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A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

A Psique de Guilherme

Dissertações acerca de temas vários levadas a cabo por um adolescente com, nota-se, demasiado tempo nas mãos e opiniões, e assim... A Blogosfera vive!

Trabalhos de Casa #16: "A bruxa Mimi"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 04.11.23

Este texto tinha sido pensado para a crónica da semana passada, de 28 de Outubro, mas na impossibilidade de a ter conseguido concluir, fica para hoje, daí haver certas referências a situações futuras que, de momento, são passadas. Era só isto que tinha para vos dizer: Hallo, pessoas! Como têm passado, nesta última semana? Bom, não interessa... Vamos a isto! Com o Halloween à porta, senti que faria algum sentido apresentar-vos um “Trabalhos de Casa” especial de dia das Bruxas. E que texto melhor do que um, exactamente, sobre uma bruxa? E é isso que tenho para vocês! Do dia 30 de Outubro de 2015, novamente fazendo parte da rubrica “Onde me leva a imaginação”, a composição “A bruxa Mimi”:

Era dia 30 de outubro e a bruxa Mimi estava a decorar a casa. Ela precisou de ajuda e fez uma magia:

_ Varinha minha, ajuda-me na decoração desta enorme mansão.

E num ressalto, a mansão ficou toda bonita. Já de noite, a Mimi foi deitar-se. As bruxas más, como não gostavam da Mimi, puseram mãos à obra e destruiram as decorações todas.

A Mimi acordou às 7h da manhã para ir fazer a comida, e viu que as decorações estavam todas rasgadas e partidas. Ela teve uma ideia: ir consultar a bola de cristal e perguntou-lhe:

_ Quem destruiu as minhas decorações?

Na bola apareceu a imagem das bruxas más. A Mimi pensou num plano. Ela fez um bolo com a pior coisa para as bruxas más: a bondade. Deixou o bolo na mesa e esperou.

Elas chegaram e a mais velha esmagou o bolo com um martelo. Mas, subitamente, a bondade espalhou-se e ficaram todas boas.

 

Aquilo que nos é contado é a história de Mimi, uma bruxa boa e amante do Halloween, a demanda por decorar a sua enorme mansão para esta data e as bruxas más, que se dão ao trabalho de arruinar o seu trabalho. Uma das coisas que me deixam algo confuso é o facto de a Mimi conseguir decorar a casa toda apenas com um estalar de dedos, fazendo uma magia ou o que é, mas de as bruxas más terem mesmo que pôr “as mãos à obra” para destruir a casa. Quer isto, portanto, dizer, que a Mimi é muito mais poderosa do que as outras bruxas. Nesse caso, e a ser verdade, havia mesmo necessidade de andar a perder tempo a fazer um bolo com “bondade”, quando podia perfeitamente tê-las parado apenas com um abracadabra? Porque essa é outra! Como é que se faz um bolo com uma característica humana? “Hum, este bolo está mesmo bom! O que é que leva? Altruísmo? Lealdade?”. Não é assim que funciona! Por esta ordem de ideias, os bolos que saem mal feitos devem ser aqueles com demasiados defeitos à mistura! Às tantas, o problema de os bolos baixarem não é da falta ou excesso de fermento: é do Pessimismo! Porque agora, por acaso, gostava de saber onde é que se podem comprar estas virtudes! Será que existe algum género de “Adjectivaria” onde se vendem destas características a granel, tipo charcutaria? São as questões que ficam e às quais ninguém tem a coragem de responder! Quem é que está por trás da candonga das qualidades? De certeza que isto são coisas que não se quer que se saibam, não é, Sr. Jerónimo Martins? Onde é que se posiciona o Pingo Doce no meio desta problemática toda, hein? O que é que levava aquele bolo que foi entregue na sua casa na última Quarta-Feira, por volta das 18:37? Bom, cala-te boca, que da maneira como andam os ânimos exaltados, qualquer dia matam-me à esquina de uma rua!

Mudando bruscamente de tópico, mas não abandonando o tema, vou fazer, porque me apetece, um “throwback” (que é como quem diz “recordar uma situação que já sucedeu”) até à crónica “Terror de Perdição”, do dia 29 de Outubro de 2022, para lhe acrescentar um pormenor. Se estão recordados, nessa crónica falou-se de filmes de terror e eu, em jeito de exemplo, referi o nome de várias sagas, entre elas a dos “Jogos Mortais”. Ora, na realidade, a categoria em que estes se inserem é, não a de “terror”, mas sim a de “horror”. E qual é a diferença entre estas duas? Em termos bastante simples, o terror apela àquilo que é o medo, e o horror mais àquilo que é o nojo, propriamente dito. E pronto, era só esta errata que eu tinha a apontar. Por hoje, vamos ficando por aqui. Obrigado por terem estado desse lado. Até para a semana!

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Trabalhos de Casa #15: "O Sol e a Chuva"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 07.10.23

Muito bom dia, gente linda, gente boa do meu coração! Cá estamos, mais uma vez, em mais uma semana de crónicas daquelas mesmo boas. Pfff... Quem é que eu quero enganar? Não, isto não é a “Coisa Que Não Edifica Nem Destrói” do Ricardo Araújo Pereira! É a Psique de Guilherme... Na realidade, trata-se do episódio de estreia da segunda temporada da rubrica favorita da Psique: os “Trabalhos de Casa”! Uh! Espectacular! Não é espectacular... É medianozinho, vá! É só muito mais ou menos, mais p’ra mal do que p’ra bem! É um pequeno pólo de entretenimento no meio deste imenso oceano que é a Internet, é certo, mas isso também os vídeos de adolescentes a comer cápsulas de detergente Finish no TikTok! O público, decerto, não será o mesmo, mas acaba por cair um bocado na mesma categoria! Dito isto, vamos começar esta pândega! Entrego-vos, nesta volta dos Trabalhos de Casa, o texto que escrevi no dia não-sei-quantos de Fevereiro de 2016, no âmbito da já tão conhecida série “Onde me leva a imaginação”, “O Sol e a Chuva”:

Era uma vez o Sol que tinha uma amiga Nuvem. Um dia eles estavam a descansar quando apareceu o filho da Nuvem a chover e triste. O Sol perguntou:

_ O que se passa pequenote?_ Mas ele não respondeu. O Sol voltou a perguntar:

_ O que se passa pequenote?_ Mas ele não respondeu novamente. Desta vez o Sol perguntou à Chuva o que se passava. Ela respondeu:

_ É que o rapaz nasceu ontem e ainda não tinha chovido. Como hoje ele ficou cheio de água, assustou-se e começou a chover. Eu posso ser testemunha disso!

