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A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

Dialectos de Acomia

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 10.05.25

Olá, amigos! Como vai essa vida? Extremamente turbulenta e coiso e tal? Ainda bem! Estava no banho, no outro dia, e ocorreu-me a questão de “Como é que os carecas tomam banho?”. Isto no sentido do cuidado capilar (ou da sua inexistência). Porque eu não creio que seja necessário qualquer tipo de champú para o couro cabeludo, acho que aquilo com um bocado de gel-de-banho passa bem, mas também não estou inteiramente convencido de que não exista qualquer tipo de producto especializado para esse fim. Se de facto se confirmar a ideia de que vai tudo a eito com uma esponjinha, então ser careca compensa, em termos financeiros, e talvez ponha essa hipótese em cima da mesa. Caso contrário, não. Então fui pesquisar. E, meus amigos, existe, de facto, uma miríade de productos para aplicar na careca de um careca! Desde limpadores do escalpe, até esfoliantes, productos para barbear a cabeça, bálsamos nutritivos, e mesmo loções matificantes (que servem, como o próprio nome indica, para embaçar a careca de um careca – o que, de facto, era uma preocupação gigantesca, até porque acaba por ser mais producente investir na redução do brilho do calvo cocuruto do que em pálas anti-encadeamento. Bem jogado, senhores da La Roche-Posay!), os mona-lisa têm à sua disposição um vasto leque de artigos para nutrir e sustentar a sua árida pinha.

No meio desta profunda reflexão, apercebi-me, mais uma vez, do quão assombrosa é a perspectiva da calvície para o sexo masculino. Porque eu estimo – e muito! – a minha farfalhuda penugem, e a mera sugestão de, potencialmente, vir a ficar sem ela, tira-me noites de sono! Sem desprimor para os nossos camaradas calvos, que lutam diariamente contra este flagelo, a verdade é que um homem com cabelo é um homem com classe. E eu quero ser um grisalho com classe! Além de que as cabeças raspadas estão muitas vezes relacionadas com certos grupos e facções que condeno, repudio e com as quais não faço a mínima questão de ser associado, como é o caso dos “Skinhead”.

Estes absolutos mentecaptos (vulgo “grandes bestas”), que em Portugal se fazem representar, principalmente, pelo grupo neonazi 1143, uma facção da Juve Leo, têm a tendência de rapar a cabeça, segundo a Internet, “para não serem facilmente identificados pela polícia”, o que até acaba por nem ser muito inteligente, que assim os polícias já sabem que é para prender os meninos que não têm cabelo. Se querem saber a minha opinião, eu acho que é pura e simplesmente para intimidar as pessoas, porque sempre ouvi dizer que, aparando, se fica com a impressão de que é maior… Para se ver a relevância que este pormenor estético tem na vida destes grupos, para além da óbvia referência no termo que os descreve, há também duas passagens na página de Wikipédia dos 1143 sobre isto da calvez: a primeira é a alcunha que era dada a estes pacóvios dentro da Juve Leo, “os carecas”, e a segunda a uma situação em Alverca em que um jovem negro com uma camisola do Sporting foi pontapeado por um, lá está, “careca”.

No meio desta lamaceira toda, surgem também os monges budistas, outro monte de carecas. Desta vez, a “tonsura” – ou raspagem da cabeça – representa a abdicação da identidade social e do apego aos prazeres do mundo. Ora, a impressão que me dá é a de que a tendência de um grupo em repetir uma certa prática, e entrando isso no mainstream, acaba por levar à criação de uma identidade própria, que é justamente aquilo de que eles querem abdicar. Mas essa também é uma tarefa ingrata, porque mesmo que cada um deles usasse um corte de cabelo diferente, passariam invariavelmente a ser conhecidos como os “Gadelhudos do Tibete”, e teriam de seguir os ensinamentos não do Buda, mas do Jubas, que é quem? A mascote do Sporting! É ou não é espectacular?

O que eu acho que se impunha neste momento era a criação de uma modalidade (que eu sempre ouvi dizer que o Sporting é bom é nas modalidades) - que até se podia chamar “Calvoeira”… ou “Carecaté”… ou mesmo “Ailiso”… as possibilidades são infinitas! – em que se punha, de um lado, skinheads, e do outro, monges budistas, e era ver quem ganhava. Eu tenho cá para comigo que seriam os budistas, porque os broncos dos nazis iam logo para a porrada, só que os monges, que têm uma presença de espírito e uma calma gigantescas, não lhes iam passar cartão, e eles iam acabar por ser vencidos pelo cansaço. Até era bom, que assim podia ser que acalmassem só um bocadinho! Só que depois saíam dali, percebiam que tinham levado na boca de um monte de estrangeiros, e ainda extraviavam mais. Se calhar é melhor estarmos quietos. A melhor solução ainda é cadeia com eles, que a nossa Constituição é bem clara no que toca à apologia ao fascismo… Até à próxima!

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