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A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

Fina Selecção de Temas Extremamente Finos

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 09.03.25

Ah, o tempo passa tão depressa! Parece que ainda ontem estava a fazer o meu vídeo sobre como comer cereais e torradas, e já lá vão cerca de 2 anos e meio! Isto ele há coisas do arco da velha, pá!...

Bem-vindos de volta à Psique! Nesta primeira crónica da nova temporada (sexagésima quinta entrada do meu Blog Sapo), vou fazer uma espécie de pot-pourri de temas que eu tenho assentados numa nota chamada “A Psique de Guilherme” (sugestivo nome, não é?), mas que eu considero demasiado curtos para serem o tema central de uma crónica inteira. Portanto, vamos fazer aqui uma mescla de situações…

A primeira situação com que sou confrontado é a seguinte: não há nenhuma comida que seja boa morninha. É uma impossibilidade! É uma situação em que um gajo é confrontado com ela, não é? Está ali a situação, eu estou aqui, e ela diz “Ah, e tal!”, e eu digo “Não é possível!”. Não faz sentido! É uma situação que… não! Não é… As pessoas podem-me vir dizer que “Ah, e tal, que…”, mas não é possível! Não há nenhuma comida que seja boa morninha! Por exemplo, sopa: é boa ou quentinha (um caldinho verde), ou fria (um gaspacho). Não há nenhuma sopa que um gajo diga “Ei, esta sopa é mesmo boa é morna!”. Não há, não existe! Outro exemplo é o chá: o chá bebe-se ou quente (um chá normal), ou frio (ice tea). Morno não faz sentido! Ainda outro exemplo… não tenho mais nenhum. A minha tese vinha muito até aqui… Isto é um brainstorm, não há ideias estúpidas, mas eu sabia que isto não ia propriamente a lado nenhum… Lancei o tema - “comida morna não presta” – e agora é ver a repercussão. Mas, à partida, ninguém me consegue dizer o contrário. Não há um exemplo, não adianta!

Outro assunto que eu queria trazer ao diálogo era o facto de a nossa saliva, quando nós acordamos, ter a consistência de UHU. Particularmente a minha, que eu não conheço as salivas das outras pessoas, mas quando um gajo acorda, a saliva parece que – e eu não sei qual é o processo químico responsável por isto – fica muito espessa, quase grudenta. É uma coisa esquisita, não sei se acumulação de bactérias ao longo da noite ou outra coisa qualquer, mas sei que é estranho. Eu, de manhã, se quisesse colar, sei lá, uma placa de pladur, eu cuspia ou lambia, e aquilo nunca mais saía na vida! Acabou! Basicamente é isto… Próximo tema.

Outra situação que me apoquentava particularmente prendia-se com os filmes que passavam nos canais generalistas de televisão (na SIC, na TVI, etc.). Quando esses filmes tinham um vocabulário mais áspero, um uso mais comum de palavrões - e de forma a que pudessem passar em horário nobre -, os tradutores que faziam as legendas tendiam a substituir esses vocábulos, esse vernáculo, por palavras mais aceitáveis, mais “family friendly”. Um dos meus exemplos favoritos era a tradução que eles encontraram para o termo “Fuck you!”, que foi “Vai bugiar!”. “Vai-te lixar”? Tudo bem! Agora, “Vai bugiar”… Segundo o Priberam, bugiar significa “fazer bugiarias”. O que é que são bugiarias? São coisas próprias de bugios ou macacos, vulgo “macaquice”. Ou seja, o que os senhores tradutores andaram a sugerir estes anos todos era que os actores do filmes de Hollywood andavam a dizer uns aos outros “Vai macacar!”… E é este o país que temos, não é?...

Um outro assunto – e este aqui é mesmo um ódio de estimação meu – que me irrita é a tendência, nalguns restaurantes, que os empregados de mesa (e eles não têm culpa) têm em servir um pouco da bebida no nosso copo. Eu acho isso uma coisa extremamente odiosa, no sentido em que nos retira o livre arbítrio! Não permite que nós tomemos a decisão de encher o copo até onde queremos ou de até nem encher, e beber directamente da garrafa ou da lata! Eu acredito, sinceramente, que os empregados de mesa não fazem por mal. Como disse, eles não têm culpa. Mas às entidades patronais, aos senhores que idealizam a forma como vai funcionar o restaurante, eu digo: vocês deviam falecer com muitas dores! Porque isto não se admite em lado nenhum! Eu, enquanto cliente e enquanto pessoa que vai a restaurantes – restaurantes em que isto acontece, às vezes -, digo-vos: parem de fazer isso! Não é uma coisa desejável! Deixem as pessoas servirem-se à vontade! “Ah, mas é chique!”: eu não procuro chiqueza. Procuro boa comida e bom ambiente! Ouçam o que eu vos digo, a sério. Escutem este senhor, do alto da sua sapiência dos 19 anos: deixem as pessoas servirem-se à vontade!...