_ Obrigado por me esclareceres. Queres ser minha amiga?_ disse o Sol. A chuva respondeu:

_ É claro que quero ser tua amiga. Vamo-nos divertir à grande.

E juntos viveram felizes para sempre.

Trata-se de uma pequena e encantadorazinha fábula, se ignorarmos o facto de que os personagens principais não são animais, mas sim corpos celestes, partículas de água no estado gasoso em suspensão na atmosfera e a própria da precipitação. Logo por aqui, a situação é estranhíssima. Isto porquê? Primeiro, porque as nuvens e o Sol se encontram a, aproximadamente, 149.599.996 quilómetros de distância, portanto, e considerando que eles teriam a capacidade de se comunicar, nem com os melhores altifalantes do Universo se conseguiriam falar. Segundo, porque uma relação entre o Sol e uma Nuvem seria altamente tóxica para a Nuvem: a temperatura no Sol é de 5499ºC. Ora, neste ponto, e em termos científicos, o vapor de água sofreria um processo denominado ionização, em que os eletrões se separam dos átomos, o que a faria comportar-se como um plasma (e não, não me estou a referir a televisões de alta-definição!). Desta forma, não seria sequer possível a existência de nuvens perto do Sol, o que tornaria difícil uma amizade entre eles!

Outra questão que me inquietou foi o facto de o suposto filho da Nuvem estar a chorar porque se assustou com a chuva, visto ter nascido na véspera daquele episódio. Quer isto dizer que a Nuvenzinha era, na realidade, um recém-nascido, mas que a sua mãe, Sra. Dona Nuvem, já estava a descansar com o Sol, longe do filho. Não sei se sabe, Sra. Dona Nuvem, mas está previsto, no artigo 138º do Código Penal Português, que o abandono de menor com menos de 12 anos é um crime punível com até 5 anos de cadeia! Mas suponho que isso não deve existir, aí na atmosfera. Dá-me impressão que o que prevalece é a “Lei da Selva”! Parece que não valeu de nada, ter-se andado a perder tempo, naquele 20 de Novembro de 1959!...

Por fim, quero demonstrar o meu apreço por uma das personagens da rábula: a Chuva. No meio daquilo tudo, foi a única que satisfez a curiosidade do Sol, tendo tido a decência de lhe responder. Eu sempre gostei de chuva! Para mim, dias de chuva são dias de esperança. São dias de calmaria, porque ninguém gosta de andar à chuva. São dias de reflexão, porque o som da chuva batendo na janela e o aroma a terra molhada acabam por ser terapêuticos. São dias em que a mãe Natureza nos faz ter consciência da nossa pequenez, quando inunda a baixa Lisboeta, por exemplo, e destrói tudo aquilo que nós perdemos tempo a construir. São dias em que eu me revejo, porque o clima incerto e tempestuoso funciona como um anestésico para o temporal que me vai dentro do peito. De uma forma bastante metafórica, mas ao mesmo tempo bastante literal, os dias de chuva servem para nos lavar a mente e a alma. E a eles estou eternamente grato! Já ao filho da mãe do vento, que nunca fez nada por ninguém, eu só desejo mal! Porque esse bandalho, para além de ser incómodo, ainda destrói os guarda-chuvas dos incautos cidadãos que, como eu, só desejam apreciar os seus dias de chuva! Mas isto é tema para outra crónica! Por ora, me despeço com amizade, e até para a semana!

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Trabalhos de Casa #14: "Onde me leva a imaginação"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 17.06.23

Bienvenidos” a mais um episódio da única e melhor rubrica da Psique de Guilherme! Esta semana, ocorreu-me que seria interessante colocar os “Trabalhos de Casa” a descansar. Como se trata de uma rubrica muito direccionada à escola, e visto que o calendário escolar está agora a terminar, acho que faria sentido meter umas Férias Grandes aos nossos tão amados “Trabalhos de Casa” e arranjar, até Setembro, uma rubrica de substituição. Qual? Logo verão! Agora vocês devem estar a pensar “Ui, que ele não nos diz o que vai fazer porque deve ter uma ideia do caraças e quer-nos fazer uma surpresa!”, mas não: eu não vos digo porque não sei o que raio fazer ao invés dos “Trabalhos de Casa”!... Mas a gente lá há-de arranjar qualquer coisita! Dito isto, passemos ao último texto desta primeira temporada dos “Trabalhos de Casa”, escrito no dia 18 de Setembro de 2015. O título já vos deve ser familiar, “Onde me leva a imaginação”, e se da última vez me levou para muito longe, com anões à mistura e tal, desta vez deixou-me num sítio para lá de estranho e sombrio. Temo que este texto possa, mesmo, arruinar a minha reputação. Aqui vai disto:

