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A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

Sacros Relatos Balneares

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 30.09.23

(A acção passa-se num estúdio de televisão. Estão em cena o apresentador e o entrevistado, um velho senhor.)

 Apresentador – Boa noite! Bem-vindos a mais um “Relatos da Vida do Nosso País”. Hoje, temos connosco o senhor João Ezequiel, que nos vai relatar alguns eventos da sua vida. Não é verdade, Sr. Ezequiel?

Ezequiel – É verdade, sim senhor!

Apresentador – Pode-nos contar uma situação, então?

Ezequiel – Com todo o gosto! Ora bem: eu vivi muitos anos no Porto, num convento de freiras, que eu sou consagrado. Uma vez, um padre, que por acaso era um grande amigo meu – bom homem, porte atlético, cerca de 1,85m, mais coisa, menos coisa – vira-se para mim e diz-me: “Ezequiel, vamos à praia.”. E eu viro-me para ele e digo “Vamos, sim senhor, Sr. Padre!”. E fomos. Estávamos os dois na praia quando passa um grupo de garotas, e diz-me assim o Sr. Padre: “Ó Ezequiel, olha que moças tão boas!”. E eu viro-me para o Sr. Padre e respondo-lhe: “São boas, mas não são para nós.”. E qual não é o meu espanto quando o Sr. Padre se vira para mim e, com um olhar feroz me começa a destratar de todas as formas e feitios! Filho desta, filho daquela. Disse-me coisas sobre a minha mãezinha que eu até depois vim a saber que nem eram verdade, nem correspondiam com a realidade da veracidade dos factos! Veja lá a situação!

Apresentador – Realmente, uma situação complicada. Tem mais histórias para nos contar?

Ezequiel – Tenho, sim senhor. Ora, depois daquela situação eu pensei: bom, isto não pode ser assim! Eu aqui não estou bem! E fui viver para os lados de Coimbra, para um convento de freiras – que eu sou consagrado, não sei se já tinha dito. Certo dia, estava eu a podar uns arbustos que havia à frente do convento, e vem um padre, que por acaso era muito meu amigo – costumávamos dormir na mesma cama, por vezes, até – e diz-me assim: “Ezequiel, vamos à praia.”. Eu olho para ele de cima a baixo, que até me arregalei, e respondo-lhe: “Vamos, sim senhor, Sr. Padre.”. E lá fomos os dois. Estávamos na praia e passa por nós um grupo de seis ou sete jovens surfistas, e vira-se para mim o padre e diz-me: “Olha que jovens surfistas tão bons!”. Eu ouço isto e digo-lhe: “É verdade que são bons, Sr. Padre, esse mérito ninguém lhes tira, mas não são para nós!”. O certo é que isto deixou o padre chateadíssimo, e começou-me a tratar mal, mas mal! Mandou-me para sítios que eu, inclusive, desconhecia a existência, e que entretanto já me tentei inteirar de qual é a melhor forma de ir para lá, e até agora muita gente reforçou a ideia que eu devia para lá ir, mas a verdade é que ainda ninguém me soube dar nenhuma indicação clara. Essa é que é essa!

Apresentador – Pois... E há mais alguma passagem que gostasse de nos contar?

Ezequiel – Há, sim senhor! Depois da situação imediatamente anterior, eu pensei de mim para comigo: “Bom, tenho que mudar de ares, que isto assim não pode ser!”, e emigrei para a Alemanha. Alojei-me num convento de freiras – que eu sou consagrado – e estava tudo a correr muito bem. Determinado dia, estava eu na sanita a fazer o que mais ninguém pode fazer por nós, e entra um padre, que era um grande amigo do coração – e inclusive, campeão regional de fisiculturismo, que aquilo tinha um glúteo de dar inveja a qualquer um – e diz-me: “Ezequiel, vamos à praia.”. Eu olho-o bem fundo nos olhos dele e digo-lhe assim: “Vamos, sim senhor, Sr. Padre. Deixe-me só acabar de limpar o cu.”. Creio que foi assim que eu disse. E lá fomos à praia. A dada altura, passa por nós um bando de gaivotas, e o padre sai-se com esta: “Ezequiel, olha que gaivotas tão boas!”. E eu recebo isto com algum espanto, que nunca tinha ouvido um padre com aquele tipo de conversas, e respondo-lhe: “São boas, devo dizê-lo, mas não são para nós!”. O padre olha para mim horrorizado, como se eu lhe tivesse chamado corno ao pai ou vaca à mãe, e começa a chamar-me de cada coisa, que eu até fiquei parvo a olhar para aquilo! E ainda por cima em Alemão, que é uma língua em que tudo fica a parecer mais agressivo, inclusive o “Ich liebe dich”!

