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A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

Um pouco de poesia...

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 04.03.23

Eu não gosto muito daquela ideia do “Ah! Não se ama alguém que não gosta da mesma canção!”. Eu acho que faria muito mais sentido se fosse “Não se ama alguém que não odeia a mesma canção!”. O amor é muito giro, e tal, mas o ódio tem uma maior capacidade de gerar empatia.

A minha ideia para hoje era algo diferente. Não pretendo analisar um tema, não pretendo expor uma opinião, mas sim mostrar algumas ideias minhas, noutros campos. Desta feita, o que proponho, para esta semana, são alguns ensaios líricos (vulgo poemas) da minha autoria, sobre coisas mundanas. Já agora, não tentem neles achar qualquer significado, porque não têm.

Dito isto, passemos ao primeiro. É um poema muito curto, uma simples quadra, mas que põe uma questão que eu considero algo pertinente. Chama-se ele “Paracetamol”:

Qualquer um gosta de amar
Diz que amar reduz a dor
Assim como um analgésico
Será ele também amor?

A análise é bastante simples: o que o sujeito poético tenta fazer é associar as ideias de redução da “dor psicológica”, levada a cabo pelo sentimento do amor, com a da redução da dor física, que um analgésico proporciona. Após esta correlação, há uma questão, que é “Será que estas duas realidades, pelas suas características, são uma e a mesma?”. Decerto, muito interessante. Passemos, talvez, para uma segunda manifestação poética. Desta vez, chamada “Ouvi-nos, Senhor”. Ei-la:

Um ser religioso

Se prepara para rezar

Pega num terço e se deita

P’ra começar a orar

Eis que entre Avé-Marias

Um ronco se faz escutar

Era o ser religioso

Que decidira pernoitar

Este tipo de oração

Não me inspira confiança

Ressonar não faz a reza

Se não me falta a lembrança

Mas Deus é piedoso

E ajuda quem necessita

Mesmo aqueles que vão pregar

Daquela forma esquisita

Agora, é possível perceber que este é um poema que denuncia uma realidade muito presente na nossa sociedade: as pessoas que adormecem durante o terço. Talvez como resultado do assumido ateísmo do autor, há uma certa ironia na última estrofe, quando este ressalta a ideia da piedade da figura de Deus. Também, muito, muito interessante.

Por fim, proponho aquele que será, possivelmente, uma das minhas obras magnas, o poema “Muco”. A inspiração para ele veio-me num enublado dia de inverno, já tarde, quando vi, na rua, um velho senhor a assoar o seu nariz com um ruçado lenço de pano e pensei “Ali está a minha musa!”. Feito este preâmbulo, vamos ao poema:

Um velho limpa o ranho
Com um lenço de papel
Puxa o escarro
Varre o catarro
Secreção da cor do mel

Acabado de assear
Abre o lenço
Olha, e tenso
Lá o volta a arrumar
Não vá o velho precisar
Mais uma vez, de dar
A profunda fungadela
Para seu nariz limpar

Esta é a coisa dos velhos
Que passam a vida a moncar
A venta moncosa do muco
Para de forma mais idónea
(E de modo a não expirar,
Visto serem já de idades
Avançadas para a idade)
Conseguirem respirar

E terminamos assim o nosso sarau de poesia! Espero que tenham gostado. Eu, pelo menos, esforcei-me para isso. Se não gostaram, ide para o ca...

Fim!

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Trabalhos de Casa #7: "O que representa o presépio para mim"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 17.12.22

Eu sei, eu sei que estavam à espera de outra coisa. Eu sei que os Trabalhos de Casa eram só para a semana, mas pensem: daqui a uma semana é Natal, e eu tenho que fazer qualquer coisa especial. Espero que não fiquem chateados, mas se ficarem também não me interessa... O texto desta semana ainda vem no âmbito do Natal e aborda mais uma das instituições desta época festiva: o presépio. Eu sempre vi o presépio como uma cidadezinha de brincar, quase uma aldeia dos Estrunfes (ou Smurfs, se preferirem), mas com pessoas a sério, logo mais desinteressante. Mas não é que isso interesse, porque a ideia que eu deixo aqui é outra e, como já é habitual, é própria de uma criança de 8 anos. Do dia... não sei, só sei que é de Dezembro de 2014, a redacção “O que representa o presépio para mim”:

Para mim o presépio representa o antigamente de há 2014 anos.