Olá, eu sou o Guilherme dos Santos Gomes ou só Gui. A minha alcunha é «rebenta cadeias» porque eu sou o maior trapalhão do universo. Tenho medo de tudo menos animais. No ano passado eu vi um homem azul a sair do quarto dos meus pais e a entrar no móvel dos sapatos. Gosto de waffles. Acho que o Big Bang está dentro do relógio «Big Bang» em Inglaterra. O meu país é a Guilândia. A banda de onde eu sou o vocalista são os “The Gui Snail’s». A minha tartaruga Verdinha morreu a 14 de junho de 2013. Eu gosto de escrever aspas («») nas palavras que acho importantes. Eu sou maluquinho. Nunca disse asneiras. Eu não sei fazer círculos certinhos. Se alguém me conta histórias de terror eu derreto de medo e pavor. Só gosto de 4 tipos de fruta. Tenho um mau perder. O fim do mundo é daqui a uma semana. Tenho medo dos gigantões, de cemitérios e das estátuas grandes da igreja. Paz e amor. Adoro a liberdade. Noutra vida fui um cão. Fico com frio quando tenho medo de alguma coisa. Quero chocolate. Não me falem de sapos. Roo as unhas. Os mortos vivem, mas são brancos. Dez mais dez é igual a: Incrível! Tenho medo! As minhas narinas falam comigo. Fim!

Acho que dá para perceber que tenho muito com que trabalhar. Este é um texto com muito suminho, é sim senhor. Antes de mais, devo-me justificar dizendo que sempre fui uma criança muito perturbada. A minha irmã havia sido roubada pela minha prima, o que me fez crescer relativamente só, e daí vêm todos os traumas que hoje são evidentes em mim. Por isso, sinto-me na obrigação de vos pedir desculpa.

Eu podia-me focar em cada ponto do texto, mas se o fizesse nem amanhã tínhamos saído daqui, de maneiras que vou pegar apenas no que considero de maior interesse e relevância. Ora, aquela coisa do homem azul, ou lá o que é, nem vale a pena estar a comentar, porque eu estava - aliás, acho que isto é uma coisa evidente, ao longo de toda a composição – sob o efeito de estupefacientes. Isso é ponto assente. Depois, revelo mais uma vez a minha grande imbecilidade, ao confundir o nome do mais famoso relógio de todo o planeta com o nome do evento que, teoriza-se, terá originado o Universo. O pior no meio disto tudo é que “Rolex” e “Big Bang” nem têm sonoridades parecidas, mas pronto. De seguida, falo do meu país, a Guilândia, e aqui gostaria de defender o meu eu com 9 anos (que é algo raro), porque ainda hoje considero a ideia de criar uma sociedade fictícia, com bandeira, legislação e até hino próprios interessantíssima e um exercício saudável de criatividade!

Outra coisa a que eu faço referência (e muito bem!) é à dificuldade em desenhar círculos certinhos. Se só isto já era frustrante, ainda mais chateado fico quando vejo na Internet vídeos de pessoas a traçar circunferências de forma imaculada com apenas uma rotação do braço! Como assim esta gente consegue desenhar círculos assim e eu nem com o auxílio de um compasso, pá? O Mundo está mesmo pejado de injustiças!

No final do texto, saio-me com um “os mortos vivem, mas são brancos”. Ah! RACISMO! Como assim as pessoas ficam caucasianas depois de falecer, pá? Estamos aqui para lixiviar a sociedade, ou o quê? Em pleno século XXI, faz-se uma declaração destas, pá? Mas estamos malucos? Vem-me agora um palerma destes dizer que, aquando do falecimento, que é só o que há de comum entre todos no planeta, as pessoas ficam brancas, considerando desta forma que a tez pálida é a mais natural e unificante?! Cancelem este gajo! Mas quem é que ele pensa que é? #CancelemGuilhermeGomes! Palhaço!

E pronto, depois de ter incitado a um motim contra a minha pessoa, me despeço com votos de felicidade e amizade para todos vós! Até para a semana, se ainda cá estivermos!...

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Trabalhos de Casa #13: "Os meus monstrinhos"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 06.05.23

Cá vamos nós, mais uma vez, embarcar nesta magnífica trip de LSD de conhecimento e cultura que é a rubrica preferida dos fãs (quem?) da Psique de Guilherme: os “Trabalhos de Casa”. Desta vez, devo contextualizar a situação. Do que me lembro, havia no manual de Português do Alfa do 4º Ano, Porto Editora, um texto sobre o monstro da preguiça. O autor, no fundo, pegava nesta ideia de que os defeitos humanos são uns monstrinhos que nós não só podemos como devemos combater. A partir daqui, a professora Alice pediu-nos que escrevêssemos uma composição sobre os nossos monstrinhos. E foi isso que eu fiz, na redacção do dia 1 de Outubro de 2015, “Os meus monstrinhos”:

Os meus monstrinhos são muitos. Tenho o monstrinho do mau comportamento, o da preguiça, da distração, dos maus hábitos e muitos mais parecidos com estes.

Para os deter preciso de ter força de vontade e não lhes ligar, assim iram desaparecer. Para destruir o monstrinho do mau comportamento tenho de me portar bem, para destruir o monstrinho da preguiça tenho de trabalhar e não ficar mole, para destruir o monstrinho da distração tenho de me concentrar e para destruir o monstrinho dos maus hábitos tenho de ter bons hábitos.

Quando os meus monstrinhos forem todos destruidos poderei ser melhor, mas até lá tenho de ganhar muita mais confiança e força de vontade.

Os monstrinhos são muito poderosos e maus, mas com o tempo, eu e toda a gente vamos conseguir vence-los.