Apresentador – São histórias intensas, lá isso são. Estamos quase a terminar. Tem mais alguma que nos possa contar, para fecharmos?

Ezequiel – Tenho mais uma, tenho. Posso?

Apresentador – Pode.

Ezequiel - Pronto. Alguns anos depois de ter emigrado, cansei-me daquilo, e voltei para Portugal. Quando voltei, fui viver para um convento de freiras, lá para os lados de Sesimbra – que eu sou consagrado, não sei se o senhor sabe. Uma ocasião, eu estav... não, minto... (hesita uns segundos) não, exacto... eu estava, e veio um padre, que era muito meu amigo. Dávamo-nos muito bem, costumávamos jogar às escondidas todos nus, pelo convento; volta e meia ele lá me fazia um exame à próstata, que ele dizia que sabia (e sabia, deixe-me que lhe diga!), tudo muito bem! Veio o senhor padre e disse-me: “Ezequiel, vamos à praia.”. Tentado por este convite, eu vi-me quase obrigado a dizer: “Vamos, sim senhor, Sr. Padre.”. E fomos. Passado um bocadinho de lá termos estado, passa à nossa frente um grupo de crianças do grupo coral da paróquia, e diz-me assim o Sr. Padre: “Olha que crianças tão boas!”. E eu viro-me para ele, espantado, e respondo-lhe: “É verdade, Sr. Padre!”.

Apresentador – É só isso?

Ezequiel – É. Que mais queria o senhor que fosse?

Apresentador – Nada, nada. Foi o nosso programa de hoje. Obrigado por terem estado connosco! Até para a semana!

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Em Jeito de Notas Finais...

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 28.08.22

Olá! Estou de volta! Fiz muita faltinha, eu, não fiz? Não? Ai é? Nesse caso, acabamos por aqui. Até à próxima!

Coisas houve que ficaram por dizer. E é por essa razão que hoje vos trago um compilado, uma colectânea, um sortido rico de temas que, ainda que sem muito espaço para desenvolvimentos, têm um grande valor e não merecem ser descartados. Que é para ver se nos despedimos de vez da “Temporada Parva 2022”! Vamos lá, então.

  • Guarda-Sóis: Muito há para dizer sobre este imprescindível item de mobiliário balnear, que não raras vezes representa um enorme perigo para os veraneantes, quando decide soltar-se das amarras do areal e, qual pára-quedas, voar por aí em busca de ânus para empalar. O medo que eu tenho destes meninos! Muito comummente são também um objecto publicitário das mais diversas marcas de bebidas, automóveis, mas predominantemente de cafés. Os senhores da Delta devem ter um departamento apenas dedicado ao fabrico de chapéus-de-Sol. Eu é que não faço a mínima ideia de onde se arranjam estes chapéus! Nas lojas da especialidade não é, de certeza. Será que há um dealer estacionado à beira-praia numa Ford Transit branca cheia de chapéus com anúncios? Eu normalmente não falo para eles, mas vou ver se o começo a fazer!
  • Bolas-de-Berlim: Ah, a Bola-de-Berlim! Esplêndido vívere! Não sei quem foi o génio de cuja cabeça saiu esta maravilhosa invenção, mas o certo é que hoje ela já é mais Portuguesa que Alemã. A tradição de comer Bolas na praia é 100% Lusitana! Li no outro dia na Internet. E quem é o responsável por trazer até nós o mais relevante alimento da dieta do veraneante? O empreendedor da praia, o caminheiro do areal, o mago do colesterol: o senhor das Bolas-de-Berlim. Eu fico mais arrepiado quando ouço o bordão “Olha a Bolinha de Berlim! Com creme, sem creme. Com chocolate, sem chocolate.” do que quando ouço o Hino Nacional. A estes homens que trabalham de Sol-a-Sol, que arriscam a pele por uma causa maior, o meu obrigado! Esta coisa da pele serve agora de ponte para o próximo tema.
  • Escaldões e suas implicações: As queimaduras são chatas, são sim senhor! E é por isso que a DGS aconselha o uso de Protector Solar Factor 50+. “Proteja a sua pele, salvaguarde a sua saúde!”. Agora que acabou o bloco institucional, vamos continuar. E chamo a atenção para este assunto, acerca do qual não tenho muito para dizer, por uma e apenas uma razão: o turista Inglês. Sim, aqueles que andam sempre com meias brancas e sandália Franciscana, e têm um sotaque muito afectado. Esses mesmo! Porque o Inglês (e o Nórdico, em geral) é um bicho que não bronzeia, grelha. Nunca ninguém viu um Britânico com uma tonalidade de pele acima do "Magnólia Natureza BN10 / código de cor: #f3e2cb" do pantone da Robbialac! É impossível! Os Bretões têm o mesmo espírito que São Lourenço, padroeiro dos grelhados e dos humoristas. E agora um pouco de história: rezam as lendas que São Lourenço (à época só Lourenço), aquando da sua condenação à morte na grelha (que devia ser uma tortura espectacular!) se virou para o carrasco e proferiu, antes do seu último suspiro, as espirituosas palavras “Pode virar, que deste lado já está!”. Genial! Por isso é que todos os anos surgem nas redes sociais centenas de fotos de Britânicos com padrões pouco ortodoxos no lombo. E tem graça, não vamos mentir, até porque não é connosco. Pena é que estas tatuagens tribais do cancro da pele não sejam definitivas, que era para ver se as pessoas ganhavam consciência de uma vez por todas e começavam a pôr a porcaria do Protector ao invés do Bronzeador!

