Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

O Filho... do Coelhinho

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 08.04.23

O papel higiénico chama-se “papel higiénico”, mas é do mais porco que há! Vocês já viram onde é que aquilo anda?

Amanhã é o dia de Páscoa e, como é habitual sempre que há grandes festividades, eu vou dedicar a crónica desta semana a dissertar acerca dela. Eu acho a Páscoa um bocadinho secante. Porque na Páscoa, não há aquela grande mobilização que há no Natal. Mesmo na cultura popular, a presença das celebrações pascais é mínima. Filmes, só aqueles sobre o muito antigamente, em que até esmurram para lá um homenzito todo, coitado! Músicas, só me lembro do super-êxito “Coelhinho da Páscoa/Que trazes para mim/Um ovo, dois ovos, três ovos assim/Coelhinho da Páscoa/De que cor são/Azul, amarelo e verde-limão”. O que me leva a questionar toda uma instituição desta época: o tal do Coelhinho da Páscoa!

Que género de bicho é este, que é um mamífero e põe ovos? E vocês podem dizer: “Ah, mas e o ornitorrinco? Também é um mamífero e põe ovos!”. E a isso eu respondo: “Mas de chocolate?!?”. É que pôr ovos é incomum, mas não é impossível. Agora, de chocolate... já é mais difícil! Porque, ainda por cima, o chocolate como nós o comemos, que é o que compõe os ovos, é um produto industrializado. Por isso, das duas uma: ou o Coelhinho da Páscoa não existe (o que não me faz muito sentido, porque os meus pais não me iam estar a mentir!), ou os senhores da Regina é que nos mentem, e na realidade escravizam coelhinhos para produção de chocolate! Como se isto já não bastasse, ainda há o problema do conteúdo interno do ovo. Na natureza, os seres que põem ovos fazem-no porque esta é a sua maneira de prolongar a espécie, visto dentro dos ovos estarem as suas crias. Ora, os ovos da Páscoa têm dentro, normalmente, uma espécie de uns bonecos de plástico dentro, eles próprios, de um outro ovo mais pequenino também ele de plástico! A minha questão no meio disto tudo, que creio ser a mais sensata a fazer, é a seguinte: quem é o pai? Se o Coelhinho (que viemos a saber que é uma Coelhinha) dá à luz uns bonecos de plástico, o pai biológico destas aberrações só pode ser um Tupperware, ou assim! Mesmo que se ponha a hipótese de que o Coelhinho se fecunda a ele próprio, porque é mágico, ou o que é, como é que a espécie continua? Como é que não se extingue? De onde é que aparecem novos Coelhinhos da Páscoa? Porque eu não acredito na imortalidade do Coelhinho da Páscoa! É certo que, nesta altura, a época da caça está fechada (e até deve ser por causa da proteção do Coelhinho), mas há sempre malta a prevaricar, e eu tenho a certeza que já houve Coelhinhos da Páscoa a ser servidos com um arrozinho e uma batatinha assada! Para além de mais, andar muitos anos a pôr daqueles ovos grandes da Kinder deixa a cloaca lassa! As galinhas não têm esse problema, que os ovos são pequeninos. As avestruzes têm os ovos grandes, mas também têm três metros de altura. Os Coelhinhos não. São do tamanho de galinhas e põem ovos de avestruz! A menos que o Coelhinho da Páscoa tenha o tamanho de uma avestruz. Mas isso põe outro problema, que é: como é que eu nunca o vi?

Estava eu a reflectir profundamente acerca deste mistério do Coelhinho da Páscoa, quando encontrei aqui em casa um velho livro chamado “Bíblia Sagrada”. Nunca tinha ouvido falar, por isso pus-me a ler, e não é que a ideia que eu tinha da Páscoa não tem nada a ver com a realidade? Pelo que eu percebi, a Páscoa é a celebração da Ressurreição de um senhor, três dias depois de ter sido morto. Do que eu consegui averiguar, este senhor andava para aí a dizer que era filho de Deus, que sabia muita coisa, que nos devíamos amar uns outros, e isto deixou os Romanos fulos. Engendraram lá um plano com o Judas, que era um dos 12 gajos que andavam sempre atrás dele, e mataram-no. Mataram-no, ali, como quem mata, e foram metê-lo dentro de uma gruta. Isto na Sexta-Feira. No Domingo, houve umas senhoras que o foram lá ver, mas ele já tinha ido embora. Falta de educação! Depois até apareceu aos discípulos (que agora até já eram só 11, que o Judas tinha-se posto esticado com uma corda ao pescoço numa árvore. Por isso é que é chato, estarem-no a queimar todos os anos. Coitado do homem!) e tal, e é por isto que se festeja a Páscoa. Depois lembrei-me que sou ateu, arrumei o livro e fui jantar. E foi mais ou menos isto... Até para a semana!