Os meus monstrinhos! Devo dizer que ainda conservo, religiosamente, dois dos monstrinhos daquela época: o da preguiça e o dos maus hábitos. Que eu sou uma pessoa de princípios e há certa coisas que não se podem deixar ir! Daí talvez os meus 110 quilos!... Pode-se alegar que estou mal-habituado e tal, tudo muito bem. Mas se a má-habituação é tão boa! A preguiça é chata, às vezes? É, sim senhor! Procrastinar até ao limite (ou seja, procrastinar, só) por vezes dá cocó? Dá, pois! Manter um estilo de vida sedentário pode reduzir a nossa esperança média de vida em algumas décadas? Pode e bastante! Mas depois pomo-nos a pensar e sabemos bem que é verdade que custa imenso ir a um restaurante e pedir uma salada quando se sabe perfeitamente que se pode comer uma Francesinha! E também custa ter que correr quando existe o andar, que é uma invenção já bastante antiga, mas ainda bem boa! E sabemos também que fazer trabalhos com duas e três semanas de antecedência, ao invés de na véspera, em cima do joelho, acabaria com metade dos nossos stresses. Mas nós somos, no fundo, uns masoquistas pelo relaxamento. Achamos que, lá por adiarmos os problemas, eles vão desaparecer, mas que o resultado é justamente o contrário: não só eles não desaparecem, como ganham proporções inimagináveis. Nós não temos propriamente remédio... ou será que temos?

No segundo parágrafo do texto, se estão recordados, eu explico quais as melhores maneiras de “deter” estes impulsos, vulgo “monstrinhos”. Segundo eu, é preciso é ter força de vontade e não lhes ligar. Por exemplo, para acabar com o monstrinho da distração, o ideal é... concentrar-me. E para o dos maus hábitos... é ter bons hábitos. Quer dizer, assim é fácil, não é? No fundo, eu caio um bocado naquela coisa do “Estás com depressão? Apanha Sol, pá! Anima-te!” ou “És toxicodependente? Não consumas estupefacientes! É tão simples quanto isso! PRÓXIMO!”. O problema é que não é assim tão linear. Há certas coisas em que funciona, mas não é muito comum. Por exemplo, no meu caso, eu tornei-me um bichinho “inofendível” (necessitei de inventar este termo, porque não queria estar a dizer “que não possui a capacidade de ser ofendido”) desta forma, não ligando. Também foi um bocado assim que eu evitei alguma vez sofrer qualquer tipo de bullying. Porque as crianças são cruéis, e como eu sempre fui gordo (“Ai, tu não és gordo, és forte!”. Permitam-me que eu vos responda citando Gato Fedorento: “Forte é o Tarzan Taborda! Eu sou é gordo!”), as chances de vir a sofrer bullying eram assim para o altitas. No entanto, nunca dei espaço aos arruaceiros para me tratarem mal, sempre me antecipei a eles fazendo uma espécie de auto-bullying. Por causa dessa resistência à ofensa, criei uma espécie de escudo, e hoje não sou capaz de me chatear com qualquer tipo de comentário. Mas, como disse, nem sempre é assim, e se há alguma coisa que o apoquenta, caro espectador, e da qual não se consegue livrar, procure falar com familiares, amigos, ou mesmo profissionais creditados. Não se deixe vencer pelos seus monstrinhos! Até para a semana!

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Trabalhos de Casa #12: "Onde me leva a imaginação"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 01.04.23

Cá estamos de novo, não é? É verdade... Bom, deixemo-nos de parvoíces! Esta semana, como já seria de esperar, eu vou serrar um telefone antigo a meio com uma faca quente, para ver como é o seu interior! Não, é mentira, - feliz dia 1 de Abril, antes de mais – vou, sim, passar a apresentar mais um episódio dos Trabalhos de Casa, subordinado ao tema... não sei, que eu não consegui perceber bem do que trata este texto. Bom, mas isso não é importante! Não saber nada sobre um assunto nunca me impediu de opinar acerca desse mesmo assunto. Aliás, é essa coisa de não estar informado acerca de nada do que falo que me torna especial! Por isso, não era agora que me ia estar a inteirar de assuntos. Não, senhor! É melhor, se calhar, ir para o texto, não é? Talvez seja... Bom, o texto desta semana tem o sugestivo título “Onde me leva a imaginação”, que creio ser extremamente autoexplicativo. A data, mais uma vez, é algo incerta. Tenho a certeza que se encontra entre os dias que passam menos mal, lá vem um que nos dá mais que faz... desculpem! Entre os dias 6 e 10 de Novembro de 2015, assim é que é! Siga a rusga:

Um dia, quando ia a pé para casa passei por uma floresta. No cimo de uma árvore estava um anão a olhar para mim. Eu, curioso como sou tive de o questionar:

_Queres ajuda para descer?

Mas o anão teve medo e escondeu-se atrás de algumas folhas da árvore.

_Anão _ disse eu _, não te faço mal. Sai daí, eu quero conhecer-te para sermos amigos!

O anão pôs a cabeça de fora e perguntou:

­­_Não estás a mentir pois não?

_Não. Porque haveria de te fazer isso? _ disse eu.

Ele respondeu:

_Porque eu conheci um rapaz parecido contigo que fingiu ser meu amigo e depois, deixou-me aqui em cima.

Eu comecei a trepar a árvore. Mas, subitamente, o ramo em que eu tinha a mão partiu-se e eu desci.

_Vou buscar um escadote. _ disse eu.

Fui buscar o escadote e ajudei o anão a descer. Ele agradeceu e assim arranjei um novo amigo.

Que conto magnífico. Nem os irmãos Grimm se saiam com uma destas... porque eles eram profissionais que sabiam o que estavam a fazer. Acho curiosa, esta história de eu ir a passear pelo meio de uma floresta, ver um anão numa árvore e sentir um desejo enorme de travar uma amizade com ele. Até porque é estranho, ver anões em árvores. Normalmente quem sobe para as árvores são os gatos, não é? Às tantas era um gato, e como eu andava perdido pelo meio de uma floresta, se calhar já tinha consumido uma espécie de uns cogumelos especiais que para lá há. Se calhar foi isso.

Mas vamos acreditar que era um anão e que eu não estava drogado. A segunda parte pode ser mais difícil, mas esforcem-se um bocadinho. Segundo o que ele diz, ele foi posto em cima da árvore por um rapaz. Quem é esse filho da mãe que anda para aí a pegar em anões e a pendura-los em pinheiros, feitos bolas de Natal? Coitados dos anões, pá! É que eu, à cabeça, só vejo uma pessoa que pudesse ter vontade de fazer isso, que é o Príncipe Encantado da Branca de Neve. É no que dá a ciumeira, não é? A namorada a viver na mesma casa que sete gajos muito pequeninos... hum, dá para desconfiar! Pessoalmente, e se for mesmo isto, não o censuro, atenção! Por mim, desde que não se andem para aí a matar, metam os anões que quiserem em cima de árvores.