Está feito. Faltou-me apenas falar de um fenómeno: o das toalhas de praia com fotos de jogadores da Seleção. Mas este é tão mau, tão mau, que é bom, que é mau. Portanto foi isto, a Silly Season. Foi fraquinho, não vou mentir... Mas pronto, o que é que a gente há-de fazer? É o que temos! Até Setembro, acho eu!

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Como os Meteorologistas do Quotidiano Levam a Cabo a Exaltação do Óbvio

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 12.08.22

Esperem aí, deixem-me ver se entendi: ainda não chegamos a meio de Agosto e o Continente já está a anunciar o Regresso Às Aulas? Calma, chavalo! Qual é a pressa?

Hoje trago-vos mais dois fenómenos interessantíssimos que eu pude observar nas minhas deslocações ao litoral (que não foram muitas, mas foram boas). A primeira tem que ver com uma redundância e a segunda está relacionada com a indecência e a própria imundice. Ficaram curiosos, não foi? Imaginem se eu decidisse acabar o texto por aqui. Iam ficar tão augadinhos, os meninos. E os suicídios que ia haver! Mas não se preocupem, que eu não vos faço uma coisa dessas...

O primeiro fenómeno é o das pessoas que vão à praia, no pico do Verão, e dizem "Ui! Que calor!". De que é que eles estavam à espera? De encontrar pinguins a correr na Caparica? Malta a esquiar nas dunas de Salir do Porto? Um campeonato de patinagem artística em Benagil? Se estão a ir à praia em Agosto, é mais do que normal que esteja calor. Ou iam estar 38ºC no paredão e, ao avançar para o areal, a temperatura caía para os 16ºC? O problema é que se isto acontecesse, toda a gente ia dizer “Ai! Está fresquinho ou é impressão minha?”, porque nós nunca estamos satisfeitos com nenhum estado do clima. Se está calor, é porque está calor. Se está frio, é porque está frio. Se está um tempo ameno, confortável, nem muito húmido nem muito seco, e corre uma brisa suave de nor-noroeste, é porque está um tempo ameno, confortável, nem muito húmido nem muito seco, e corre uma brisa suave de nor-noroeste! Aposto que isto é gente que vai à praia com o mesmo espírito que todos os anos leva a comunicação social a desenterrar a Maddie: a esperança que aconteça um milagre. Só que no caso dos veraneantes, isso apenas seria possível durante a Idade do Gelo; e no caso da Maddie, era preciso procurar numa arca congeladora... Esta piada serve mais para filtrar o pessoal que chegou à página agora. Se se sentiram indignados ou até indispostos, o melhor é irem puxar os “Malucos do Riso” para trás, que isto é capaz de não ser o ideal para vocês...

