Trabalhos de Casa #5: “Quando estou doente”
Guilherme dos Santos Gomes, 12.11.22
Eu até estava para pegar num texto de uma carta ao Pai Natal que eu tinha aqui no caderno do 3.º Ano, em protesto pelo facto de já andar a passar o anúncio da Popota deste ano (não só porque AINDA É MUITO CEDO, mas também porque eu desdenho a Popota e acho que a Leopoldina lhe dá 15 a 0!), mas encontrei esta enorme pérola! Do dia 27 de Novembro de 2014, um ensaio sobre da doença, do sofrimento e dos jogos de computador, a redacção “Quando estou doente”:
Quando estou doente fico em casa, na cama. Posso distrair-me a ver televisão, ou a ler um livro, mas fora isso só dormindo é que estou bem.
Normalmente é a minha mãe que trata de mim, mas se o meu pai estiver em casa são os dois.
O mês em que eu fico mais constipado é em novembro.
Fico na cama todo o dia, e, só me levanto quando preciso de alguma coisa!
Mas naqueles dias mesmo horríveis, quando estou com diarreia, a vomitar ou mesmo enjoado tenho que ir ao hospital e tomar charopes ou antibióticos que sabem mal e cheiram bem ou a mofo.
Pelo lado positivo, fico na cama, descansado e até posso ir ao computador jogar jogos à Internet.
Espero não ficar mais vezes doente este ano.
Vamos a isto: temos, então, a caracterização do estado de engripado do meu eu de 8 anos. Antes de mais, adoro a certeza com que eu digo que o mês em que fico mais constipado é Novembro. Digo-o como se estes resultados fossem fruto de um estudo, com recolha de dados ao longo de vários anos, que permitisse concluir que sim, o mês com o maior pico de casos de gripe na minha pessoa é o mês de Novembro. Se bem que, e partindo do princípio que eu não levei a cabo estudo nenhum (o que é falso, como acho que já foi possível perceber), os dados que eu apresento, a nível estatístico, estão incorrectos. Segundo o site do SNS, o pico de casos de gripe em Portugal ocorre entre Dezembro e Fevereiro, de maneiras que é possível concluir que o Guilherme de 2014 era um veículo de desinformação desenfreado, chegando, acredito, a representar um perigo maior para a sociedade que os “Médicos Pela Verdade”.
Depois, falo naqueles dias de doença mesmo horríveis, que são, e parafraseando-me, “quando estou com diarreia, a vomitar ou mesmo enjoado”. Repararam na ordem e na ênfase que eu dou a cada um dos sintomas? Tendo em conta a maneira como a frase está formulada, a ideia que passa é que eu ponho a diarreia e os vómitos atrás dos enjoos na tabela dos “Piores Sintomas da Gripe”. Pois, porque estar, como diz o povo, “tonto”, é pior que (e agora desculpem-me, mas vou ser um bocadinho visual) ter o nosso recto transformado nas Cataratas do Niágara!... só que em vez de água, é cocó... se calhar já tinha passado essa ideia, não precisava de ter especificado que era cocó... mas porque é que eu ainda estou a falar no cocó? Vamos seguir em frente, é melhor. O cocó que fique para trás!
Para terminar, eu vejo o lado bom desta situação, o copo meio-cheio (e agora já não estou a falar de cocó), mas abordo-o como se fosse um delito que eu estava a cometer. Porque quando eu estava doente, para além de ficar na cama a descansar, eu chegava até a jogar jogos na Internet! Uh! Que perigo! De repente, o Friv e o 1001Jogos transformaram-se nos casinos de Vegas, e eu num temerário apostador. Ou então não é nada disto, e sou eu que estou a divagar um bocado nas minhas próprias palavras. É capaz de ser mais isso, é... Pronto, ficamos assim. Dia 19 há mais. Beijinhos (ou então, em vez de “Beijinhos”, um sinónimo que estava no Priberam: “Amolgadelas”)!