Porque essa é outra: porque é que os anões são os únicos portadores de uma deficiência física com representação nas mitologias nórdica e germânica, pá? Discriminação, é do que isto se trata! Por isso, é que hoje venho aqui apresentar o movimento “Mais Deficiência Na Cultura Mitológica”! E tenho exemplos que dariam perfeitamente para adaptar ao texto de hoje, como um “Perneta, não te faço mal.”, um “Paralítico, não te faço mal.”, ou mesmo um “Raquítico, não te faço mal.”! Se andamos à procura de uma maior inclusão, creio que o caminho é este. Já agora, se quiserem consignar 0,5% do vosso IRS à Associação Portuguesa de Deficientes, o NIF é o 501129430! Tau! Que agora já não sabem se me hão de odiar por estar a fazer pouco dos deficientes ou aplaudir por estar a incentivar a que doem para a causa deles! É assim que se confunde os ofendidinhos, que não conseguem distinguir um discurso sério de um claramente satírico. Temos pena! Até para a semana!

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Trabalhos de Casa #11: "A minha ida ao médico"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 11.03.23

A doença é uma realidade dura, difícil de se lidar. Estar ou ser doente (que, em Inglês, Francês, etc., seria a mesma treta, o “ser” e o “estar”) não é, de todo, agradável! A doença é, também, um tema que já foi bastante abordado por mim neste fórum, porque a minha hipocondríase a isso obriga. Por isso, hoje trago de novo esta temática. Designadamente, por causa de um texto que eu terei escrito no ano de 2015. Não há dados que me permitam concluir exactamente em que data, mas não interessa! Foi em 2015, e que se lixe! No “Trabalhos de Casa” desta semana, a composição “A minha ida ao médico”:

Um dia eu fiquei doente e perante a situação tive que ir ao médico. Foi o meu pai que me levou e o sítio da minha consulta era na Clipóvoa em Amarante. Eu tinha começado a ganhar pintas vermelhas no corpo e toda a gente pensava que era a febre da carraça.

Fui atendido por uma pediatra que disse:

_Dói-te alguma coisa?_ e eu respondi:

_Não me dói nada. A senhora apontou e fez outra pergunta:

_Quando é que começaste a ficar assim? Eu respondi:

_Foi à pouco tempo. Ela disse:

_Senta-te naquela maca que eu já te vou auscutar. Eu sentei-me, a médica auscutou-me e depois disse para eu tomar um xarope. Fiquei melhor.

Com que então, febre da Carraça, hã? Creio que devo uma explicação: uma altura, como disse, começaram-me a aparecer umas pintas vermelhas por todo o corpo, e isto, naturalmente, preocupou os meus pais. Fui ser verificado uma primeira vez, já não me recordo bem onde, e o médico concluiu que, provavelmente, eu estaria a padecer de “febre da Carraça”. Ora, isto preocupou ainda mais os meus pais e, consequentemente, a minha família. Devo, talvez, informar-vos, caso não estejam a par, de que a febre da Carraça tem uma taxa de mortalidade na ordem dos 2,5%, um número bastante superior, por exemplo, à da gripe, com apenas 0,13%, e ao Sarampo, com cerca de 0,3%. Voltando à história: certo dia, recordo-me eu muito bem - e agora vou falar directamente para a minha tia-avó Cristina (porque sim, eu não tenho medo de dar nomes!) – a minha mãe falava ao telemóvel com a minha Tia Cristina, que também estava preocupada com a situação, ao que esta diz “Coitado do menino! Sabes que a febre da Carraça mata!”. Ora, para um rapaz de 9 anos, ouvir que a suposta doença que ele tem mata, é altamente tranquilizador! Uma pessoa pensa logo: “Bom, nove anos já não é mau! Já sei ler, escrever, contar. As coisas importantes, não é? Mas foi bom, lá isso foi...”. Pode parecer que não, mas dá um novo alento, saber que se pode patinar a qualquer momento! Porém, como eu refiro no texto, numa segunda avaliação, percebeu-se que se tratava de uma simples alergia, já não me lembro bem a quê. No fundo, a situação foi esta. Se calhar agora passava à parte de criticar o meu jovem eu...

Primeiro, gostava de ressaltar o anticlimático, porém interessantíssimo, diálogo travado entre mim e a Sra. Dra. Pediatra:

_Dói-te alguma coisa?

_Não!

_Sentes-te bem?

_Sim!

_Estás assim há muito tempo?

_Não!

_Está certo...

É um diálogo que não tem substância nenhuma. Grau zero de emoção! Há sempre uma inversão de expectativas. Quando se espera que eu vá responder uma coisa, respondo o completo oposto. Essa é uma técnica usada na comédia e no terror, não necessariamente indicada a consultas médicas...

A seguir, há o desfecho. Sinto que tudo acaba muito depressa. Num momento, a médica está-me a auscultar, no momento imediatamente a seguir, já me está a receitar um xarope, e na frase subsequente já estou bem! É uma conclusão preguiçosa! Podia perfeitamente ter falado na minha reacção ao sabor do xarope, que era sempre muito interessante. Podia ter referido o gradual desaparecimento das pintinhas. Mas não, fui indolente ao ponto de não concluir de uma forma bonita. Mas também nunca fui bom com despedidas, portanto é natural que assim seja! Mas sabem o que isto me faz lembrar? As telenovelas. Andam centenas de episódios a engonhar, mas na última semana de emissão, com uma data de pontas soltas no guião para resolver, fazem tudo a correr e terminam aquela porcaria sempre de uma maneira muito preguiçosa: matam o vilão, casam os protagonistas, aparece num ecrã uma mensagem de “X tempo depois”, nascem uns bebés, e fim! É sempre a mesma treta!

