Controvérsia de desjejum... e outras refeições
Guilherme dos Santos Gomes, 10.08.22
Muito bom período do dia à escolha! Está tudo? Espero que sim. Aqui há atrasado (também há Pica-Paus e Pipis, mas isso fica para outra altura...) estava a pensar: que é feito de Joacine Katar Moreira? À partida foi só carne para canhão, não foi? Pois... Também foi o que me pareceu. Mas tenho pena dela, coitada. Quase que a consigo imaginar em casa, triste, a ouvir a sua música favorita, que é claramente o "Words" do F.R. David. Porque "Words/Don't come easy to me"... Mas não foi isto que me trouxe aqui. Na realidade, hoje trago comigo indignação. Sim, senhor. Indignação! Sei que é novo para vocês, pelo menos vindo de mim, mas é o que tenho para vos dar. E agora vocês, pequenas mentes curiosas, perguntam: "Ah, e tal, estás indignado com o quê?". E eu respondo: "Com as prácticas de algumas pessoas relactivamente a certos alimentos."... O quê? Não é suficientemente interessante para os meninos, é? Pobres e mal agradecidos, é o que é!
A primeira indignação prende-se com o grau de tostagem (palavra que não existe mas que eu inventei para poder designar esta acção. Se o Mia Couto o pode fazer, porque é que eu não posso?) das torradas. Algumas pessoas - as carecas, rudes e desdentadas (malta de Trás-Os-Montes, vá) - teimam em comer as torradas num nível que, se de um bife se tratasse, seria o cru. Meus amigos, isto não passa de pão quente. Para fazer esta porcaria, mais vale meter as fatias de pão no microondas e comer assim! As torradas querem-se, lá está, torradas. O ideal até é deixa-las estar na torradeira até os serviços de emergência dos Bombeiros serem activados, e depois raspar o carvão acumulado nas superfícies com uma faquinha, mas se eu digo isto aos apologistas do "pão branco" eles são capazes de me falecer para aí.
A segunda é capaz de ser aquela que mais me tira o sono, pois vamos entrar num território sagrado e envolto em muita discórdia: o do leite com cereais. Antes de desenvolver, vou deixar claro que a maneira correcta de fazer cereais é colocar os cereais antes do leite, leite esse que tem que estar gelado. Toda e qualquer opinião contrária a este assunto está, como devem calcular, profundamente errada. Acho até que se devia criar uma espécie de PIDE só para fiscalizar as tigelas de cereais dos portugueses e punir os dissidentes, como é óbvio. Sugiro o nome "Polícia Internacional e de Defesa do Estado Nos Assuntos Relacionados Com Os Cereais de Pequeno-Almoço": a PIDENARCOCPA! Porque ao deitar primeiro o leite na tigela, e pelo facto de ele possuir uma ligeira tensão superficial, os cereais não irão atingir o fundo, pelo menos na sua totalidade, ficando empilhados em cima da camada de leite. Desta forma, nunca sabemos quando parar de deitar os cereais. Pelo contrário, se deitarmos primeiro os cereais, e por eles possuírem entre eles orifícios, o leite entranhar-se-á e ser-nos-á possível assistir ao subir do seu nível até onde nós queremos. A temperatura do leite nem é uma questão! Qual é a propriedade que torna os cereais especiais? A crocância! Em contacto com o leite quente, os cereais transformam-se numa coisa pastosa e nojenta que nem sabe bem. Comer cereais com leite quente é uma coisa bárbara! Filho meu nunca há-de comer cereais dessa forma! "Ai, papá, mas estão 12°C negativos na rua!". Paciência! Tivesses pensado nisso antes de dizer que querias leite com cereais! Eu vou ser um excelente pai...
O terceiro e (que pena) último repúdio do dia não é uma coisa tão falada, mas para mim é preocupante. Chegou-me aos ouvidos que andam para aí uns animais a fazer Cerelac com leite. Hã? Como assim? Cerelac é com água, sempre foi! E nem me venham com aquela do "Mas há Cerelacs próprios que se fazem com leite.". Não. Isso já não é Cerelac! Pode ser Nestum, pode ser Pensal, pode ser Farinha 33, Predilecta ou Amparo, pode ser muita coisa. Agora, Cerelac não é! Já me fizeram enervar, pá!
E agora, chegados ao fim, vocês questionam: "O que é que isto teve a ver com a temática balnear que nos prometeste no início do mês?". Então mas eu agora ando aos vossos toques, é? Afinal quem é que manda nisto? Eu agora, se quiser, faço uma crónica sobre as influências do iluminismo na literatura suevo-judaica da primeira metade do Século XVIII! Só não o vou fazer porque eu prefiro a da segunda metade... Adeus!