páscoa.png

Trabalhos de Casa #7: "O que representa o presépio para mim"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 17.12.22

Eu sei, eu sei que estavam à espera de outra coisa. Eu sei que os Trabalhos de Casa eram só para a semana, mas pensem: daqui a uma semana é Natal, e eu tenho que fazer qualquer coisa especial. Espero que não fiquem chateados, mas se ficarem também não me interessa... O texto desta semana ainda vem no âmbito do Natal e aborda mais uma das instituições desta época festiva: o presépio. Eu sempre vi o presépio como uma cidadezinha de brincar, quase uma aldeia dos Estrunfes (ou Smurfs, se preferirem), mas com pessoas a sério, logo mais desinteressante. Mas não é que isso interesse, porque a ideia que eu deixo aqui é outra e, como já é habitual, é própria de uma criança de 8 anos. Do dia... não sei, só sei que é de Dezembro de 2014, a redacção “O que representa o presépio para mim”:

Para mim o presépio representa o antigamente de há 2014 anos.

O presépio apresenta uma manjedoura com Maria, José, o Anjo Gabriel a dizer (Glória), e o elemento mais importante, a personagem principal, Jesus Cristo...

Entre eles os três reis Magos, que vieram do Oriente, vieram adorar o menino, que criou a nossa gente.

Em camelos sentados vieram, em camelos sentados foram, a estrela Guia os levou, até o Deus menino os guiou.

Os reis Magos por Herodes foram enganados, ele pediu para eles matarem o menino, mas os reis levaram incenso, mirra e ouro.

Mas na verdade o presépio não é só meia dúzia de bonecos a dizer isso, o presépio representa o nascimento de Jesus e o renascimento da vida.

Muito bem. Primeiro, gostava de realçar o facto de que o presépio representa o antigamente de há 2014 anos. É importante perceber isso. Dizer que é de há 2014 anos não basta, é preciso dizer que é o antigamente de há 2014 anos. Não fossem ficar as pessoas a pensar “Ah, mas é o futuramente de há 2014 anos?”. Não senhor, é o antigamente! “Mas é o anteontem de há 2014 anos?”. Nada disso. É o antigamente de há 2014 anos! Assim é que é. Que é para não haver confusões.

Depois, falo-me dos elementos do presépio. Maria, José, o Anjo, Jesus. Tudo muito bem. Mas então e as duas mais importantes figuras do quadro da Natividade? Onde é que eu falo do Burro e da Vaca? É o falas! É que as pessoas podem não se lembrar, mas estes dois animais de quinta foram essenciais para manter um bom ambiente naquele estábulo. Eles foram o ar-condicionado que impediu o Cristo de apanhar uma pneumonia! Está bem que o puto me nasceu no Médio Oriente, e lá está sempre quentinho, mas não deixa de ser um recém-nascido todo nu, no meio da rua, à meia-noite, no mês de Dezembro! É porque ainda há esta: todo nu! Digam-me lá se a Maria, que era de uma família com posses, não podia perfeitamente ter parado a meio do caminho, que aquilo ainda foi uma viagem relativamente longa, e comprado um body para o rapaz, numa Zippy, ou assim? Podia, perfeitamente. Mas preferiu deixar o miúdo a ser aquecido pelo bafo de uma vitela! Se a CPCJ tem sabido disto, o filho de Deus tinha sido adotado por uma família de israelitas e acabou. Não havia cá nada de pregar o que quer que fosse! Ia para a carpintaria, como os outros, e estava caladinho. E se calhar tinha sido melhor, que ao menos não tinha morrido tão cedo, e ganhava a vida a construir cruzes para pendurar os outros...

A dada altura, dá-me para o lirismo. Ponho-me a rimar “Oriente” com “gente”, “levou” com “guiou”. Mas quem é que eu pensava que era? O Camões? Para além disso, eu pus-me a pensar acerca daquela coisa da Estrela Guia que levou os Reis Magos até ao menino, e tal. E se fosse um drone? Podia ser! E nem me venham com coisas de “Não havia drones nessa altura!”. Para um rapaz que anda sobre a água e transforma água em vinho (o que me põe a pensar: será que se ele, enquanto estava a andar num rio, transformasse a água em vinho, ia ao fundo?), fazer aparecer um drone, como diz o outro, é “peanuts”!

Pronto, ide lá dormir, que daqui já não se aproveita mais nada. Como diria Jesus, “Adeus!”, só que ele diria em Aramaico e eu não sei é falar Aramaico...

Trabalhos de Casa.png