Guerrinha e Paz
Guilherme dos Santos Gomes, 01.07.23
Fazer comida num forno de lenha nunca é boa ideia, que aquela porcaria começa a arder toda! O ideal é sempre um forno de tijolo...
Ora muito boa [inserir aqui parte do dia]! Como têm andado? Têm dormido bem? Assim espero! Talvez tenham notado a minha ausência, na semana passada, mas também se não notaram não sei o que estão aqui a fazer! Quer dizer, se uma pessoa não aparece e vocês nem dão conta, então é porque não me devem dar grande importância! A quem não deu por nada, e com todo o meu respeito, peço que saia. Obrigado! Agora que só cá está a gente que interessa, vamos ao tema desta semana. Ora, esta semana vou categorizar situações, designadamente duas. Quais situações, perguntais vós? Beijos e discussões. Eu sei que podem parecer assuntos muito diversos, mas a verdade é que, assim como o amor e o ódio, coexistem de mão dada. Terminada esta introdução, o melhor é começar a dissertar sobre aquilo que me propus a dissertar.
Quando falo de categorizar beijos, não me estou a referir a categorizar o acto de beijar em si, mas sim os beijos que se enviam virtualmente, em mensagens de texto. Sei que, possivelmente, estavam ansiosamente à espera que eu viesse para aqui distinguir o chamado “bate-chapa” do chamado “linguadão”, mas não. Desculpem-me desiludir-vos, mas o meu ponto de foco é outro. Isso pode ficar para outro dia. Bom, no que toca mandar “Beijos” em SMS, há várias escolas:
- Primeiro, temos as pessoas que mandam apenas “Beijos”. Para mim, este é o tipo mais seco e impessoal de beijo virtual, porque não sendo, nem de perto nem de longe, tão mau como “Bjs”, ainda assim continua a ser muito médio-mau (o que, se de bifes de vitela estivéssemos a falar, seria o ideal, mas, no caso dos beijos, é só profundamente fraquinho);
- Depois, há os apoiantes dos graus aumentativo e diminutivo, e ao passo que “Beijinhos” é mais fofinho e carinhoso, “Beijões” é mais agressivo, mas não deixa de ser amor. Só tenho é um conselho para os apoiantes dos “Beijinhos”, que é: nunca enviem “Beijinhos grandes”. Porquê? Porque um “beijinho” é um beijo pequenino, e ao associar-se a ele o adjectivo “grande”, ele passa a ser apenas um beijo normalíssimo, que, se estiveram atentos ao ponto anterior, é aquilo que não se quer! Portanto, muita cautela na hora de mandar os beijinhos;
- Por fim, há o meu favorito, que considero ser o mais fofinho e carinhoso, que é o “Beijocas”. O “Beijocas” transporta com ele quantidades de amor que nenhum dos outros consegue e, para além de ser uma palavra com uma sonoridade bastante engraçada, dá a ideia de um sentimento acolhedor e caloroso. Aconselho-vos a começar a apostar mais nas “Beijocas”!
No entanto, se por um lado há amor, por outro há desentendimentos. E sim, é desta forma brusca que pretendo passar para a categorização de discussões. Peço desculpa se fui muito bruto na minha transição, mas vocês têm que estar preparados para tudo! Ora vamos lá a isto: na minha opinião, qualquer diálogo que envolva um confronto de ideias já pode ser considerado uma discussão. No entanto, nem todas as discussões são iguais! Para percebermos o calibre da discussão, o que devemos fazer é avaliar as suas dimensões, tendo em conta a força com que ambos os lados defendem a sua tese e o impacto dessa mesma discussão, primeiro a um nível mais individual e, de seguida, mais global. Por ordem decrescente, os tipos de discussão que eu consegui identificar foram os seguintes:
- Grande discussão – Este é o tipo mais mortífero e violento de discussão. É aquele em que ambos os lados defendem afincadamente a sua posição, sem grandes hipóteses de a verem alterada, e costuma envolver assuntos delicados da sociedade, influenciando um grande número de pessoas. Em casos mais extremos, este tipo de discussão assume o nome de “Guerra”. Felizmente, estas são as menos comuns;
- Discussão normal – Estas são, talvez, aquelas que se pensa surgirem com maior frequência. Habitualmente, destinam-se a resolver problemas do âmbito socioeconómico, sendo muito comuns nos meandros da política, mas também se verificam em outros campos. Nelas, os intervenientes não tendem a estar tão irritados como no caso anterior, mas ainda assim há espaço para longos debates acesos;
- Discussãozinha – Talvez a segunda menos frequente, visto tratar-se de uma discussão não tão relevante para os participantes, pois aborda assuntos com alguma a pouca importância. Tende a ser muito confundida com uma normal conversa de café;
- Mini-discussãozinha – Embora este seja o tipo de discussão mais pequeno, a verdade é que é aquele que levanta mais discórdia (ficando apenas atrás das “Grandes discussões”). No entanto, é considerada uma mini-discussãozinha pelo facto de os temas em causa serem, para todos os efeitos, completamente inúteis. Servem de exemplo as eternas questões do ananás na pizza, do leite-com-cereais quente ou frio e, como eu fiz questão de levantar aos 10 de Agosto do ano transato, do Cerelac com leite ou com água.
Por hoje creio ser tudo. Vão lá mandar beijocas e apostar mais nas discussõezinhas, que é para ver se o Mundo melhora! Até para a semana!