E foi assim! Não tenho mais nada para dizer. Até uma próxima oportunidade (eu avisei, que não era bom com despedidas)!

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Trabalhos de Casa #10: "O carnaval no Mundo"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 18.02.23

Bem-vindos a mais uma destas autênticas bodegas a que eu chamo crónicas! O meu nome é Guilherme Gomes e estou aqui, mais uma vez, para vos apresentar situações! Este sábado, o que me traz cá é o décimo episódio dos “Trabalhos de Casa”. Número redondo, tudo muito giro, mas não vamos perder tempo com coisas destas. Vamos, sim, passar ao texto. Na semana passada, a crónica foi dedicada ao S. Valentim, e esta semana será dedicada ao Carnaval. O que, se pensarmos bem, até tem a sua lógica, porque, no dia dos Namorados, a maior parte das pessoas recorre a máscaras para parecer melhor do que é e muita gente acaba a fazer figura de palhaço. Apresento, de seguida, o texto “O carnaval no Mundo”, do dia 28 de Fevereiro de 2015:

O carnaval é conhecido mundialmente. Eu não faço ideia de quando é que esta tradição foi inventada, mas há uma coisa engraçada, nunca calha no mesmo dia. Em 2014 calhou no dia 4 de março, em 2015, no dia 17 de fevereiro e em 2016, vai calhar no dia 9 de fevereiro.

O maior carnaval do mundo é no Brasil que junta mais ou menos 2.000.000 de pessoas. Eles passam meses a treinar o samba e as suas músicas.

No mesmo país há muitas formas diferentes de comemorar o carnaval como por exemplo: em Portugal são desde o samba de Ovar até ao entrudo de Lazarim. Mas há uma coisa em comum, as máscaras de madeira ou plástico, etc...

A palavra carnaval traduzida à letra significa «adeus à carne.»

E isto é um pouco do que é o carnaval, mas ainda há mais.

Texto muito informativo, faz-me parecer que vou ter bastante suminho. Começamos logo com mais uma das minhas inúmeras demonstrações de incultura e impreparação, quando eu exponho que não faço ideia de quando é que esta tradição foi inventada. E fazer um bocadinho de pesquisa, não? Para terem uma ideia, eu acabei de ir consultar o Sr. Google, e em 0,33 segundos obtive 29 600 000 resultados, o que me permitiu concluir que o Carnaval, como hoje o conhecemos, começou na Idade Média. Isto, hoje em dia, só não anda informado quem não quer, meus amigos!

Imediatamente a seguir, ainda outra prova da minha total e completa estupidez e ausência de conhecimento, quando falo do Carnaval do Brasil. Ao passo que é inegável concluir que o maior Carnaval do mundo é o do nosso país irmão, não me parece muito correcto afirmar que este junta mais ou menos 2 milhões de pessoas. Isto porquê? Porque, com outra simples pesquisa, é possível verificar que o número de foliões tende a rondar os 40 milhões! O que me leva a crer que eu me limitei a meter para ali um número que me parecia mais ou menos grande, porque também não estava para me chatear. O que, à partida, é verdade.

Depois, ponho-me a falar das tradições carnavalescas dentro do nosso Portugal. E o primeiro exemplo que dou é logo, espantem-se, uma treta! Podia ter falado dos caretos de Podence ou dos cabeçudos e dos Zés-Pereiras de Torres Vedras, mas não. Falei, possivelmente, da ÚNICA tradição de Carnaval do nosso país que é importada! Porra, o Samba é muito bonito, mas não é uma tradição portuguesa! Dizer que o Samba é filho do mesmo solo que Camões é a mesma coisa que dizer que o nosso prato regional favorito é o McChicken! Ainda por cima, para além disto, saio-me com um “Mas há uma coisa em comum [nas tradições de Carnaval], as máscaras de madeira ou plástico, etc...”. Pois, porque no tal samba de Ovar usam-se muitas máscaras, não é?!

Por fim, digo que tudo aquilo que referi é apenas uma pequena parte do que é o Carnaval e que ainda há mais. Pois, mas o quê? É que eu deixo isto no ar, mas não digo mais nada! Filho, isto é um texto expositivo, não é narrativa nenhuma. Não se pode simplesmente deixar isto em aberto e as pessoas que fiquem augadas! Palhaço! Este foi daqueles textos em que é tudo ao lado! Porra! Até uma próxima!

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Trabalhos de Casa #9: "O circo"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 28.01.23

Olá! Tudo bem? Pois... Esta semana temos “Trabalhos de Casa”, não é? Pois é. E que texto trago hoje? Um texto que não tem nada a ver com nada do que está a acontecer, neste momento, no país e no Mundo. Porque eu gosto de ser punk! Eu ouço “Sex Pistols”, caramba! De maneiras que hoje vamos ao circo (e aqui se prova o meu eclectismo musical, porque “Vamos Ao Circo” é uma música dos Sitiados)! Do dia tal do mês de Janeiro de 2015, a composição com o sugestivo nome “O circo”:

Eu nunca fui ao circo. Mas apesar de nunca ter ido a nenhum, já vi na televisão.

Lá existem várias pessoas a trabalhar, mas em alguns casos há menos artistas do que parecem, porque alguns fazem duas coisas como por exemplo: o domador também pode ser um dos acrobatas.

Aquela tenda de circo é enorme e às vezes é vermelha e branca como as dos desenhos animados.

Tal como a Professora Alice nos disse o circo não devia ter animais, mas também não os vamos abandonar os animais, há uma regra que diz que os animais ficam no circo até morrerem e depois não se podem substituir.

No circo fazem acrobacias, truques, palhaçadas... incríveis mas às vezes os animais também fazem isso.

