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A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

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Trabalhos de Casa #11: "A minha ida ao médico"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 11.03.23

A doença é uma realidade dura, difícil de se lidar. Estar ou ser doente (que, em Inglês, Francês, etc., seria a mesma treta, o “ser” e o “estar”) não é, de todo, agradável! A doença é, também, um tema que já foi bastante abordado por mim neste fórum, porque a minha hipocondríase a isso obriga. Por isso, hoje trago de novo esta temática. Designadamente, por causa de um texto que eu terei escrito no ano de 2015. Não há dados que me permitam concluir exactamente em que data, mas não interessa! Foi em 2015, e que se lixe! No “Trabalhos de Casa” desta semana, a composição “A minha ida ao médico”:

Um dia eu fiquei doente e perante a situação tive que ir ao médico. Foi o meu pai que me levou e o sítio da minha consulta era na Clipóvoa em Amarante. Eu tinha começado a ganhar pintas vermelhas no corpo e toda a gente pensava que era a febre da carraça.

Fui atendido por uma pediatra que disse:

_Dói-te alguma coisa?_ e eu respondi:

_Não me dói nada. A senhora apontou e fez outra pergunta:

_Quando é que começaste a ficar assim? Eu respondi:

_Foi à pouco tempo. Ela disse:

_Senta-te naquela maca que eu já te vou auscutar. Eu sentei-me, a médica auscutou-me e depois disse para eu tomar um xarope. Fiquei melhor.

Com que então, febre da Carraça, hã? Creio que devo uma explicação: uma altura, como disse, começaram-me a aparecer umas pintas vermelhas por todo o corpo, e isto, naturalmente, preocupou os meus pais. Fui ser verificado uma primeira vez, já não me recordo bem onde, e o médico concluiu que, provavelmente, eu estaria a padecer de “febre da Carraça”. Ora, isto preocupou ainda mais os meus pais e, consequentemente, a minha família. Devo, talvez, informar-vos, caso não estejam a par, de que a febre da Carraça tem uma taxa de mortalidade na ordem dos 2,5%, um número bastante superior, por exemplo, à da gripe, com apenas 0,13%, e ao Sarampo, com cerca de 0,3%. Voltando à história: certo dia, recordo-me eu muito bem - e agora vou falar directamente para a minha tia-avó Cristina (porque sim, eu não tenho medo de dar nomes!) – a minha mãe falava ao telemóvel com a minha Tia Cristina, que também estava preocupada com a situação, ao que esta diz “Coitado do menino! Sabes que a febre da Carraça mata!”. Ora, para um rapaz de 9 anos, ouvir que a suposta doença que ele tem mata, é altamente tranquilizador! Uma pessoa pensa logo: “Bom, nove anos já não é mau! Já sei ler, escrever, contar. As coisas importantes, não é? Mas foi bom, lá isso foi...”. Pode parecer que não, mas dá um novo alento, saber que se pode patinar a qualquer momento! Porém, como eu refiro no texto, numa segunda avaliação, percebeu-se que se tratava de uma simples alergia, já não me lembro bem a quê. No fundo, a situação foi esta. Se calhar agora passava à parte de criticar o meu jovem eu...

Primeiro, gostava de ressaltar o anticlimático, porém interessantíssimo, diálogo travado entre mim e a Sra. Dra. Pediatra:

_Dói-te alguma coisa?

_Não!

_Sentes-te bem?

_Sim!

_Estás assim há muito tempo?

_Não!

_Está certo...

É um diálogo que não tem substância nenhuma. Grau zero de emoção! Há sempre uma inversão de expectativas. Quando se espera que eu vá responder uma coisa, respondo o completo oposto. Essa é uma técnica usada na comédia e no terror, não necessariamente indicada a consultas médicas...

A seguir, há o desfecho. Sinto que tudo acaba muito depressa. Num momento, a médica está-me a auscultar, no momento imediatamente a seguir, já me está a receitar um xarope, e na frase subsequente já estou bem! É uma conclusão preguiçosa! Podia perfeitamente ter falado na minha reacção ao sabor do xarope, que era sempre muito interessante. Podia ter referido o gradual desaparecimento das pintinhas. Mas não, fui indolente ao ponto de não concluir de uma forma bonita. Mas também nunca fui bom com despedidas, portanto é natural que assim seja! Mas sabem o que isto me faz lembrar? As telenovelas. Andam centenas de episódios a engonhar, mas na última semana de emissão, com uma data de pontas soltas no guião para resolver, fazem tudo a correr e terminam aquela porcaria sempre de uma maneira muito preguiçosa: matam o vilão, casam os protagonistas, aparece num ecrã uma mensagem de “X tempo depois”, nascem uns bebés, e fim! É sempre a mesma treta!