O outro apontamento que tenho para hoje está relacionado com as pessoas que usam os sete mares como WC. Este é um acontecimento mais comum do que se pensa, porque dá-me ideia que as pessoas gostam de fazer xixi para as Américas, ou o que é. Se na crónica “Anatomia de Poseidon” eu vos chamei a atenção para aqueles senhores que se plantam à beira-Atlântico e dali não arrancam pé, agora peço-vos para que reparem naqueles que mergulham só até à linha da cintura. Estes costumam ter um comportamento estranho, muito motivado pela emergência que é uma bexiga cheia. Habitualmente avançam destemidos pelo mar, conferem se não há ninguém em volta, e começam o processo. É possível dizer com certeza quando é que a excreção da urina começa, pois os mijões colocam uma expressão de extrema satisfação e prazer que não engana ninguém. E também pela tintura meia amarelada com que a água fica. Isto até acaba por ser algo que, embora repugnante, confere um enorme conforto, não só pelo alívio que é causado pela libertação desta secreção renal, mas porque a área circundante a estes urinadores implacáveis fica consideravelmente mais quente. Ninguém me tira da cabeça que é destes génios que nós precisamos a governar o nosso país!

E pronto, depois de falar de pleonasmos, micções e crianças desaparecidas, acho que não tenho mais nada a acrescentar. Resta-me desejar-vos felicidades e enviar-vos um beijinho, mas daqueles bastante sonoros e humidozinhos, está bem? Vá, continuação!

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Anatomia de Poseidon

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 06.08.22

Salut! Comment ça va? Peço desculpa. É o espírito do emigrante que já se vai apoderando de mim. Afinal, estamos no Querido Mês de Agosto (que, de resto, ainda irá merecer um apontamento, um destes dias).

Estamos de volta à nossa costa, desta vez para observar o fenómeno das pessoas que "vão à água". Porque ir à água é uma coisa importante. Envolve sacrifício, coragem e a despedida dos entes, porque se pode dar o caso de nunca mais voltar. No caso português, a água do mar costuma estar à temperatura ambiente... de Yakutsk! Que frio, senhores! Alguém que faça queixa ao senhorio, que a caldeira do Atlântico está avariada. Porque é que o raio da água não aquece? No Inverno até compreendo, agora no Verão? Estão 40ºC à sombra! Aquece mais rápido uma garrafa de litro e meio dentro da geleira Campingaz de uma família de veraneantes do que o mar a céu aberto.

Estas desumanas temperaturas motivam, como era de esperar, certos e determinados comportamentos curiosos por parte das pessoas. Aquelas que entram no mar até ao pescoço sem hesitar são vistas como valentes. Diz o povo (e peço desculpa pelo que se segue, mas é a terminologia correcta) que "têm tomates"! Eu digo que não. É justamente o contrário, porque quem os possui sabe da dificuldade que é submergir o corpinho a partir da coxa. Parece que os nossos amigos tentam achar refúgio junto do estômago, o que não é uma sensação propriamente agradável. Rezam as lendas que, por exemplo, Lance Armstrong não padece deste problema. E não, não é por causa da droga...

Com certeza que por vezes já devem ter reparado que, à beira-mar, estão sempre homens plantados, de mãos atrás das costas, a olhar para o infinito. Vocês acham o quê? Que eles estão a contemplar o horizonte? Não! Estão é a ganhar coragem para penetrar oceano adentro! Até porque aquele horizonte não tem assim tanto interesse como dizem: "Olha, água! E ali, mais água! E para acolá, o que é? Parece... Até parece que é... é água, mais água!...". A água já não nos devia fascinar como se estivéssemos no século XV, pois não? E ali ficam, horas e horas, com a pele das costas a estalar por causa da exposição solar. E só começam realmente a andar em frente ou quando o mar sobe e lhes atinge o baixo-ventre; ou quando olham para baixo e têm as tíbias à mostra, por causa da erosão causada pela ondulação a bater nas pernas.

Outro fenómeno associado ao nadar no mar é o "Efeito Croquete", de que eu me esqueci de falar no meu Manifesto Anti-Areia. O "Efeito Croquete" sucede quando, vinda da água, uma pessoa se deita no areal, ficando coberta de cima a baixo em areia. A ideia que dá é que ela acabou de ser panada, assemelhando-se por isso a um croquete. Que deleite para os canibais! Isto é o pináculo do desconforto causado pela areia, porque se sozinha ela já tem propriedades aderentes, aliada à água cria uma espécie de uma liga tão potente, que nem com uma Mangueira de Bombeiro na máxima pressão é possível remover!