Vamos lá ver. Eu realço o facto de, eventualmente, poder haver certos profissionais a exercer mais do que uma função dentro do circo. Como eu digo “o domador também pode ser um dos acrobatas”. Está bem. E depois? Qual é, do ponto de vista do conteúdo da redacção, o interesse desta informação? Deixai lá as pessoas fazer o que lhes apetece, pá! Bem quero lá eu saber se o acrobata também é domador de leões, se a bailarina ajuda a montar a tenda, ou se o palhaço faz exames à próstata dos elefantes! Isto é quase como, num texto de apresentação de uma empresa, dizer, por exemplo, que “um senhor que trabalhe na secção do Economato também pode fazer biscates como electricista, nas horas vagas”. Pronto, OK. Por mim, tudo bem. Lá está, é uma informação irrelevante e sem nexo, mas que se lixe.

Depois, fala-se num tema fracturante da nossa sociedade: os maus-tratos aos animais. - Antes, espaço para uma merecida menção honrosa à Professora Alice. Creio que nunca é demais homenagear esta senhora. – Hoje em dia, há leis que proíbem a utilização de animais nos circos, mas à data da escrita deste texto, elas ainda não existiam. Eu pareço algo demarcado da realidade, quando digo que “’tá bem que o circo não devia ter animais, mas também estar a abandoná-los, não é(?), é chato”, mas não estou muito errado. Na realidade, havia bastantes casos de abandono de animais velhos ou doentes por parte de circos. Quando viam que já não serviam para nada, largavam-nos em terrenos agrícolas, dentro de um atrelado, para morrerem. Isto costumava acontecer muito com felinos de grande porte, como leões e tigres. Esta situação é revoltante. Revoltante porque, mais uma vez, se vê a podridão e a crueldade humana no seu melhor; mas revoltante, acima de tudo, para os donos dos terrenos. Eu só imagino um senhor, dono de um pequeno campo na planície alentejana, a chegar um dia de manhã e dar de caras com uma carroça com um tigre lá dentro! “O que é que eu vou fazer agora? Então, mas fazem-me uma desfeita destas? Que é que eu faço com o bicho? Será que ele gosta de ‘Carne de Porco à Alentejana’? Ah, filhos dum corno!”. Eu não saberia como reagir! Porque cuidar de uma manada de vacas é uma coisa. Agora de um tigre é muito mais difícil. E onde é que se muge o bicho? São problemas de que não se fala. Já não há consideração pelas pessoas!

De um modo geral, foi isto que se passou. É pá, tentem não ir a circos onde sabem que há ou já houve animais a ser maltratados. Se se quer resolver o problema, tem que se começar por algum lado! Ficamos por aqui. Para a semana, é à mesma hora, no mesmo local. Tchau!

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Trabalhos de Casa #8: "Como foram as minhas férias"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 07.01.23

Quis o destino que a primeira crónica do ano fosse um episódio dos “Trabalhos de Casa”, e por mim tudo bem, embora eu preferisse falar sobre o vazio que nos é provocado pelo fim das festividades do Natal e da Passagem de Ano. Isto porque Janeiro é deprimente. É um mês que parece fazer morrer algo dentro de nós, perder aquela inocência que o Natal lá nos vai trazendo uma vez por ano. Não é, portanto, de admirar, que este mês tenha sido nomeado segundo o deus romano Jano, deus dos inícios e das mudanças, cuja figura surge várias vezes associada a portas. Deuses há que têm a eles associadas figuras do calibre de terras, mares, planetas! Jano tem as portas... Já não é mau! Por isso, hoje também trago um texto que é deprimente. Um texto escrito em 5 de Janeiro de 2015, com o sugestivo nome “Como foram as minhas férias”, em que eu conto, lá está, como foram as minhas férias. E surpreendam-se com a espectacularidade das interrupções lectivas deste que vos fala!

As minhas férias começaram no dia 13 de dezembro de 2014 e acabaram no dia 5 de janeiro de 2015.

Nos primeiros dias brinquei e fiz os trabalhos das férias.

Na véspera de Natal acordei às 10 horas e tomei o pequeno-almoço. À noite fui cear a Sande, a casa dos meus avós paternos. Depois do jantar ouvimos um barulho, um estrondo no teto, de certeza que era o Pai Natal. Segui para Avões na altura de abrir os presentes do Pai Natal, sentei-me ao pé da lareira para ver se encontrava alguma pista, um bocado depois ouvi uma coisa a escorrer no telhado. Fui ver debaixo da árvore e estava cheio de presentes. Eu recebi o Sem Palavras, o Hedbanz, a estufa ecológica, uma caixa de animais, o Monopoly, uma mesa de snoker, um livro e boxers dos minions.

No dia 25 de dezembro fui almoçar a Avões a casa dos meus avós maternos.

Na véspera de Ano Novo acordei às 12 horas e fui cear à casa dos meus avós maternos, e passei aqueles 12 segundos em cima de um banco.

A 1 de janeiro fui almoçar à casa dos meus avós paternos.

Gostei muito das minhas férias.

Eu avisei que isto ia ser assim. Profundamente desinteressante. Não entendo o porquê dos pormenores tão técnicos, da especificidade de na Véspera de Natal ter acordado às 10 da manhã, ter tomado o pequeno-almoço, na Passagem de Ano ao meio-dia. Para quê tanto detalhe? Só faltou dizer que “ao almoço do dia 29 de Dezembro comi um arroz, que por acaso estava muito bom, com um bife com ovo a cavalo, ovo que era biológico, tamanho M, frito a 178,5ºC, em óleo, como, de resto, eu gosto mais”. Porra!