O presépio apresenta uma manjedoura com Maria, José, o Anjo Gabriel a dizer (Glória), e o elemento mais importante, a personagem principal, Jesus Cristo...

Entre eles os três reis Magos, que vieram do Oriente, vieram adorar o menino, que criou a nossa gente.

Em camelos sentados vieram, em camelos sentados foram, a estrela Guia os levou, até o Deus menino os guiou.

Os reis Magos por Herodes foram enganados, ele pediu para eles matarem o menino, mas os reis levaram incenso, mirra e ouro.

Mas na verdade o presépio não é só meia dúzia de bonecos a dizer isso, o presépio representa o nascimento de Jesus e o renascimento da vida.

Muito bem. Primeiro, gostava de realçar o facto de que o presépio representa o antigamente de há 2014 anos. É importante perceber isso. Dizer que é de há 2014 anos não basta, é preciso dizer que é o antigamente de há 2014 anos. Não fossem ficar as pessoas a pensar “Ah, mas é o futuramente de há 2014 anos?”. Não senhor, é o antigamente! “Mas é o anteontem de há 2014 anos?”. Nada disso. É o antigamente de há 2014 anos! Assim é que é. Que é para não haver confusões.

Depois, falo-me dos elementos do presépio. Maria, José, o Anjo, Jesus. Tudo muito bem. Mas então e as duas mais importantes figuras do quadro da Natividade? Onde é que eu falo do Burro e da Vaca? É o falas! É que as pessoas podem não se lembrar, mas estes dois animais de quinta foram essenciais para manter um bom ambiente naquele estábulo. Eles foram o ar-condicionado que impediu o Cristo de apanhar uma pneumonia! Está bem que o puto me nasceu no Médio Oriente, e lá está sempre quentinho, mas não deixa de ser um recém-nascido todo nu, no meio da rua, à meia-noite, no mês de Dezembro! É porque ainda há esta: todo nu! Digam-me lá se a Maria, que era de uma família com posses, não podia perfeitamente ter parado a meio do caminho, que aquilo ainda foi uma viagem relativamente longa, e comprado um body para o rapaz, numa Zippy, ou assim? Podia, perfeitamente. Mas preferiu deixar o miúdo a ser aquecido pelo bafo de uma vitela! Se a CPCJ tem sabido disto, o filho de Deus tinha sido adotado por uma família de israelitas e acabou. Não havia cá nada de pregar o que quer que fosse! Ia para a carpintaria, como os outros, e estava caladinho. E se calhar tinha sido melhor, que ao menos não tinha morrido tão cedo, e ganhava a vida a construir cruzes para pendurar os outros...

A dada altura, dá-me para o lirismo. Ponho-me a rimar “Oriente” com “gente”, “levou” com “guiou”. Mas quem é que eu pensava que era? O Camões? Para além disso, eu pus-me a pensar acerca daquela coisa da Estrela Guia que levou os Reis Magos até ao menino, e tal. E se fosse um drone? Podia ser! E nem me venham com coisas de “Não havia drones nessa altura!”. Para um rapaz que anda sobre a água e transforma água em vinho (o que me põe a pensar: será que se ele, enquanto estava a andar num rio, transformasse a água em vinho, ia ao fundo?), fazer aparecer um drone, como diz o outro, é “peanuts”!

Pronto, ide lá dormir, que daqui já não se aproveita mais nada. Como diria Jesus, “Adeus!”, só que ele diria em Aramaico e eu não sei é falar Aramaico...

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A Nova Virtualidade das Mesuras

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 08.10.22

Já viram aquele anúncio da Wallapop, ou lá o que é, em que o rapaz se está a mudar e diz aos pais “Volto no Natal”? Completamente irrealista! Hoje em dia já ninguém consegue sair de casa dos pais antes dos 50!