E foi assim! Não tenho mais nada para dizer. Até uma próxima oportunidade (eu avisei, que não era bom com despedidas)!

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Posso dizer que sou uma pessoa que tem a mania... das doenças

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 15.10.22

Então não é que houve um homem na Alemanha que mordeu um cão polícia? O quê? Como assim? Hã? É tão, mas tão giro quando coisas do imaginário popular ganham vida! Markl, já tens uma história para segunda-feira! Podes-me agradecer depois.

Eu sei. Eu sei que estavam à espera do quarto episódio dos “Trabalhos de Casa”, mas eu cheguei à conclusão que se eu fizer episódios quinzenalmente isto vai acabar num instante, portanto a partir de agora passará a ser de três em três semanas. A gerência agradece a compreensão!

Por isso, esta semana o que tenho para vos dar é uma canção!... Não, estou a gozar... Venho é pronunciar-me acerca de uma situação de qual padeço, e sobre a qual me é difícil falar: eu, Guilherme Gomes, sou hipocondríaco. Mas não sou daqueles hipocondríacos que nem podem pensar em adoecer! Eu não tenho problema nenhum (tenho, aliás, gozo) em ridicularizar e troçar das doenças e com a hipótese do meu próprio falecimento. No entanto, se notar em mim algo fora do normal, entro logo em parafuso! A crónica de hoje vai funcionar mais como um exercício de storytelling do que outra coisa qualquer, e destina-se a ajudar quem tem dúvidas. Se se identificar com alguma das situações que aqui vão ser narradas, temo que você possa ser um hipocondríaco, e é melhor consultar o seu médico ou farmacêutico!

A primeira história passou-se no Hospital da Luz. Estava na sala de espera, à espera para ser atendido (normalmente é para isso que se está na sala de espera, para esperar) e pus-me a olhar para um dos monitores que eles têm, onde passam vídeos explicativos sobre doenças. Falavam sobre a Osteoporose. Até aqui tudo bem. E eu começo a ler alguns sinais da doença: “perda de altura em 2,5cm” e começo logo a tirar-me as medidas; “ombros descaídos e aparecimento de corcunda” e pumba, Quasimodo; “dores nas costas” e dá-me logo um esticão; “menopausa” e eu penso “Ui, já foste!”. Esta foi a punchline da piada, pois sendo eu um homem, não vou ter menopausa, de maneiras que... não é? Peço desculpa.

A próxima história aconteceu num dia em que eu fui deitar a reciclagem fora. Passo pela caixa de correio, olho lá para dentro e reparo num papel. Tiro-o e percebo que é uma folha A4 com uma fotocópia de um papel escrito à mão de algum revendedor imobiliário com uns contactos, para caso eu estive interessado em vender a minha casa. Amachuquei o papel, deitei-o fora e voltei para dentro. No regresso lembrei-me de uma história que tinha lido dias antes, acerca de um senhor americano que tinha matado uma data de pessoas com cartas com Antrax, e ocorre-me “E se aquele papel estivesse envenenado?”. E, efeito imediato, começo logo a ficar com os braços dormentes, tonturas, uma dor de cabeça agonizante e começo a pensar que vou morrer. O certo é que isto já foi há uns bons meses e ainda estou aqui, por isso acho que não fui intoxicado...

Nesta altura, vocês devem estar para aí a pensar: “Tu és maluco, rapaz!”. E é verdade, sou, mas tenho a quem sair. A genética poderia ter-se encarregado de me fazer como o meu pai, que é um gajo que eu acho que só iria ao hospital para curar uma fractura exposta, e se lhe estivesse a doer muito. Mas não, fez-me como o meu avô. Não vou estar a dizer nomes, que ninguém precisa de saber quem é o Avô Luis, mas o certo é que eu “saio a ele”, apesar de ele ser um bocadinho pior que eu. Por exemplo, ele é daquelas pessoas que fica com aquela espuminha branca nos cantos da boca, de falar muito, e diz que uma ocasião viu não sei onde que isso podia ser um sintoma de AVC, e ficou a acreditar piamente nisso. Pois é, isto quem sai aos seus não é de Genebra... Adeus adeus, amigos meus!

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