Outra coisa a que eu faço uma referência, ainda que breve, é a essa invenção do Demo que são os “trabalhos das férias”. - Eu sei que esta rubrica se chama “Trabalhos de Casa”, mas não quer isso dizer que eu goste de trabalhos de casa! Por essa lógica, o Markl também gostava de morder cães e de meter, vamos lá ver, nêsperas no, digamos, cu! – A definição de férias é mesmo “interrupção relactivamente longa de trabalho, destinada ao descanso dos trabalhadores”. Obrigar os alunos a trabalhar nas férias é uma contradição a ambas as partes do conceito destas: nem se está a interromper o trabalho, nem a permitir que os trabalhadores descansem! Por isso, senhores professores do nosso Portugal, faço o meu apelo para que não mais os alunos sejam forçados a trabalhar naquele que é, por direito, o seu momento de descanso. Já que estou numa de pedir coisas aos professores, eu não gosto muito de fazer testes. É uma coisa que me chateia, pronto! Se desse para, vamos lá ver, não fazer testes, para mim era espectacular! É porque ir às aulas tem a sua graça, ninguém diz o contrário. Agora, fazer testes parece que me deixa nervoso, ou o que é. E o problema, para além disto, é que a minha ansiedade se expressa de uma forma muito particular. Qual? Através do meu cólon. O meu cólon, quando se vê numa situação particularmente chata, e ainda antes do meu cérebro se aperceber, começa a emitir umas mensagens que chegam a ser aflitivas, de tão sonoras que são. Não raras vezes me apercebo de que devia ficar stressado por causa do meu intestino! Por isso, se um dia escutarem um roncar oriundo das minhas profundezas, o meu perdão, mas a culpa não é minha. Até para a semana!

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Trabalhos de Casa #7: "O que representa o presépio para mim"

Avatar do autor Guilherme dos Santos Gomes, 17.12.22

Eu sei, eu sei que estavam à espera de outra coisa. Eu sei que os Trabalhos de Casa eram só para a semana, mas pensem: daqui a uma semana é Natal, e eu tenho que fazer qualquer coisa especial. Espero que não fiquem chateados, mas se ficarem também não me interessa... O texto desta semana ainda vem no âmbito do Natal e aborda mais uma das instituições desta época festiva: o presépio. Eu sempre vi o presépio como uma cidadezinha de brincar, quase uma aldeia dos Estrunfes (ou Smurfs, se preferirem), mas com pessoas a sério, logo mais desinteressante. Mas não é que isso interesse, porque a ideia que eu deixo aqui é outra e, como já é habitual, é própria de uma criança de 8 anos. Do dia... não sei, só sei que é de Dezembro de 2014, a redacção “O que representa o presépio para mim”:

Para mim o presépio representa o antigamente de há 2014 anos.

O presépio apresenta uma manjedoura com Maria, José, o Anjo Gabriel a dizer (Glória), e o elemento mais importante, a personagem principal, Jesus Cristo...

Entre eles os três reis Magos, que vieram do Oriente, vieram adorar o menino, que criou a nossa gente.

Em camelos sentados vieram, em camelos sentados foram, a estrela Guia os levou, até o Deus menino os guiou.

Os reis Magos por Herodes foram enganados, ele pediu para eles matarem o menino, mas os reis levaram incenso, mirra e ouro.

Mas na verdade o presépio não é só meia dúzia de bonecos a dizer isso, o presépio representa o nascimento de Jesus e o renascimento da vida.

Muito bem. Primeiro, gostava de realçar o facto de que o presépio representa o antigamente de há 2014 anos. É importante perceber isso. Dizer que é de há 2014 anos não basta, é preciso dizer que é o antigamente de há 2014 anos. Não fossem ficar as pessoas a pensar “Ah, mas é o futuramente de há 2014 anos?”. Não senhor, é o antigamente! “Mas é o anteontem de há 2014 anos?”. Nada disso. É o antigamente de há 2014 anos! Assim é que é. Que é para não haver confusões.

Depois, falo-me dos elementos do presépio. Maria, José, o Anjo, Jesus. Tudo muito bem. Mas então e as duas mais importantes figuras do quadro da Natividade? Onde é que eu falo do Burro e da Vaca? É o falas! É que as pessoas podem não se lembrar, mas estes dois animais de quinta foram essenciais para manter um bom ambiente naquele estábulo. Eles foram o ar-condicionado que impediu o Cristo de apanhar uma pneumonia! Está bem que o puto me nasceu no Médio Oriente, e lá está sempre quentinho, mas não deixa de ser um recém-nascido todo nu, no meio da rua, à meia-noite, no mês de Dezembro! É porque ainda há esta: todo nu! Digam-me lá se a Maria, que era de uma família com posses, não podia perfeitamente ter parado a meio do caminho, que aquilo ainda foi uma viagem relativamente longa, e comprado um body para o rapaz, numa Zippy, ou assim? Podia, perfeitamente. Mas preferiu deixar o miúdo a ser aquecido pelo bafo de uma vitela! Se a CPCJ tem sabido disto, o filho de Deus tinha sido adotado por uma família de israelitas e acabou. Não havia cá nada de pregar o que quer que fosse! Ia para a carpintaria, como os outros, e estava caladinho. E se calhar tinha sido melhor, que ao menos não tinha morrido tão cedo, e ganhava a vida a construir cruzes para pendurar os outros...

A dada altura, dá-me para o lirismo. Ponho-me a rimar “Oriente” com “gente”, “levou” com “guiou”. Mas quem é que eu pensava que era? O Camões? Para além disso, eu pus-me a pensar acerca daquela coisa da Estrela Guia que levou os Reis Magos até ao menino, e tal. E se fosse um drone? Podia ser! E nem me venham com coisas de “Não havia drones nessa altura!”. Para um rapaz que anda sobre a água e transforma água em vinho (o que me põe a pensar: será que se ele, enquanto estava a andar num rio, transformasse a água em vinho, ia ao fundo?), fazer aparecer um drone, como diz o outro, é “peanuts”!

Pronto, ide lá dormir, que daqui já não se aproveita mais nada. Como diria Jesus, “Adeus!”, só que ele diria em Aramaico e eu não sei é falar Aramaico...

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