Cá estamos, não é? Mais um dia, e tal. Pois... Bom, vamos à ordem de trabalhos: o que é que eu tenho hoje para propor (vá, não diria propor. Talvez impôr se aplique melhor, porque vocês ainda não têm nenhum voto nesta matéria)? Mais um bocadinho de indignação, talvez um pouco de irritação e, quem sabe, até mesmo repúdio. Não prometo nada, mas pode ser que sim. E tudo isto devido a uma práctica que me faz fervilhar o âmago: aquelas mensagens de “Bom dia!”, “Boa tarde!”, “Bom fim-de-semana!” que as pessoas teimam em mandar umas às outras e em grupos de WhatsApp. Porquê? Para quê? Quem é que teve esta ideia?

Estas saudações comerciais de algibeira costumam consistir numa imagem, normalmente com dimensões 1:1 (um quadrado, no fundo), de um santo, ou de um gatinho, ou com um desenho muito bonito de uma menina, etc. Quando são imagens gif (e sim, lê-se “guif”, não “jif”), tendem a ter uns textos com umas letras muito psicadélicas, estupidamente brilhantes, a piscar. Parece que têm o Natal todo metido lá dentro. Deve ser uma delícia para os epiléticos! Porque essa é outra, os textos. São muito pirosos. São demasiado optimistas e carregados de esperança. A vida não é assim tão boa e maravilhosa. O que é que a gente costuma fazer? Levanta-se, prepara-se, vai trabalhar, trabalha ali forte, volta para casa, faz o que tem a fazer e deita-se. Não há assim muito espaço para acontecer coisas incríveis, sejamos sinceros! “Esperançoso, foi assim que o meu coração amanheceu. Acreditando que tudo de bom vai acontecer. Que tudo vai dar certo, pra mim e pra você.”. Quem é que se dá ao trabalho de fabricar esta porcaria? Eu acho que se pedissem ao Chagas Freitas para escrever uma coisa destas, ele dizia “Peço imensa desculpa, mas é muita piroseira para mim!”. Acho que o Gustavo Santos preferia deixar de se amar a escrever isto! Nem o Raul Minh’alma era capaz de descer tão baixo, pá! Eu acho que eles devem forçar aquelas criancinhas indonésias que fazem as sapatilhas da Nike a escrever isto. Eu preferia ser vergastado a ter que bolsar uma frase desta qualidade! O problema é que há mais, e é aqui que eu tenho potencial para chocar pessoas. E é assim que entramos no “Tema Mais Gran...”. Desculpem! Isto é do Batáguas. Já agora, Batáguas, tu merecias aquele Globo mais que ninguém!

Apresento-vos um dos tipos de frase mais popular: “Bom dia... Que Deus te abençoe, te guarde, te cuide, te proteja, te livre e te dê um lindo dia de Domingo!”. Ora bem, vamos lá ver uma coisa. Eu, pessoalmente, não gostaria de ser protegido por Deus. E porquê? Vamos a estatísticas. Na Bíblia (no Antigo Testamento, em que Deus era uma entidade impiedosa que levava a cabo um massacre só porque lhe apetecia, porque estava aborrecido e porque podia) estão contabilizadas, pelo menos, 2552452 mortes por parte do Todo-Poderoso. Por Satanás, 10. E a mando de Deus! Tendo isto em conta, eu chego à conclusão que o Lucy (é Lúcifer, mas os amigos chamam-lhe Lucy) é melhor companhia para as tainadas que o Altíssimo. Eu não temia a Deus (até porque sou ateu), mas se calhar vou começar a fazê-lo. Não, se calhar não vou... De que é que eu estava a falar, mesmo? Ah, das mensagens de Bom Dia! É pá, parem com isso, que isso é chato como o caraças! É que ainda por cima a malta insiste, e continua a mandar! Façam um favor à sociedade e estejam quietinhos. Se querem dizer alguma coisa, escrevam-na mesmo. Custa muito chegar ao teclado e pôr “Boa noite!”? São só 10 carateres! Vá lá.

E pronto. Antes de me ir, queria só mandar um beijinho para os primos da França. Para os vossos, que eu não tenho lá ninguém! Adeus!

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