Há ainda outro tipo de pessoas, que são aquelas que não vão à água. Estas são as mais racionais, inteligentes e responsáveis... Se eu costumo ir ao mar? Pouco. Porque perguntam? Não estão a insinuar que eu estou a ser parcial ao categorizar este tipo de pessoas como sendo as melhores, pois não? Espero.

Au revoir!

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Sand Wars: O Opúsculo Contra-Ataca

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 02.08.22

Sabem aquela situação em que vamos na rua, e aparece um meliante armado com uma navalha a pedir-nos a carteira? Pois, eu também não!

Olá, como estão? Tudo bem? E a família, vai boa? Ainda bem. Eu avisei que só ia aparecer em Agosto, e assim o fiz. Pena que seja com uma notícia não muito boa: fui à praia!... Eu sei, eu sei que disse que detestava lá ir. No entanto, fui numa vertente mais investigativa que outra coisa qualquer, e acabei por reparar que na minha anterior publicação olvidei muitos factos inerentes à praia, e que são importantíssimos! Por essa razão, e por ter constatado que ainda há muito material no qual chafurdar, durante o mês de Agosto pretendo enveredar por composições com uma temática mais naval (tipo as colecções da Quebramar), fazendo uma espécie de série de fascículos coleccionáveis sobre tudo o que engloba as praias (mas se me apetecer escrever sobre outra coisa qualquer, acreditem que o farei, porque eu tenho um espírito muito anarquista!). Vamos começar com o tomo 68 (depois vocês lá organizam por ordem crescente), subordinado ao tema "Gutenberg e o Veraneante Comum"!

É comum ver-se, nas nossas praias, veraneantes com publicações lúdicas e/ou informativas. Regra geral, estes magazines são um dos três tipos que passo a listar:

  • Jornais desportivos - Sim, nunca meramente informativos. Sempre "A Bola", o "Record" ou "O Jogo". O público alvo, ou pelo menos aquele que é comum ver a ler isto, são os homens, normalmente reformados e veteranos de guerra (que no caso português não são desmembrados nem tampouco medalhados, mas senhores com uma tatuagem de um coração abaixo do ombro. Que queridos!). Como eu não percebo nada de futebol (e desporto, em geral. Mesmo danças, e assim, não são o meu forte. Tudo o que envolva mexer o corpo e suar não é comigo, mas acho que isso dá para perceber ao olhar para mim), e isto foi mais um pretexto para poder falar do veterano de guerra lusitano, vamos passar para o próximo.
  • Revistas Cor-de-Rosa e de Mexericos (ou fofoca, como dizem os nossos irmãos Brasileiros) - Este tipo de revista tem uma enormíssima tiragem nos meses das Férias Grandes. Há mesmo dados que apontam para este facto. E não é por acaso. Na verdade, ninguém quer gastar quase 3€ na Lux ou na Nova Gente, mas que remédio! Não há nada melhor para fazer na praia do que ver onde estão de férias os famosos e pensar "Porque é que eu não nasci como Georgina?". E acabadas férias, como o português comum se recusa a deitar fora algo pelo qual deu uma tão grande fortuna, leva as revistas para casa. Antigamente, iam direitas para o Porta-Revistas de Casa de Banho (melhor invenção de sempre), mas com o declínio deste interessantíssimo item de mobiliário, começaram a ser transladadas para a mesinha de centro da sala-de-estar (o que é extremamente higiénico, principalmente nos casos em que sala-de-estar e de-jantar são um e o mesmo compartimento. *cof-cof* E. coli *cof-cof*). Habitualmente, os números destas revistas encontram-se distanciados cerca de 52 semanas.
  • Revistas de Palavras-Cruzadas e Sopas-de-Letras - Tinham que figurar aqui. Porque são estas que mantêm os quiosques de beira-praia abertos. E estas vendem melhor que os outros dois tipos porque os designers das capas são verdadeiros génios do marketing! Devem ser os mesmos gajos que inventam os nomes das operações da PJ. Pegando, por exemplo, na Cruzadex. Tem elementos atractivos para todo o tipo de públicos: para o cidadão comum, o interesse geral por jogos mentais; para os intelectuais, o autoproclamado "Desporto Cerebral"; e para os gajos, as moças muito bem-parecidas (que quando são celebridades não podem estar a olhar para a objectiva da câmara!). Estes últimos costumam apanhar uma enorme desilusão ao folhear a revista... Ao contrário dos outros, este tipo de periódico têm a óbvia vertente prática. As canetas de "Em Fátima Rezei Por Ti" que receberam três meses antes servem para agora resolver estes quebra-cabeças (algo que também pode acontecer àqueles valentes que olham para as escadas da praia e pensam "Nã'... Eu vou subir pelas pedras").