Um último assunto que eu quero abordar nesta crónica extremamente improvisada e extremamente mal-amanhada (isto foi mais para aquecer que para outra coisa qualquer, para ver se eu ganho outra vez o ritmo), é a maneira correcta de comer um Magnum. O Magnum é um dos gelados mais famosos da Olá, que consiste numa espécie de um coisinho com um formato meio oval, com gelado de nata ou baunilha, por dentro, e depois coberto com uma crusta de chocolate ou chocolate e amêndoas. O que é que acontece? Há pessoas – e eu já vi isto -, inclusive a minha avó Piedade, que comem o Magnum como quem come um gelado banal: trincam e vão aí por diante. Ora, não é assim que se faz! O método correcto de comer um Magnum é, primeiro, retirar toda a casquinha, deixando apenas um bocadinho no fundo, que é praticamente impossível de tirar antes de comer a nata; depois, comer a parte do interior, o cremezinho; e ter ali aquele aperitivozinho no fim, de crusta de chocolate. Outras formas não fazem sentido, porque não se consegue apreciar o Magnum em toda a sua magnitude…

Pronto, e chegamos ao fim! Falei de temas que nunca tinham recebido o reconhecimento que é meritório, e ainda bem que foram falados aqui neste certame, neste fórum. Queria pedir novamente desculpa pela fraca qualidade, quase amadora, desta crónica. Foi tudo feito um bocado aos pontapés, estou a aquecer, ainda, como disse. Na próxima, as coisas voltam ao normal, voltam aos eixos!

Antes de me ir, queria apenas anunciar uma situação: eu descobri que dá para publicar livros através da Amazon, então publiquei, de forma independente, o meu primeiro livro de poesia. É um livro chamado “Antologia Poética do Jovem Antológico”, que reúne poemas meus mais ou menos entre 2020 e Julho de 2024, que foi quando eu fiz a colectânea. De maneiras que vou deixar o link no final da crónica, e era giro se vocês fossem lá dar uma olhadela e adquirissem, porque eu preciso de comer… Obrigado por terem estado aí e até à próxima!

Link: https://amzn.eu/d/j2shKtP

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Um pouco de poesia...

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 04.03.23

Eu não gosto muito daquela ideia do “Ah! Não se ama alguém que não gosta da mesma canção!”. Eu acho que faria muito mais sentido se fosse “Não se ama alguém que não odeia a mesma canção!”. O amor é muito giro, e tal, mas o ódio tem uma maior capacidade de gerar empatia.

A minha ideia para hoje era algo diferente. Não pretendo analisar um tema, não pretendo expor uma opinião, mas sim mostrar algumas ideias minhas, noutros campos. Desta feita, o que proponho, para esta semana, são alguns ensaios líricos (vulgo poemas) da minha autoria, sobre coisas mundanas. Já agora, não tentem neles achar qualquer significado, porque não têm.

Dito isto, passemos ao primeiro. É um poema muito curto, uma simples quadra, mas que põe uma questão que eu considero algo pertinente. Chama-se ele “Paracetamol”:

Qualquer um gosta de amar
Diz que amar reduz a dor
Assim como um analgésico
Será ele também amor?

A análise é bastante simples: o que o sujeito poético tenta fazer é associar as ideias de redução da “dor psicológica”, levada a cabo pelo sentimento do amor, com a da redução da dor física, que um analgésico proporciona. Após esta correlação, há uma questão, que é “Será que estas duas realidades, pelas suas características, são uma e a mesma?”. Decerto, muito interessante. Passemos, talvez, para uma segunda manifestação poética. Desta vez, chamada “Ouvi-nos, Senhor”. Ei-la:

Um ser religioso

Se prepara para rezar

Pega num terço e se deita

P’ra começar a orar

Eis que entre Avé-Marias

Um ronco se faz escutar

Era o ser religioso

Que decidira pernoitar

Este tipo de oração

Não me inspira confiança

Ressonar não faz a reza

Se não me falta a lembrança

Mas Deus é piedoso

E ajuda quem necessita

Mesmo aqueles que vão pregar

Daquela forma esquisita

Agora, é possível perceber que este é um poema que denuncia uma realidade muito presente na nossa sociedade: as pessoas que adormecem durante o terço. Talvez como resultado do assumido ateísmo do autor, há uma certa ironia na última estrofe, quando este ressalta a ideia da piedade da figura de Deus. Também, muito, muito interessante.

Por fim, proponho aquele que será, possivelmente, uma das minhas obras magnas, o poema “Muco”. A inspiração para ele veio-me num enublado dia de inverno, já tarde, quando vi, na rua, um velho senhor a assoar o seu nariz com um ruçado lenço de pano e pensei “Ali está a minha musa!”. Feito este preâmbulo, vamos ao poema:

Um velho limpa o ranho
Com um lenço de papel
Puxa o escarro
Varre o catarro
Secreção da cor do mel

Acabado de assear
Abre o lenço
Olha, e tenso
Lá o volta a arrumar
Não vá o velho precisar
Mais uma vez, de dar
A profunda fungadela
Para seu nariz limpar

Esta é a coisa dos velhos
Que passam a vida a moncar
A venta moncosa do muco
Para de forma mais idónea
(E de modo a não expirar,
Visto serem já de idades
Avançadas para a idade)
Conseguirem respirar

E terminamos assim o nosso sarau de poesia! Espero que tenham gostado. Eu, pelo menos, esforcei-me para isso. Se não gostaram, ide para o ca...

Fim!

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