicamente, para não dizer completamente, inexistente): aproveitem a vossa idade enquanto a têm... e não peçam a “Fábrica de Sabonetes” da Science4You ao Pai Natal. Vocês vão usar isso para aí uma vez, e dois dias depois do Natal já vai estar a ganhar pó numa prateleira, como o Wheezy no Toy Story 2. Adeus!

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