Há também aqueles que levam mesmo livros para a praia, mas esses nota-se que estão confusos e não pertencem ali. Declaro, portanto, encerrada a crónica de hoje! Para a seguinte, dou só uma pequena dica: testículo. E mais não digo...

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Manifesto Anti-Areia

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 29.07.22

O mês de Julho vai chegando ao fim, o que significa que nos aproximamos a passos largos da comummente designada "Temporada Parva". Porque em Agosto parece que não acontece nada. É um mês parvo, lá está. E é a época em que cerca de toda a população do nosso país migra para as zonas costeiras, coisa que eu não entendo. Não entendo, talvez porque nada no imaginário do "fazer praia" me fascina. Pelo contrário, só me repele! Não sou especial apreciador do calor, prefiro o Inverno. Não gosto da sobre-população nas praias do nosso país. Se eu vou para lá é para estar relaxado, não para ter duas famílias que vão para a praia de armas e bagagens dos meus lados, e acabar entalado entre um gordo e um Tupperware com rissóis (santa paciência!). E para além disto (e agora é pessoal) nutro um profundo ódio pela areia. Ah, como eu repudio essa porca! A areia é uma coisa tão, mas tão desagradável, que eu não entendo como é que ainda ninguém teve a ideia de cobrir o areal das praias com soalho até à costa. Para que é que serve a areia? É uma coisa tão fininha (porque sim, não tenho problema nenhum com aqueles seixos enormes que compôem o chão dos primeiros metros de mar) e incómoda, que se entranha em tudo o que é sítio e fica colada em nós. Melhor que UHU! Uma das piores experiências da vida de uma pessoa é chegar a casa, vinda da praia, e constatar que arrastou metade do areal com ela nas virilhas. E o pior é que a areia padece da "Síndrome de Confeti": se contactarmos com ela uma vez que seja, não nos vai largar para o resto da nossa existência! Só em jeito de exemplo, no outro dia deixei cair o meu telemóvel numa das frinchas de um banco do carro do meu pai, meti lá a mão para o ir resgatar, e vim com ela cheia de areia! Como assim? Aquele carro já não vai até à praia há anos, já foi limpo várias vezes no entretanto, e no entanto... E mais: comer na praia. Missão impossível! Eu pessoalmente não sou muito fã de estar na praia a comer uma Bola-de-Berlim e descobrir que afinal é uma sande de queijo, e que aquilo que eu pensava ser o açúcar é, na realidade, a maldita da areia...

Eu acho sinceramente que os Governos de todo o Mundo se deviam reunir e arranjar maneira de acabar com o legado de tirania deste conjunto de partículas de rochas degradadas, um material de origem mineral finamente dividido em grânulos ou granito, composta basicamente de dióxido de silício, com 0,063 a 2 mm!

Foi por todas estas razões que eu escrevi, há cerca de coisa de um ano, um poema que relata o trágico destino de um veraneante que, despreocupado, foi passar um dia à praia. Ei-lo:

Fui passear
Para uma praia lotada
Muita gente, emproada
Para cá e para lá

Meti os pés
Naquela areia escaldante
Saltei logo, e de rompante
Soltei um sonoro "Ah!"

E disse à areia:
Ó areia, cuidadinho
Que queimaste o meu pézinho
E ainda me está a doer!

E a areia disse:
Já cá estava, ora essa
Vai para a praia de Leça
Sai daqui, vai-te... lixar

Pus a toalha
Não quis saber do aviso
Fiquei todo nu na praia
Pois queria ficar moreno

Mas a areia
Vendo-me assim, desatento
Aproveitou o momento
Eu provei do seu veneno

Ao levantar
Senti um grande arranhão
Uma grande comichão
Uma coisa muito feia

Quando fui ver
Nas virilhas, nos sovacos
Em tudo o que era buracos
Podia encontrar areia!

 

E é desta forma solene que eu me despeço de vós (em princípio até Agosto, mas como eu posso ter uma ideia a qualquer momento nunca se sabe). Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye!

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